Nem sempre nos damos conta do quanto já fomos manipulados. É que tem coisas que não
ficam tão evidentes assim quando estamos passando pela situação. E se você não tem o hábito
de ficar arquitetando fazer algo para influenciar o comportamento dos outros, mais difícil
ainda será identificar isso. Normalmente, vamos ter muito mais facilidade de enxergar,
padrões comportamentais que adotamos. Por isso, às vezes é tão difícil identificar de cara a
maldade que pode não estar em você. Mas você pode ser uma boa pessoa e mesmo assim,
escolher não ser ingênuo.
Como dizem por aí: plante boas sementes. Mas lembre-se que nem todo mundo vai agir com
reciprocidade. É ingênuo acreditar que o fato de você jamais ter feito ou sequer pensar em
fazer algo prejudicial ou cruel com o outro significa então, que o outro não teria coragem de
fazer alguma maldade com você. Portanto, mais atenção ao comportamento que as promessas
e o discurso.
Aceite o fato: se você é um ser humano, sim, você já machucou algumas pessoas. Não por ser
alguém mau, nem por ser ardiloso ou ficar pensando e arquitetando em fazer algo de ruim
contra outra pessoa, ou se vingar a qualquer custo de alguém. Nós podemos magoar alguém
sem nem mesmo perceber. Você pode machucar o outro por impulso ou pelas suas escolhas
que de alguma forma, podem afetar negativamente outra pessoa. Enfim, não tem como viver
sem incomodar ninguém ou sem magoar, mesmo que essa não seja a sua intenção.
Agora, imagine a seguinte situação: uma pessoa passa a investir tempo em cutucar você. Essa
pessoa vive te provocando. Em todas as oportunidades que têm, faz o possível para te
desestabilizar emocionalmente. Ainda que inicialmente você não revide e ignore o jogo, essa
pessoa persiste. Humilha você com comentários maldosos sobre a sua aparência, faz de você
uma piada e você vira o deboche na mesa dessa pessoa.
Após um período sofrendo todas essas provocações, um dia você revida. Você grita, está
muito bravo e reage a todo o desrespeito que sofreu por um longo período. Mas a partir daí,
essa pessoa pega a sua reação e começa a te acusar de uma série de coisas. Você agora passa
a ser uma má pessoa, alguém pouco confiável, com saúde mental comprometida, dentre
tantas outras acusações. Isso nem parece, mas é manipulação. Essa pessoa fez você acreditar
que o problema foi a sua reação, não o desrespeito contigo. E tudo bem, você assumir a
responsabilidade de trabalhar melhor as suas reações, os seus comportamentos, agir melhor
diante de alguma situação semelhante. Mas não é possível ignorar todo esse contexto, sim
isso foi manipulação.
Outra forma de manipular você é fazer você duvidar daquilo que você está percebendo e
enxergando diante de alguma situação. Se você questiona o comportamento desrespeitoso de
alguém e essa pessoa passa a fazer você ficar em dúvida sobre a sua própria percepção,
cuidado. Algumas pessoas simplesmente não se desculpam. São pessoas que tem muita
dificuldade em reconhecer as suas falhas, elas sempre justificam o seu comportamento no
outro.
.
Elas vivem se justificando e não conseguem pedir desculpas. Não querem resolver, querem
proteger a autopercepção e autoimagem. Mesmo que você tenha sido a pessoa mais afetada
pelo comportamento desrespeitoso, quando questiona ou se posiciona na tentativa de se
proteger e/ou evitar novas situações desagradáveis, esse outro se vira contra você, reage
desproporcionalmente, faz acusações, questiona a sua sanidade, sua percepção e no final das
contas, você que foi a vítima na situação, acaba se desculpando com o outro. Isso também é
manipulação.
Outra maneira comum de manipular alguém é através da mentira. Nem sempre mentir tem a
função de manipular. A mentira pode ter várias funções: pode ser para se proteger
emocionalmente, para preservar a privacidade, preservar a autoestima, para evitar punições
ou consequências, evitar conflitos desgastantes, para ser aceito socialmente, enfim, as pessoas
mentem por uma série de motivos. Mas uma das funções da mentira também é manipular e
exercer poder sobre o outro.
Por fim, é interessante notar que existem muitas formas de manipular alguém. E você
continua sendo uma boa pessoa mesmo que esteja aprendendo a se proteger e a identificar
padrões de comportamentos diferente dos seus. É bom ser do bem, mas você não precisa ser
uma presa fácil.
Autora:
Mônica Reis é mãe de três garotos lindos de viver. Uma pessoa curiosa que gosta de conhecer
novos lugares e de ler que é outra forma de viajar. É formada em psicologia e atua no âmbito
clínico atendendo jovens e adultos.
Localização: Barra dos Coqueiros SE. Instagram: @bymonicareis.
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