Na próxima sexta-feira, dia 17, o Movimento Baía Viva, o Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Nides/UFRJ) e a Petrobras divulgarão as iniciativas do recém-criado Centro de Formação em Economia do Mar Baía de Guanabara, que terá sua base no Hangar Náutico da UFRJ, localizado na Ilha do Fundão.
Este novo polo de capacitação se dedicará à qualificação de habitantes das regiões circundantes à Baía de Guanabara, abrangendo também os municípios de Itaboraí, Magé, Maricá, São Gonçalo, Cachoeiras de Macacu, Duque de Caxias e Guapimirim.
Concebido pelos fundadores do Movimento Baía Viva em 1984, este centro concretiza a aspiração de longa data de estabelecer uma "Universidade do Mar" no país.
O Centro de Formação em Economia do Mar operará como um ambiente público, focado primordialmente na qualificação de indivíduos de grupos sociais em contextos de vulnerabilidade socioeconômica e ambiental, bem como de comunidades tradicionais, incluindo pescadores, povos indígenas e quilombolas, com ênfase nas áreas de Economia Solidária, Economia do Mar e Sustentabilidade.
Sérgio Ricardo Lima, ecologista, cofundador do Movimento Baía Viva e coordenador do centro, ressalta que a iniciativa em prol da Universidade do Mar ganhou impulso significativo a partir de 2018, com a formação de uma ampla coalizão.
"Obtivemos 104 manifestações de apoio institucional de todas as reitorias do Rio de Janeiro", afirmou ele à Agência Brasil.
Esse respaldo foi concedido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma renomada instituição científica, e por dezenas de pesquisadores de diversos campos multidisciplinares, como saúde, geologia, antropologia, ciências ambientais e biologia, além de associações e colônias de pescadores.
Após a reabertura do edital socioambiental da Petrobras, o Movimento Baía Viva foi escolhido na categoria de desenvolvimento econômico sustentável.
O hangar
O plano para o Centro de Formação em Economia do Mar Baía de Guanabara contempla reformas no Hangar Náutico da UFRJ ao longo do primeiro semestre deste ano, com a disponibilização gratuita de cursos e workshops de extensão e qualificação em inovação social e tecnológica até o ano de 2028.
"O hangar disporá de acomodação para 30 indivíduos provenientes de outras cidades ou estados que venham para cá estudar. O local conta com refeitório, cozinha e três amplas salas, cada uma com capacidade para 40 estudantes", detalhou Ricardo Lima.
Ele adiantou que, em um período de quatro a cinco meses, a estrutura do hangar poderá acolher até 120 alunos por turno.
Estão programados dez cursos e oficinas de capacitação a serem oferecidos até 2028.
Os participantes receberão certificados emitidos pela UFRJ, com validade reconhecida em todo o território nacional.
Dentre as formações e workshops planejados para os próximos três anos, merece destaque o curso de Aprendiz da Carpintaria Naval Artesanal. Este será ministrado por docentes-pesquisadores da UFRJ e por mestres artesãos especializados em carpintaria e marcenaria naval, direcionado especificamente às comunidades pesqueiras da Baía de Guanabara.
A finalidade é qualificar pescadores e pescadoras artesanais, permitindo-lhes retomar a prática de construir e reparar embarcações de pesca, uma habilidade tradicional da pesca artesanal cujo domínio hoje se restringe a um número limitado de mestres carpinteiros.
O mapeamento
O coordenador do Centro de Formação em Economia do Mar detalhou que professores e pesquisadores das entidades colaboradoras realizarão um diagnóstico nos sete municípios contemplados pelo projeto. A particularidade é que o levantamento inicial será conduzido por bolsistas de diversas áreas, que serão recrutados para essa finalidade.
"Trata-se do que denominamos diagnóstico participativo. Nosso objetivo é identificar as políticas públicas existentes nas áreas de economia do mar, economia solidária e bioeconomia, implementadas pelos governos federal e estadual nestes sete municípios da baía. Adicionalmente, serão levantadas as iniciativas e projetos desenvolvidos pela sociedade civil", explicou ele.
Entre os empreendimentos já existentes, destacam-se o observatório do Canal do Cunha, ligado à Fiocruz, e o observatório ativo em São Gonçalo, vinculado ao curso de Geografia da UFF.
A organização do Centro de Formação em Economia do Mar e a execução de seus programas visam, de forma particular, impulsionar ações que aprimorem as condições de vida e a renda das famílias nas comunidades dos sete municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Além disso, busca-se incentivar a formação de um Arranjo Produtivo Local Sustentável (APLS) na Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara.
"Nossa proposta é demonstrar a viabilidade de, com o suporte de políticas públicas e a colaboração entre academia e organizações da sociedade civil, desenvolver estratégias eficazes para a elevação da renda", declarou.
Adicionalmente, estão programados workshops de Agroecologia e Sistemas Agroalimentares (incluindo Meliponicultura, Viveiristas e Quintais Produtivos), com o intuito de reforçar a segurança alimentar e a geração de renda entre comunidades tradicionais e agricultores familiares agroecológicos. Outras oficinas incluem Turismo de Base Comunitária (TBC), direcionado a pescadores, artesãos e empreendedores das proximidades da Área de Proteção Ambiental (APA) Federal de Guapimirim e da Estação Ecológica da Guanabara (ESEC Guanabara); Empreendedorismo Solidário Sustentável (Economia Solidária); Extensão Pesqueira e Inclusão Socioprodutiva (com foco em Boas Práticas e Beneficiamento Artesanal do Pescado); Tecnologias Sociais para Mulheres Pescadoras; Ensino Profissional Marítimo (EPM), ministrado por instrutores da Capitania dos Portos (Marinha do Brasil); Mecânica de Motor de Barco e Operador de Drones.
Detalhes sobre os cursos e workshops podem ser encontrados no site CFEcoMarBG e em suas plataformas de mídia social.
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