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A taxa de juros praticada pelo Banco Central (BC) é a verdadeira responsável pelo desequilíbrio fiscal brasileiro, segundo o economista André Lara Resende. Um dos formuladores do Plano Real, o especialista contesta a visão de que o problema estaria exclusivamente nos gastos primários da União, defendendo uma mudança estrutural na condução da política monetária do país.
Em artigo recente, o ex-diretor do BC e ex-presidente do BNDES afirma que a autoridade monetária sustenta uma política baseada em teorias anacrônicas. Para ele, o mercado financeiro e a imprensa ignoram que o serviço da dívida consome recursos que inviabilizam o crescimento nacional.
Dívida e o papel dos juros
Lara Resende reconhece que o Brasil aloca recursos de forma ineficiente em diversas áreas, mas ressalta que, ao excluir os juros da dívida, as contas públicas estariam praticamente equilibradas. Enquanto o déficit nominal se aproxima de 10% do PIB, o peso dos juros é o principal motor de crescimento da dívida pública.
O economista cita que, nos últimos 12 meses, os juros drenaram mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento. Ele argumenta que nenhum corte de despesas primárias será suficiente para frear a trajetória da dívida em relação ao PIB sem uma redução drástica da taxa básica para níveis compatíveis com o crescimento nominal da economia.
Contraponto ao Banco Central
O Banco Central, por sua vez, mantém a defesa de que a Selic elevada é a ferramenta essencial para controlar a inflação e ancorar expectativas. Segundo o Comitê de Política Monetária (Copom), a disciplina fiscal é um pré-requisito para que o ciclo de queda dos juros ocorra de forma sustentável, evitando pressões sobre o câmbio e os preços.
Em resposta, Lara Resende propõe um novo regime fiscal e monetário com metas conjuntas de inflação e juros para um horizonte de quatro a cinco anos. Ele sugere que, com as reservas internacionais superiores a US$ 350 bilhões, o BC teria capacidade de intervir no câmbio para evitar volatilidade, permitindo que a economia respire sem depender de juros proibitivos.
O especialista conclui que a solução para o impasse fiscal brasileiro exige superar o consenso do mercado e enfrentar a realidade de que a política de juros atual, em vez de resolver o problema, acaba por agravá-lo.

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