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Quinta-feira, 11 de Junho 2026
Política

CPI do crime organizado convoca Ibaneis, Cláudio Castro e Roberto Campos Neto

Senadores decidiram pela convocação dos ex-governadores e do ex-presidente do Banco Central após eles não atenderem aos convites da comissão.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
CPI do crime organizado convoca Ibaneis, Cláudio Castro e Roberto Campos Neto
© Lula Marques/ Agência Brasil.
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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (31), as convocações dos ex-governadores Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, e Cláudio Castro, do Rio de Janeiro.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), proponente do requerimento para Ibaneis, enfatizou que o depoimento do ex-chefe do Executivo distrital é crucial para a CPI compreender as relações comerciais entre o escritório de advocacia de Ibaneis e entidades sob investigação da Polícia Federal (PF), bem como os critérios que nortearam as decisões governamentais relativas às negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.

Ao solicitar a convocação do ex-governador, Alessandro Vieira destacou que, segundo dados preliminares, o escritório de advocacia fundado por Ibaneis mantinha contratos milionários com empresas vinculadas ao Grupo Reag Investimentos e ao Banco Master, ambos alvos de apurações federais, além de ter recebido transferências financeiras atípicas do Grupo J&F.

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Ainda de acordo com Vieira, enquanto exercia a liderança do Poder Executivo distrital, Ibaneis teria “agido pessoalmente para aprovar” que o banco público do Distrito Federal adquirisse o Banco Master, de Daniel Vorcaro, instituição que já havia vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados questionáveis.

No caso de Cláudio Castro, Vieira afirmou que o depoimento do ex-governador fluminense proporcionará à CPI um “panorama macroestratégico inestimável”. Essa perspectiva permitirá investigar as falhas e os gargalos institucionais que dificultam o combate à lavagem de dinheiro e à asfixia financeira do crime organizado, bem como a extensão da infiltração de criminosos no aparato estatal.

Conforme Vieira, o Rio de Janeiro tem sido, há algum tempo, “o laboratório das mais sofisticadas dinâmicas do crime organizado no país”.

“Mas nos últimos anos observou-se uma mutação alarmante nesse cenário: a outrora nítida divisão entre facções ligadas ao narcotráfico e grupos milicianos formados por agentes e ex-agentes de segurança pública deu lugar a uma simbiose criminosa, frequentemente denominada narcomilícia”, explicou o senador.

“É neste ponto nevrálgico que a oitiva do senhor Cláudio Castro, na condição de ex-governador do estado, revela-se não apenas pertinente, mas absolutamente indispensável para o avanço dos trabalhos desta Comissão”, sustentou Vieira, que é o relator da CPI do Crime Organizado.

As ausências e novas convocações

Os membros da CPI decidiram convocar Castro e Ibaneis em virtude da ausência dos ex-governadores aos convites prévios da comissão. Pelo mesmo motivo, o colegiado aprovou uma nova convocação para ouvir Roberto Campos Neto, que presidiu o Banco Central entre 2019 e janeiro de 2025.

A reconvocação também foi proposta por Vieira, após Campos Neto informar sua impossibilidade de comparecer à reunião da CPI agendada para esta terça-feira.

“A presente convocação [de Campos Neto] não lhe atribui a priori qualquer responsabilidade pelos fatos objeto desta investigação”, ressaltou Vieira ao requerer que o ex-presidente do Banco Central seja convocado na condição de testemunha qualificada.

O relator da CPI declarou que “os procedimentos, os instrumentos e as práticas institucionais do Banco Central podem contribuir de forma relevante para os trabalhos da comissão”.

Além de outras convocações, como a do ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central do Brasil Renato Dias de Brito Gomes, os senadores também aprovaram pedidos de quebra de sigilo de pessoas físicas e jurídicas já anteriormente analisados, em conformidade com as novas exigências estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

FONTE/CRÉDITOS: Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil

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