Em meio à atmosfera de celebração e descontração do Carnaval, a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), por meio de seu presidente Marcos Madureira, em entrevista à Agência Brasil, enfatiza a importância da vigilância para evitar acidentes envolvendo a rede elétrica.
A entidade ressalta que o primeiro trimestre do ano anterior contabilizou 176 ocorrências relacionadas à rede elétrica em todo o Brasil. O Carnaval, em particular, é um momento propício para a desatenção e, consequentemente, para a elevação dos riscos de tais incidentes.
De janeiro a março de 2025, 65 dos acidentes registrados no país tiveram desfecho fatal. Comparativamente, no mesmo intervalo de 2024, foram 177 acidentes, resultando em 81 óbitos.
Madureira considerou a redução no número de fatalidades, ao comparar o primeiro trimestre de 2025 com o de 2024, como um indicativo positivo, porém ressaltou: “Não é um sinal de satisfação. Acidentes fatais ainda ocorrem. Nosso objetivo deve ser a meta de zero acidentes”.
Fatores de risco
O presidente da Abradee salientou que esses números sublinham a importância de iniciativas constantes de prevenção e de campanhas de conscientização pública, especialmente durante festividades populares, estações chuvosas de verão e atividades não regulamentadas em centros urbanos.
Dentre os elementos de risco, destacam-se o toque de serpentinas metálicas em fiações, as conexões elétricas irregulares (gambiarras) e a proximidade de construções metálicas com a infraestrutura elétrica, fatores que elevam substancialmente a probabilidade de choques, curtos-circuitos, incêndios e tragédias.
A respeito das serpentinas metálicas, Marcos Madureira alertou que, por serem condutoras de eletricidade, seu contato com a rede energizada pode criar um elo perigoso entre quem as lança, os indivíduos nas proximidades e a própria fiação elétrica.
“É crucial adotar essas precauções para assegurar a segurança de todos”, afirmou.
Ao montar estruturas como arquibancadas, apoios ou barracas, Madureira enfatizou que as empresas distribuidoras devem ser consultadas para garantir que as ligações elétricas sejam realizadas de maneira apropriada. Fios desprotegidos, danificados ou sem aterramento adequado representam sérios perigos à população.
“As concessionárias mantêm equipes prontas para realizar essas conexões de forma segura. Frequentemente, as pessoas recorrem a instalações improvisadas, as chamadas ‘gambiarras’, que expõem a comunidade a grandes riscos”, explicou.
Quanto aos carros alegóricos e trios elétricos, que frequentemente atingem grandes alturas, a preocupação reside na sua proximidade com a rede elétrica. Marcos Madureira sugeriu que, nesses cenários, um planejamento antecipado seja feito em conjunto com o Corpo de Bombeiros e a distribuidora de energia.
“Essa colaboração é essencial, pois possibilita a elevação da fiação, criando um ambiente seguro para o trânsito dos veículos, dentro dos padrões de altura predefinidos”, complementou.
Adicionalmente, ele apontou o deslocamento impróprio de foliões sobre os veículos que transportam os artistas, o que eleva significativamente os perigos.
“Para desfrutar do Carnaval com segurança, é imprescindível manter-se afastado dos cabos elétricos e sempre buscar a orientação técnica das empresas distribuidoras”, concluiu.
Campanha
Em junho próximo, a Abradee dará início à sua Campanha Nacional de Segurança com a Rede Elétrica, uma iniciativa anual.
O propósito da ação é expandir a divulgação de informações preventivas, instruir a população acerca de condutas seguras e reiterar que a interação com a energia elétrica demanda vigilância constante.
No evento de lançamento da campanha, a associação apresentará os dados consolidados sobre os acidentes envolvendo a rede elétrica ocorridos durante o ano de 2025.
“Nosso esforço é identificar os tipos de acidentes mais comuns que afetam a população e direcionar a campanha para abordar especificamente essas causas”, finalizou.
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