Apesar de comum na infância, a enurese noturna — conhecida como “xixi na cama” — continua sendo tratada com silêncio e punições, afetando diretamente a autoestima e o bem-estar de crianças. Um estudo conduzido pelo Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa em Urologia (Nipu), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), revela dados preocupantes sobre a condição e chama atenção para a baixa busca por tratamento especializado.
O levantamento ouviu mais de 500 crianças e adolescentes da rede pública de Juiz de Fora e identificou que apenas 4,8% dos que apresentavam enurese tinham procurado atendimento médico. Segundo o coordenador do estudo, professor José Murillo Netto, da Faculdade de Medicina da UFJF, esse número evidencia uma visão equivocada de que o problema desaparece sozinho. “Quanto antes se iniciar o tratamento, menor o impacto emocional e social para a criança”, explica.
A pesquisa mostra uma prevalência de 14,9% de enurese noturna, sendo 86,58% dos casos classificados como primários (quando a criança nunca teve controle urinário durante o sono) e 13,41% como secundários (quando há recaída após um período de noites secas). Entre os fatores associados estão questões genéticas, emocionais, maturação do sistema urinário, entre outros.
Além dos aspectos clínicos, o estudo abordou o impacto emocional nas crianças. A maioria dos entrevistados relatou ter sofrido punições de familiares, como xingamentos, castigos e até agressões físicas. “Mais de 40% das crianças atendidas relataram violência física. Esse dado reforça que estamos diante de uma questão de saúde pública”, pontua Netto.
As consequências vão além da violência: a condição interfere na autoestima, no desempenho escolar e nas relações sociais. “Muitas crianças evitam festas do pijama, viagens escolares e outras atividades comuns na infância por medo de passar por constrangimentos”, acrescenta o pesquisador.
O estudo também apontou desigualdade racial entre os casos. Cerca de 68,3% das crianças com enurese eram negras ou pardas, indicando menor acesso a recursos de cuidado e acompanhamento médico.
O Nipu atua com uma equipe multidisciplinar em pesquisas, monitoramento clínico e desenvolvimento de estratégias preventivas. Entre os integrantes, está a enfermeira e doutoranda em saúde Hanny Franck, que destaca o papel do acolhimento. “A escuta e o acompanhamento profissional fazem toda a diferença para as famílias. Nosso trabalho é unir ciência e cuidado”, afirma.
Já o psicólogo e bolsista do núcleo, Robson Paulo Dias, ressalta a importância da condução ética das pesquisas e do impacto social dos tratamentos oferecidos. “Nosso compromisso é garantir que essas crianças recebam o cuidado integral que merecem, desde as questões físicas até as emocionais”, explica.
Além da atuação acadêmica, o professor José Murillo Netto também coordena o projeto de extensão “Atenção às Crianças Portadoras de Enurese Noturna”, desenvolvido no Hospital Universitário da UFJF, sob gestão da Ebserh. O projeto oferece atendimento gratuito e transporte para as famílias, com foco na promoção de saúde e bem-estar infantil.
Os atendimentos ocorrem às quintas-feiras, às 16h, no Hospital Universitário, com encaminhamento via Sistema Único de Saúde (SUS). A equipe conta com profissionais de diversas áreas, como pediatria, enfermagem, fisioterapia e psicologia.
O episódio completo sobre o tema pode ser acessado nas plataformas digitais da UFJF, no programa IdPesquisa.
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