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Economia

Taxa de subutilização atinge menor nível histórico com mercado de trabalho aquecido, revela Pnad Contínua

O Brasil registra um marco significativo na subutilização da força de trabalho, refletindo o bom momento do emprego no país.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Taxa de subutilização atinge menor nível histórico com mercado de trabalho aquecido, revela Pnad Contínua
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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Nesta sexta-feira (26), a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo IBGE, revelou que o Brasil alcançou a menor taxa de subutilização já registrada em sua série histórica. Esse feito reflete diretamente o bom desempenho do mercado de trabalho nacional, que mostra sinais de aquecimento e absorção de mão de obra.

O indicador atingiu 13,3% no trimestre móvel que se encerrou em maio, superando o recorde anterior de 13,4%, registrado no último trimestre de 2025.

Os dados são provenientes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável por iniciar a coleta e análise dessa série histórica em 2012.

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O que é a taxa de subutilização?

Diferente da taxa de desocupação, popularmente chamada de taxa de desemprego – que mede o percentual de indivíduos que buscaram, mas não encontraram trabalho em relação à força de trabalho total, e que em maio estava em 5,6% – a subutilização abrange um cenário mais amplo.

A taxa de subutilização, por sua vez, é um indicador que avalia a parcela da população em idade ativa que não está sendo plenamente empregada pelo mercado de trabalho e que expressa o desejo de trabalhar mais horas ou encontrar uma ocupação.

William Kratochwill, analista responsável pela pesquisa, explica que o universo dos subutilizados vai além dos desempregados, englobando três categorias distintas de pessoas:

  • Desocupados: indivíduos que buscaram ativamente uma vaga nos 30 dias anteriores à pesquisa.
  • Subocupados por insuficiência de horas trabalhadas: aqueles que, embora disponíveis, desejam trabalhar mais horas, mas não encontram uma ocupação que complete as 40 horas semanais.
  • Força de trabalho potencial: grupo que inclui pessoas desalentadas e não desalentadas.

Os desalentados são definidos como pessoas que desistiram de procurar emprego por acreditarem na impossibilidade de encontrar uma vaga.

“Eles consideram que não há oportunidades na região, ou que sua idade – seja muito jovem ou muito avançada – é um impeditivo, ou ainda que não encontrarão uma vaga alinhada à sua qualificação”, detalha Kratochwill.

Já os não desalentados são aqueles que, apesar de quererem e estarem disponíveis para trabalhar, não realizaram a busca por uma vaga. Ou, se procuraram, não estavam aptos a iniciar imediatamente ou recusaram propostas de trabalho.

Comportamento da taxa de subutilização

No trimestre que se encerrou em maio, o total de pessoas subutilizadas chegou a 15,1 milhões. Este contingente representa uma diminuição de 5,7% em relação ao trimestre anterior, o que equivale a 920 mil pessoas a menos, quando a taxa de subutilização estava em 14,1%.

Comparativamente, no mesmo período de 2025, o índice era de 14,9%. Isso significa que, em apenas um ano, aproximadamente 1,9 milhão de pessoas saíram da condição de subutilizadas.

“Este cenário indica uma redução progressiva no estoque de pessoas, o que podemos chamar de ‘colchão de trabalhadores’ que podem ser absorvidos pelo mercado de trabalho”, observa Kratochwill.

A maior taxa de subutilização já registrada pela Pnad Contínua foi de 30,7%, no trimestre encerrado em agosto de 2020. “Esse pico foi diretamente influenciado pela pandemia de covid-19”, contextualiza o analista do IBGE.

Antes da crise sanitária de 2020, o maior índice de subutilização havia sido de 25%, no trimestre até maio de 2019, quando o país contava com 28,4 milhões de pessoas nesta situação.

Impacto do mercado aquecido

William Kratochwill admite que a taxa de subutilização não possui a mesma popularidade da taxa de desocupação, “um indicador mais intuitivo e reconhecido globalmente”. Contudo, ele enfatiza que a análise desse número é crucial para compreender o aquecimento do mercado de trabalho.

“De fato, o mercado está em um período de aquecimento, absorvendo a máxima quantidade de mão de obra disponível”, afirma Kratochwill, indicando possíveis impactos na dinâmica entre empregados e empregadores.

“Com a escassez de mão de obra, é provável que o custo do trabalho aumente, e as condições e a qualidade das ofertas de emprego tendam a melhorar”, finaliza o analista.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil

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