O Rio Grande do Sul vive um momento histórico para sua arte. Nos últimos dias, Dhai Maus e Raoni de Oliveira, idealizadores do projeto A Força da Mulher Gaúcha, percorreram diversas cidades do Estado para recolher as obras que irão representar o talento feminino gaúcho na Europa. Com cuidado e carinho, eles reuniram as 12 obras selecionadas para a exposição coletiva que será inaugurada em agosto, na prestigiada Viridis Gallery, em Bruges, na Bélgica.
O projeto nasceu como um concurso público realizado no início deste ano, em resposta às enchentes que assolaram o Estado em maio de 2024. Diante da tragédia, o Escritório de Arte & Cultura lançou a chamada para artistas visuais mulheres, propondo que transformassem em arte as experiências de dor, resiliência e reconstrução que marcaram o período.
Essa iniciativa foi viabilizada por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), política pública permanente do Governo Federal executada no Estado pelo Governo do Rio Grande do Sul. O projeto A Força da Mulher Gaúcha foi contemplado pelo edital estadual da PNAB, que destinou recursos para a realização do concurso, a seleção das artistas e a organização da exposição. Assim, a política cultural brasileira, que surgiu para apoiar o setor durante a pandemia e ganhou status permanente, segue impulsionando a produção artística e valorizando trajetórias femininas no cenário gaúcho.
“Era importante não deixar aquela história se perder só em luto. A arte sempre nos ajuda a atravessar. Por isso reunimos essas vozes femininas para dizer ao mundo que ainda estamos aqui, criando e resistindo — e a PNAB foi fundamental para tornar isso possível”, conta Dhai Maus.
O concurso A Força da Mulher Gaúcha selecionou 12 obras por meio de um júri técnico e voto popular. As duas artistas mais bem avaliadas ganharam também o direito de viajar à Bélgica com todas as despesas custeadas para acompanhar a inauguração da exposição.
Nos últimos dias, Dhai e Raoni viajaram pelo Estado para encontrar cada artista, recolher pessoalmente as obras e garantir que tudo estivesse pronto para embarcar rumo à Europa. Em cada cidade, um encontro marcado por emoção, reconhecimento e expectativa.
A exposição, com curadoria de Dhai e Ana Arcioni, será inaugurada no dia 9 de agosto em Bruges e, após a temporada europeia, será montada também na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre.

As artistas e suas obras
Os títulos das obras já dão a medida da sensibilidade e da força das mulheres que as criaram:
- Samy Sfoggia — Born to be Anything
- Sarah — Flor Gaúcha
- Márcia Sawitzki — Mulher Solar, Resistência e Ancestralidade
- Andréia Kris — Resiliência Feminina
- Janaína Alves — Meu Bem Maior
- Anne Anicet — Caminhos pelos Pampas
- Kathleen Oliveira — Bastidores do Cuidado
- Elisa Heidrich — Experimento de Ferro
- Rosângela Nectoux — Resgate da Esperança
- Camila Marques — Entre Raízes e Horizontes
- Jaqueline Casagrande — Recomeçar
- Cristina Lisot — Coluna

Ao final da jornada, todas as caixas estavam prontas, devidamente embaladas, carregando consigo não apenas arte, mas histórias de resistência coletiva.
“Esse concurso mostrou que mesmo em um momento de tanta dor, as mulheres do Rio Grande do Sul têm a capacidade de se reinventar e criar. Agora, essa força vai ecoar também em solo europeu”, resume Raoni.
Com as obras reunidas, a próxima etapa é atravessar o oceano. Mas a viagem começou muito antes, nas estradas do sul, entre mãos femininas que transformaram lama em cor, silêncio em voz, dor em arte — e com o suporte decisivo da política cultural pública que garantiu que tudo isso pudesse acontecer. Para saber mais sobre o projeto acesse: www.mulhergaucha.art.br