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Quarta-feira, 28 de Outubro 2026
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Plataformas de namoro viram “salas de aula” internacionais para quem quer praticar idiomas

Estudos mostram que conversas entre usuários de diferentes países podem estimular a prática de outras línguas e ampliar o contato com novos hábitos e culturas

Geraldo Gomes
Por Geraldo Gomes
Plataformas de namoro viram “salas de aula” internacionais para quem quer praticar idiomas
Foto: Magnific
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As plataformas e sites de namoro costumam ser utilizadas por pessoas em busca de novas conexões e relacionamentos. No entanto, as conversas iniciadas nesses ambientes também podem seguir outros caminhos. Em meio a perfis, interesses em comum e novas conexões, usuários encontram oportunidades para praticar outro idioma, conhecer hábitos de outros países e participar de trocas culturais que dificilmente fariam parte da rotina.

Esse comportamento pode ser visto em uma pesquisa publicada no Journal of Ethnic and Migration Studies. O estudo acompanhou 40 estudantes chineses que viviam no Reino Unido e identificou, entre as motivações para o uso de aplicativos de relacionamento, a prática do inglês, a comunicação intercultural e a busca por maior integração à sociedade britânica, além da procura por relações íntimas, amizades e diversão.

Outra pesquisa, publicada na revista científica Tourism Geographies, analisou como mulheres que viviam em Yogyakarta, na Indonésia, utilizavam uma plataforma de relacionamento para estabelecer contato com turistas. Segundo os pesquisadores, essas interações digitais ajudavam a superar barreiras de tempo, idioma e cultura e abriam espaço para novas formas de convivência e de contato entre moradores locais e visitantes.

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A possibilidade de usar essas plataformas para conhecer pessoas na internet e, ao mesmo tempo, transformar as conversas em momentos de aprendizagem também é destacada pelo British Council. Em uma publicação dedicada ao tema, a organização aponta que plataformas de relacionamento podem desenvolver habilidades linguísticas que dificilmente aparecem da mesma forma nos livros didáticos. 

“Nada aprimora o seu inglês melhor do que conversar com falantes nativos de quem você gosta e com quem tem algo em comum”, afirma a organização internacional do Reino Unido.

Para o fundador e CEO do A Outra Metade, Rui Sousa, quando existem afinidades, mesmo duas pessoas de culturas diferentes conseguem encontrar rapidamente pontos de conexão. Segundo ele, uma conversa pode começar pela curiosidade sobre um país, uma língua ou determinados costumes e, com o tempo, evoluir para uma amizade ou até para um relacionamento.

“O mais interessante é que o idioma deixa de ser apenas algo que se estuda e passa a estar associado a uma pessoa, a uma história e a uma conversa real. Isso torna a aprendizagem muito mais espontânea”, afirma.

Diferenças no idioma podem ser contornadas durante a conversa

As diferenças entre idiomas podem trazer dificuldades no início da interação, mas nem sempre impede que a conversa avance. Levantamento da plataforma de ensino de línguas Preply, feito com quase duas mil pessoas que já haviam utilizado aplicativos de relacionamento, mostrou que 57% daqueles que se conectaram com alguém que não falava inglês fluentemente perceberam alguma barreira linguística. Mesmo assim, 64% adaptaram a própria forma de se comunicar e 70% continuaram conhecendo melhor a outra pessoa. 

Nesse processo, a tecnologia também pode ajudar a reduzir parte da dificuldade inicial. Sousa cita tradutores automáticos e recursos de apoio à escrita, que permitem manter uma conversa em um site de namoro online mesmo quando duas pessoas não dominam completamente o mesmo idioma.

“No final, aquilo que faz a conversa avançar continua sendo muito humano: curiosidade, interesse genuíno pela outra pessoa e vontade de compreender uma realidade diferente da nossa”, acrescenta. 

Prática do idioma pode começar antes mesmo da primeira conversa

Para quem pretende usar uma plataforma de namoro também como oportunidade de exercitar outro idioma, a prática pode começar já na criação do perfil. Segundo o British Council, escrever sobre gostos pessoais, interesses e sobre o tipo de pessoa que se espera conhecer exige organizar informações e se apresentar em outra língua antes mesmo de iniciar uma conversa.

A recomendação da organização é ser transparente quando a intenção de praticar o idioma fizer parte das motivações para estar na plataforma. O perfil também pode ajudar a encontrar os primeiros assuntos: fotos de viagens, esportes, música, livros ou outros hobbies dão pistas para elaborar perguntas e iniciar uma interação de forma mais natural.

O exercício continua conforme a conversa avança. O British Council explica que fazer e responder perguntas pode contribuir para desenvolver o inglês e aumentar a confiança de quem ainda está aprendendo. Como determinadas perguntas costumam aparecer com frequência, sobre país de origem, trabalho ou interesses pessoais, o usuário também pode pensar previamente em como responder a elas.

Falar outros idiomas também pode ampliar as conexões

Se as conversas online podem estimular a prática de uma língua estrangeira, o movimento contrário também aparece em levantamentos recentes: falar outros idiomas pode ampliar as possibilidades de interação.

Dados divulgados em junho de 2026 em uma parceria do Duolingo com uma plataforma de relacionamento analisaram esse comportamento entre usuários no México. Pessoas que indicavam quatro idiomas no perfil registraram, em média, quase 60% mais matches por mês do que aquelas que informavam falar somente um. Entre quem mencionava três idiomas, o número médio de curtidas foi mais de 10% superior.

A pesquisa também encontrou diferenças de acordo com as combinações de idiomas informadas nos perfis. Usuários que diziam falar espanhol e português tiveram quase 80% mais matches mensais do que aqueles que indicavam somente espanhol. A combinação entre espanhol e italiano registrou quase 70% a mais, enquanto, entre quem informava espanhol e coreano, a diferença ficou próxima de 50%.

Além dos números, a publicação destaca que falar outro idioma pode despertar curiosidade, ajudar a quebrar o gelo e favorecer a identificação de interesses em comum no início de uma nova conexão.

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Geraldo Gomes

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Geraldo Gomes

Fundador, diretor e presidente do Portal de notícias RCWTV. Trabalhou na TVE, TV pública de Juiz de Fora, como diretor de imagem, e depois empreendeu no ramo de eventos evangélicos com a empresa Gospel Videos. Mais tarde fundou a RCWTV, inicialmente...

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