O pacto comercial de livre comércio estabelecido entre o Mercosul e a União Europeia (UE) será vantajoso para a agricultura familiar do Brasil, especialmente para produtores de café e frutas, conforme declarado pelo ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira. Ele também vislumbra oportunidades para laticínios, com foco nos queijos de Minas Gerais.
Paulo Teixeira expressou otimismo, afirmando que "a agricultura familiar vai bombar" com o acordo recém-firmado entre os dois blocos econômicos.
O ministro participou do programa Bom Dia, Ministro, uma produção da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), nesta terça-feira (20).
"A agricultura familiar colherá grandes frutos deste acordo", enfatizou o ministro, lembrando que a maior parte da produção de café no país é realizada por agricultores familiares. "Eles poderão, a partir de agora, comercializar seu café já processado sem a incidência de tarifas", explicou.
Paulo Teixeira mencionou que a imposição de tarifas pelos Estados Unidos acabou por estimular a abertura de novos mercados. "Isso abriu as portas do mercado consumidor europeu, um mercado com alto poder aquisitivo. Os europeus, por serem abastados, poderão adquirir diversos produtos da agricultura familiar".
"Além do café, temos as frutas. O açaí, por exemplo, está em alta demanda globalmente. Há também manga, uva e melão. Os agricultores familiares terão a oportunidade de exportar seus produtos para a Europa sem tarifas. A agricultura familiar prosperará", acrescentou o ministro.
Outro setor com expressivo potencial para penetrar no mercado europeu são os laticínios brasileiros, segundo Paulo Teixeira. "Precisaremos aumentar nossa produção de laticínios para atender à exportação. Temos um mercado significativo para queijos, inclusive os queijos mineiros, que gozam de grande prestígio no mercado nacional e que poderão ser exportados".
"Poderemos até importar queijo francês, mas também exportaremos o queijo mineiro para a França. Precisamos ter uma visão ambiciosa neste novo cenário do acordo entre Mercosul e União Europeia", ponderou.
Ele recordou que os queijos da região mineira da Serra da Canastra são comercializados como iguarias no Brasil e possuem grande potencial para serem apreciados pelos consumidores europeus.
O ministro destacou que os aportes financeiros do governo federal à agricultura familiar, por meio do Plano Safra, atingiram níveis recordes, o que também se refletiu no aumento das vendas de equipamentos de menor porte para os agricultores.
"Tenho a satisfação de afirmar que o setor que impulsiona a indústria de máquinas no Brasil atualmente são os equipamentos de pequeno porte adquiridos por agricultores familiares. O agricultor familiar está vendendo mais produtos devido à melhoria da renda na sociedade brasileira. Com o aumento da renda, o primeiro investimento que a família realiza é em alimentação", argumentou Paulo Teixeira.
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O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar adiantou que, em breve, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentará novas políticas públicas focadas na "transferência de saberes e conhecimentos da Embrapa" para a agricultura familiar, com especial atenção aos jovens que optarem por permanecer no campo para a produção de alimentos para o Brasil e o mundo.
"Nosso objetivo é incentivar os jovens que já atuam na agricultura a buscarem instituições científicas, como universidades e a Embrapa, que cada vez mais disponibilizam seus conhecimentos para a agricultura familiar", complementou o ministro.
Outra informação antecipada pelo ministro durante o programa foi a respeito de um pacote de desapropriações de terras, com anúncio previsto para esta sexta-feira (23) pelo presidente Lula, durante um encontro com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Salvador.
"Teremos uma importante entrega nesta sexta-feira, durante este encontro. Ali, Lula deve anunciar um amplo pacote de desapropriações para a reforma agrária no Brasil. Nosso objetivo é alcançar a paz no campo, e a reforma agrária é o caminho para isso", adiantou.
Segundo Teixeira, este pacote abrangerá, além de terras, acesso a crédito, assistência técnica, orientação e oportunidades de organização via cooperativas. "Também haverá acesso aos programas de compras públicas", concluiu.

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