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Segunda-feira, 08 de Junho 2026
Saúde

Vacina contra zika da USP protege cérebro e fertilidade

Imunizante inovador usa VLPs e evita danos neurológicos e reprodutivos em testes com camundongos. Estudo é destaque internacional

Wallace Chagas
Por Wallace Chagas
Vacina contra zika da USP protege cérebro e fertilidade
Nelson Côrtes et al./NPJ Vaccines
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A vacina contra zika desenvolvida por pesquisadores da USP demonstrou alta eficácia em testes com camundongos. Além de ativar a resposta imune, o imunizante protegeu os animais de danos cerebrais e testiculares, dois dos efeitos mais graves da infecção viral. O estudo foi publicado na revista NPJ Vaccines e financiado pela FAPESP.

Tecnologia com VLPs aumenta segurança da vacina

A formulação utiliza a tecnologia de partículas semelhantes ao vírus (VLPs), que imita a estrutura do zika sem utilizar material genético. Isso torna a vacina mais segura, econômica e eficiente, dispensando adjuvantes.

O pesquisador Gustavo Cabral de Miranda, líder do projeto, explica que a plataforma usada, chamada QβVLP, foi combinada ao antígeno EDIII – uma parte da proteína do envelope do vírus – para gerar anticorpos específicos e evitar a infecção celular.

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Resultados promissores em modelo animal

Os testes foram realizados em camundongos geneticamente modificados, mais vulneráveis ao vírus zika. O imunizante impediu a progressão da infecção, bloqueou a inflamação no cérebro e evitou danos nos testículos dos animais machos.

Esses achados são relevantes diante do potencial do zika de comprometer a saúde reprodutiva e causar transmissão sexual da doença.

Sem reação cruzada com o vírus da dengue

Um dos maiores desafios na criação de vacinas contra o zika é a similaridade com os quatro sorotipos do vírus da dengue. Essa semelhança pode gerar reações cruzadas, confundindo o sistema imune e, em alguns casos, agravando futuras infecções.

A boa notícia é que essa nova vacina não provocou reação cruzada, graças ao uso do antígeno EDIII, que gera anticorpos altamente específicos contra o zika.

Próximos passos da pesquisa

Com os resultados positivos, a equipe planeja avançar para novas fases de testes, incluindo estudos em humanos. A expectativa é de que o imunizante possa, no futuro, integrar o arsenal de prevenção contra o zika, sobretudo em países onde o vírus ainda representa um risco à saúde pública.

Leia o estudo completo: Nature – NPJ Vaccines

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FONTE/CRÉDITOS: Agência FAPESP
Wallace Chagas

Publicado por:

Wallace Chagas

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