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Terça-feira, 26 de Maio 2026
Juiz de Fora

“A Peça da Semana” apresenta dicionário de rimas do século 19

A websérie apresenta o “Dicionário de Rimas Luso-Brasileiro", volume raro da Biblioteca do Museu Mariano Procópio.

Geraldo Gomes
Por Geraldo Gomes
“A Peça da Semana” apresenta dicionário de rimas do século 19
Imprensa PJF
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Em comemoração do Dia do Poeta - 20 de outubro -, a websérie “A Peça da Semana” apresenta nesta segunda-feira, 18, um volume raro da Biblioteca do Museu Mariano Procópio. Trata-se do “Dicionário de Rimas Luso-Brasileiro”, uma publicação do século 19, de autoria de Eugenio de Castilho. Com dimensões reduzidas (14cm x 10cm x 2,5 cm), a obra, que circulou amplamente entre diversos escritores brasileiros, foi editada em Lisboa, pela C. S. Afra & Cia. Editores. Detalhes da publicação estão disponíveis no Instagram @museumarianoprocopio e no Facebook @museu.marianoprocopio, junto com fotografias e caricaturas. Outras informações podem ser conferidas também no artigo assinado pelo historiador Sérgio Augusto Vicente, da equipe técnica da Fundação Museu Mariano Procópio (Mapro), e publicado na revista eletrônica “Trama – Arte, Cultura e Diversidade”.

O autor do dicionário, Eugênio de Castilho, nasceu em Lisboa em 1846 e faleceu em 1900. Atuou como escritor, poeta e funcionário da Biblioteca Pública de Lisboa. Seu pai era o português Antonio Feliciano de Castilho (1800-1875), o Visconde de Castilho, famoso latinista, poeta, prosador e escritor romântico que exerceu o cargo de Comissário Geral de Instrução Primária em Portugal, desenvolvendo o controvertido “método Castilho de leitura”. Ele assina o prefácio do “Dicionário de Rimas Luso-Brasileiro”, publicado por seu filho.

O historiador Sérgio Vicente chama a atenção para a assinatura à caneta contida na folha de rosto do dicionário, sugerindo seu pertencimento a Correia de Almeida, um famoso padre-poeta satírico de Barbacena (MG), que viveu entre 1820 e 1905, tendo deixado vasta produção literária em livros e na imprensa. Seus escritos alcançaram tanto os públicos leitores do Brasil quanto os de Portugal.

Outro registro à caneta, também encontrado na folha de rosto, informa que, posteriormente, o exemplar passou às mãos do poeta Belmiro Braga (1870-1937), que redigiu a seguinte mensagem de próprio punho. “Presente que me deixou o querido Padre Correia de Almeida ao morrer”.

Apesar de pertencerem a faixas etárias muito distintas, Belmiro e Padre Correia estabeleceram relações próximas e dialogavam, em alguma medida, com tradições literárias em comum. O primeiro contato de ambos data do final do século 19, quando Belmiro atuava como comerciante em um armazém na estação ferroviária de Cotegipe, distrito de Juiz de Fora. Além de trocarem livros e correspondências, Belmiro comentava na imprensa sobre a produção do amigo, como demonstra o texto que publicou no “Jornal do Comércio”, de Juiz de Fora, em 29 de novembro de 1903.

As redes de interlocução e sociabilidades dos escritores contribuíam para a ampliação de seus acervos bibliográficos, além das compras realizadas nas principais livrarias da capital do país, onde se mantinham antenados às novidades que chegavam ao ainda incipiente mercado editorial brasileiro. Foi assim que Belmiro Braga constituiu uma significativa biblioteca em sua casa, em Juiz de Fora, no início do século 20. Em 1916, porém, devido à sua mudança de residência para o Rio de Janeiro, precisou vender parte desse acervo à Livraria Sampaio, de Juiz de Fora. Segundo “O Pharol”, de 13 de abril de 1916, o acervo vendido contava com mais de mil exemplares.

O historiador da Mapro presume que o dicionário destacado na websérie desta semana possivelmente não foi colocado à venda neste lote, devido ao seu valor afetivo. “O exemplar parecia ocupar um lugar especial no acervo particular do poeta, integrando o conjunto de livros que o acompanhariam ainda por muitos anos.” Não se sabe como, mas o fato é que a publicação chegou às mãos de Arthur Tavares Machado, então funcionário do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, que fez a doação para o Museu Mariano Procópio no início da década de 1970, junto com outros objetos e publicações do amigo do padre-poeta. O referido acervo integrou, em 1972, a exposição “Centenário de Belmiro Braga”, organizada pela então diretora do Museu, Geralda Armond.

FONTE/CRÉDITOS: Imprensa PJF
Geraldo Gomes

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Geraldo Gomes

Fundador, diretor e presidente do Portal de notícias RCWTV. Trabalhou na TVE, TV pública de Juiz de Fora, como diretor de imagem, e depois empreendeu no ramo de eventos evangélicos com a empresa Gospel Videos. Mais tarde fundou a RCWTV, inicialmente...

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