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Sábado, 06 de Junho 2026
Saúde

Violência sexual atinge um quarto das estudantes adolescentes no Brasil

O levantamento do IBGE de 2024 revela um aumento de 5,9 pontos percentuais no número de meninas que reportaram tais abusos em comparação com 2019.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Violência sexual atinge um quarto das estudantes adolescentes no Brasil
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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No Brasil, uma em cada quatro estudantes adolescentes já vivenciou alguma forma de violência sexual, abrangendo desde toques e beijos não consentidos até a exposição de partes íntimas sem permissão.

Essa constatação alarmante emerge da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo ouviu 118.099 adolescentes com idades entre 13 e 17 anos, matriculados em 4.167 instituições de ensino, tanto públicas quanto privadas, em todo o território nacional durante o ano de 2024.

Comparado a 2019, ano da última edição da pesquisa, houve um crescimento de 5,9 pontos percentuais na proporção de meninas que reportaram ter sido vítimas desses tipos de violência.

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O IBGE também aponta que 11,7% das adolescentes consultadas relataram terem sido coagidas ou intimidadas a manter relações sexuais. Para esta categoria específica, o incremento em relação a 2019 foi de 2,9 pontos percentuais.

Embora a prevalência de meninas violentadas seja, em média, o dobro da de meninos, adolescentes de ambos os sexos reportaram situações de abuso. No total, foram mais de 2,2 milhões de vítimas de assédio e 1,1 milhão de relações sexuais forçadas.

Apesar de ambas as categorias de atos serem legalmente classificadas como estupro pela legislação brasileira, o IBGE optou por apresentá-las em perguntas distintas, visando facilitar a compreensão dos adolescentes durante as entrevistas.

O instituto ressalta que “esse tipo de violência nem sempre é identificado pela vítima, seja por falta de conhecimento em razão da idade, no caso de menores, seja por aspectos sociais e culturais. Nesse sentido, a identificação dos diversos atos que caracterizam a violência sexual, por um lado, consiste numa estratégia metodológica que facilita a identificação da violência; por outro, possibilita a caracterização da violência em escalas de gravidade”.

Idade das vítimas

A pesquisa também revelou dados importantes sobre a idade das vítimas no momento da ocorrência. Casos de assédio sexual foram mais frequentemente reportados por adolescentes de 16 e 17 anos. Contudo, entre os que foram submetidos a relações sexuais forçadas, a maioria (66,2%) tinha 13 anos ou menos quando o abuso ocorreu.

A prevalência da violência mostrou-se maior entre estudantes de escolas públicas: 9,3% dos adolescentes dessas instituições declararam ter sido intimidados ou forçados a uma relação sexual, em contraste com 5,7% dos alunos da rede privada.

Para as situações de assédio sexual, a proporção entre as redes de ensino pública e privada apresentou-se de forma similar.

Perfil dos agressores

O IBGE também solicitou aos estudantes que identificassem os agressores. Para os casos de relações sexuais forçadas, a maioria das vítimas foi violentada por indivíduos de seu círculo de convívio mais próximo:

  • 8,9% por pai, padrasto, mãe ou madrasta;
  • 26,6% por outros familiares;
  • 22,6% por namorados ou ex-namorados;
  • 16,2% por amigos.

Em contrapartida, nas situações de toques não consentidos, beijos forçados ou exposição de partes íntimas, a categoria mais citada foi “outro conhecido” (24,6%), seguida por outros familiares (24,4%) e por desconhecidos (24%).

É importante notar que, em ambas as perguntas, os estudantes podiam selecionar múltiplas opções. O fato de o somatório das respostas ultrapassar 100% sugere que muitos foram vítimas de violência mais de uma vez, ou por diferentes agressores.

Gravidez na adolescência

O levantamento também revelou que aproximadamente 121 mil meninas entre 13 e 17 anos já engravidaram, correspondendo a 7,3% daquelas que declararam ter iniciado a vida sexual. Desse grupo, 98,7% frequentavam escolas da rede pública.

Em cinco estados brasileiros – Paraíba, Ceará, Pará, Maranhão e Amazonas – o índice de gravidez precoce excede 10% das estudantes, atingindo 14,2% no Amazonas.

Adicionalmente, dados sobre a iniciação sexual consentida entre adolescentes suscitam preocupações quanto à prevenção de gestações indesejadas e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

Apenas 61,7% dos estudantes utilizaram camisinha na primeira relação sexual, e essa proporção diminui para 57,2% na relação mais recente.

Para o IBGE, esses números indicam que os adolescentes não apenas deixam de se proteger desde o início da vida sexual, mas também que o uso de preservativos diminui com o tempo.

Entre os que escolheram outros métodos contraceptivos, 51,1% dos estudantes fazem uso da pílula anticoncepcional e 11,7% recorrem à pílula do dia seguinte, uma medida de emergência recomendada apenas em circunstâncias excepcionais.

Ainda assim, quatro em cada dez meninas já utilizaram a pílula do dia seguinte ao menos uma vez na vida.

Iniciação sexual

Em comparação com a pesquisa anterior, os dados de 2024 revelam um início mais tardio da vida sexual entre os adolescentes: 30,4% dos estudantes de 13 a 17 anos já haviam tido pelo menos uma relação sexual, uma redução de 5 pontos percentuais em relação a 2019.

Essa proporção diminui para 20,7% entre os alunos de 13 a 15 anos, mas eleva-se para 47,5% no grupo de 16 e 17 anos.

Por outro lado, ao considerar apenas os adolescentes que já iniciaram a vida sexual, 36,8% tiveram sua primeira relação aos 13 anos ou em idade inferior.

No Brasil, a idade legal para consentimento sexual é de 14 anos, e qualquer relação com indivíduos abaixo dessa idade pode ser caracterizada como estupro de vulnerável. Contudo, os dados da pesquisa indicam que a idade média de iniciação sexual foi de 13,3 anos para os meninos e de 14,3 anos para as meninas.

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil

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