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Sexta-feira, 05 de Junho 2026
Brasil/Mundo

Eclipse lunar de março: Brasil terá visão limitada da "lua de sangue"

Fenômeno celestial será mais visível em outras partes do mundo; entenda as fases e a visibilidade no território nacional.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Eclipse lunar de março: Brasil terá visão limitada da
© Arquivo/Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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Um novo eclipse lunar está agendado para o dia 3 de março. Embora o evento sempre desperte grande interesse de entusiastas e especialistas, desta vez, o Brasil não estará na melhor posição geográfica para observar o espetáculo completo da popularmente conhecida "Lua de sangue".

O fenômeno ocorre quando há um alinhamento preciso entre o Sol, a Terra e a Lua.

“A Terra se posiciona entre o Sol e a Lua, fazendo com que a Lua fique na sombra projetada pelo nosso planeta. É um alinhamento desses três corpos celestes”, detalha o astrônomo Thiago Signorini Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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Segundo ele, em um eclipse parcial, a sombra terrestre avança sobre o disco lunar, assemelhando-se a uma "mordida" que escurece a Lua cheia. Já no eclipse total, o evento mais esperado, a Lua é completamente encoberta.

“Quando a Lua está perfeitamente alinhada, a luz solar não consegue mais atingir sua superfície diretamente. Em vez disso, ela atravessa a atmosfera da Terra antes de chegar lá. Apenas a porção vermelha da luz consegue atravessar, enquanto a azul é dispersa. É por essa razão que a Lua adquire uma tonalidade avermelhada, similar à de um pôr do sol”, explica.

O apelido "Lua de sangue", conforme o astrônomo, é mais uma expressão popular impactante do que um termo científico, mas captura de forma eficaz o efeito visual resultante da filtragem atmosférica.

Contudo, a notícia não é das mais animadoras para a maior parte do território brasileiro.

“Infelizmente, na maior parte do Brasil, observaremos apenas o eclipse penumbral, que se manifesta como um leve escurecimento da Lua cheia, um efeito muitas vezes difícil de ser percebido”, comenta Thiago.

Em grandes cidades como São Paulo e Brasília, o fenômeno ocorrerá por volta das 6h da manhã, com a Lua já muito baixa no horizonte oeste e pouco antes do nascer do Sol, o que complicará ainda mais a visibilidade.

A situação melhora ligeiramente na região Norte. No Acre, Rondônia e na porção oeste do Amazonas, será possível acompanhar parte do eclipse parcial. “No Acre, por volta das 5h da manhã, já será possível notar a sombra avançando. O ponto máximo do encobrimento ocorrerá próximo das 5h45, quando quase toda a Lua estará coberta”, detalha.

Mesmo assim, ele enfatiza que o Brasil não é o local mais privilegiado do planeta para este eclipse. As condições ótimas de observação estarão no Pacífico, em áreas como a Nova Zelândia e ilhas como Fiji, onde a totalidade será plenamente visível.

As fases do eclipse

A astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, esclarece que todo eclipse total da Lua se desenrola em cinco etapas distintas: penumbral, parcial, total, novamente parcial e, por fim, penumbral.

“O eclipse penumbral acontece quando a Lua adentra a sombra mais tênue da Terra. Nesta fase, a alteração no brilho é quase imperceptível. Em seguida, ao começar a entrar na sombra mais densa, inicia-se o eclipse parcial, quando vemos a Lua escurecer progressivamente, como se fosse uma pequena mordida”, explica.

O eclipse total se concretiza quando a Lua está completamente imersa na umbra — a região mais escura da sombra terrestre.

No entanto, no caso do eclipse de 3 de março, o Brasil terá visibilidade apenas das fases iniciais. “Quando a Lua estiver totalmente eclipsada, ela já estará abaixo do horizonte para nós. O Brasil não presenciará o eclipse total”, afirma Josina.

Cronograma do evento (horário de Brasília):

  • 5h44 – início do eclipse penumbral
  • 6h50 – início do eclipse parcial
  • 8h04 às 9h02 – fase total (não visível no Brasil)

Quanto mais a oeste a localização no país, maior será a porcentagem de obscurecimento. No extremo oeste do Brasil, o encobrimento poderá atingir cerca de 96% — muito próximo da totalidade, mas ainda tecnicamente classificado como parcial.

Conforme a astrônoma, eclipses lunares são relativamente comuns no Brasil, mas teremos que aguardar para observar um espetáculo completo. “Somente na noite de 25 para 26 de junho de 2029 o Brasil terá um eclipse total da Lua com todas as suas fases visíveis em todo o país”, ressalta Josina.

Ainda em 2026, haverá um eclipse parcial quase total (com 93% de magnitude) observável em todo o território nacional, na noite de 27 para 28 de agosto. Em 2027, os três eclipses previstos serão exclusivamente penumbrais. Já em 2028, ocorrerão eclipses parciais, mas nenhum total será visível no Brasil.

FONTE/CRÉDITOS: Anna Karina de Carvalho - Repórter da Agência Brasil

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