No Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado nesta quarta-feira (11/02), dados da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) revelam um avanço significativo na equidade de gênero. Entre 2014 e 2024, o ingresso de mulheres em postos docentes efetivos na instituição superou o de homens: foram 420 professoras contratadas (51,28%) contra 399 professores (48,72%).
Os números integram a tese de doutorado da jornalista Flávia Lopes, defendida em novembro de 2025. O estudo destaca que o fenômeno é um ponto fora da curva no cenário nacional e estadual. Enquanto a UFJF elevou a participação feminina, a média das instituições federais no Brasil ainda mantém 55% de homens no corpo docente. Comparada a outras universidades mineiras, como UFMG, UFV e Ufop, a UFJF foi a única a registrar maioria feminina nas contratações do período analisado.
Fatores de atração e perfil institucional
A pesquisa investigou as razões que tornam Juiz de Fora um polo de atração para mulheres cientistas. Entre as explicações estão a vocação da universidade para áreas de Saúde, Humanas e Linguística — setores que historicamente concentram maior presença feminina — e o perfil da cidade. Juiz de Fora, por ser um centro de médio porte com menor custo de vida e maior percepção de segurança, tende a ser mais atrativa para mulheres do que grandes metrópoles, que costumam concentrar maiores investimentos em pesquisas de áreas majoritariamente masculinas, como as engenharias.
Apesar do aumento nas contratações, a equidade plena no quadro total ainda é um desafio. Atualmente, o corpo docente completo da UFJF é composto por 53,4% de homens e 46,6% de mulheres. O avanço nas contratações recentes indica uma tendência de mudança, mas que ainda esbarra em barreiras estruturais da carreira acadêmica.
Desafios: sobrecarga e o "machismo velado"
O aumento quantitativo não eliminou as desigualdades qualitativas no cotidiano das pesquisadoras. O estudo de Flávia Lopes revela que mulheres docentes na UFJF dedicam, em média, cinco horas semanais a mais que os homens em tarefas domésticas. Quando há filhos ou dependentes, essa diferença sobe para 11 horas. Essa "jornada invisível" gera um esgotamento maior em um sistema acadêmico que exige produtividade constante através de publicações e captação de recursos.
Relatos de professoras recém-chegadas à instituição, especialmente de áreas de Exatas e Engenharias, confirmam a persistência de um machismo sutil. Segundo as docentes, há uma necessidade permanente de autoafirmação para garantir credibilidade perante alunos e colegas. A maternidade também surge como ponto crítico, com demandas por políticas institucionais mais robustas, como a flexibilização de prazos e o reconhecimento do trabalho de cuidado em processos de avaliação e concursos.
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