Nesta quarta-feira (28), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) realiza seu primeiro encontro do ano, em um cenário de inflação em desaceleração, mas com a persistência de pressões em alguns setores, como o de serviços. Apesar da recente desvalorização do dólar, a expectativa predominante entre os analistas de mercado é de que a taxa Selic seja mantida em seu patamar mais alto em aproximadamente duas décadas.
A taxa Selic, atualmente fixada em 15% anuais, representa o ponto mais alto desde julho de 2006, quando atingiu 15,25% ao ano. Após uma sequência de sete aumentos consecutivos em um período anterior, os juros básicos permaneceram inalterados nas últimas quatro deliberações do comitê.
A divulgação da decisão referente à Taxa Selic está prevista para o início da noite desta quarta-feira. O Copom, contudo, opera com quórum reduzido, uma vez que os mandatos dos diretores Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro) e Paulo Pichetti (Política Econômica) se encerraram no final do ano passado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só deverá apresentar os nomes dos substitutos após o retorno do Congresso Nacional, em fevereiro.
Conforme a ata da reunião anterior, realizada em dezembro, o Copom sinalizou que a Selic será sustentada em 15% anuais por um período estendido. Essa medida visa assegurar a convergência da inflação à meta estabelecida, sem, no entanto, fornecer qualquer indicação sobre o início de um ciclo de redução dos juros.
Ainda de acordo com o documento do Copom, o panorama atual permanece caracterizado por um alto grau de incerteza, demandando uma abordagem cautelosa na gestão da política monetária. Internamente, certos preços, notadamente os de serviços, persistem como fatores de pressão inflacionária, mesmo em um contexto de desaceleração econômica.
A edição mais recente do boletim Focus, levantamento semanal que consulta analistas de mercado, aponta para a manutenção da taxa básica em 15% anuais até o mês de março. Contudo, a probabilidade de um corte nos juros já em janeiro ganhou força nos últimos dias, impulsionada pela recente valorização do real frente ao dólar, que retornou ao patamar de aproximadamente R$ 5,20.
Inflação
A trajetória da inflação permanece um ponto de interrogação. A prévia do índice oficial de inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), registrou um aumento de apenas 0,2% em outubro, acumulando 4,5% em doze meses e retornando ao limite superior da meta. O IPCA completo referente a novembro será divulgado somente nesta quarta-feira.
De acordo com o boletim Focus mais recente, um levantamento semanal conduzido pelo BC junto a instituições financeiras, a projeção de inflação para 2025 recuou para 4,4%, em comparação com 4,55% registrados há quatro semanas. Esse patamar indica uma inflação ligeiramente inferior ao teto da meta contínua definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, permitindo que atinja até 4,5%.
Taxa Selic
A taxa básica de juros é aplicada nas transações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional, operadas no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e funciona como um balizador para todas as outras taxas da economia. Constitui o principal mecanismo do Banco Central para assegurar o controle inflacionário. Diariamente, o BC intervém no mercado através de operações de mercado aberto, comprando e vendendo títulos federais, com o objetivo de manter a taxa de juros alinhada ao valor estabelecido em suas reuniões.
Ao elevar a taxa básica de juros, o Copom busca frear a demanda excessiva, o que impacta os preços, pois juros mais elevados encarecem o acesso ao crédito e incentivam a poupança. Consequentemente, taxas mais altas podem também dificultar o crescimento econômico. No entanto, é importante notar que, além da Selic, as instituições bancárias consideram outros elementos ao determinar os juros aplicados aos consumidores, tais como o risco de inadimplência, suas margens de lucro e os custos operacionais.
Por outro lado, a redução da Selic tende a baratear o crédito, fomentando a produção e o consumo, o que, por sua vez, pode ter reflexos na gestão da inflação e estimular a atividade econômica.
As reuniões do Copom ocorrem a cada 45 dias. No decorrer do primeiro dia, são apresentadas análises técnicas sobre o desempenho e as projeções das economias brasileira e global, além do comportamento do mercado financeiro. No dia seguinte, os integrantes do Copom, que compreende a diretoria do Banco Central, deliberam sobre as opções e estabelecem o novo patamar da Selic.
Meta contínua
Conforme o novo regime de meta contínua, que entrará em vigor em janeiro de 2025, a meta inflacionária a ser buscada pelo Banco Central, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para ambos os lados. Isso significa que o limite inferior aceitável é de 1,5%, enquanto o superior é de 4,5%.
Nesse modelo de meta contínua, a apuração da meta ocorre mensalmente, levando em conta a inflação acumulada nos últimos 12 meses. Por exemplo, em janeiro de 2026, a inflação acumulada desde fevereiro de 2025 será confrontada com a meta e sua margem de tolerância. Em fevereiro de 2026, o processo se reitera, com a medição partindo de março de 2025. Assim, a avaliação se move continuamente no tempo, deixando de ser atrelada exclusivamente ao índice final de dezembro de cada ano.
No mais recente Relatório de Política Monetária, publicado pelo Banco Central no final de dezembro, a instituição financeira manteve sua projeção de que o IPCA encerre 2026 em 3,5%, embora essa estimativa esteja sujeita a revisão. A próxima edição desse documento, que sucedeu o antigo Relatório de Inflação, tem sua divulgação prevista para o final de março.

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