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Quinta-feira, 11 de Junho 2026
Justiça

Terceirizados da comunicação do STF iniciam greve por atraso de salários e FGTS

Profissionais que atuam na TV e Rádio Justiça decidiram paralisar as atividades devido a frequentes atrasos salariais e o não recolhimento de verbas como o Fundo de Garantia.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Terceirizados da comunicação do STF iniciam greve por atraso de salários e FGTS
© Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
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Jornalistas e radialistas terceirizados que prestam serviços de comunicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), especificamente na TV Justiça e na Rádio Justiça, decidiram iniciar uma greve a partir da próxima segunda-feira (15). A paralisação é uma resposta aos constantes atrasos no pagamento de salários e outras verbas trabalhistas essenciais, como o FGTS.

A medida foi aprovada por unanimidade por mais de 80 profissionais vinculados à Fundação de Artes e Comunicação (Fundac), a empresa terceirizada encarregada dos serviços de comunicação para o STF. Esse grupo corresponde a mais da metade do quadro de funcionários que atuam na Corte.

A principal causa da greve reside nos atrasos salariais recorrentes. Como exemplo, o pagamento referente a junho, esperado até o dia 8, não havia sido efetuado até o dia 10. Funcionários relatam que essa situação se tornou uma constante mensal.

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Além disso, os recolhimentos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) estão pendentes há quase um ano. Essa informação foi divulgada pelos sindicatos de jornalistas e radialistas, que lideram o movimento paredista.

Dirigentes do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) denunciam que valores referentes a pensão alimentícia são descontados dos salários, mas não estariam sendo repassados aos beneficiários. A Fundac estaria se apropriando indevidamente desses recursos.

O SJPDF alertou que "a paralisação pode resultar em interrupção ou redução da cobertura jornalística, da transmissão de julgamentos, sessões, programas e notícias diárias, prejudicando a prestação do serviço público à sociedade".

A Fundac, responsável pela assessoria de comunicação e pelas operações da TV e Rádio Justiça, acumula um histórico de reclamações trabalhistas. Tal situação levou o Supremo a tentar impedir sua participação em um novo edital, avaliado em mais de R$ 30 milhões. Contudo, a empresa conseguiu na Justiça o direito de concorrer, embora não tenha vencido a licitação.

A transição para uma nova empresa que assumirá a operação gera apreensão entre os terceirizados. Existe o temor de que, ao finalizar o contrato com o Supremo, a Fundac não quite os direitos trabalhistas atrasados nem as verbas rescisórias devidas.

Em comunicado oficial, o Supremo Tribunal Federal esclareceu que realiza pagamentos regulares à Fundac pelos serviços prestados, conforme os três contratos vigentes. Estes acordos estão próximos do término e serão substituídos em breve.

"Os atrasos nos pagamentos aos trabalhadores não são resultado de inadimplemento do STF perante a contratada, mas sim de obrigações trabalhistas cuja responsabilidade primária é da própria Fundac", afirma a nota. O Tribunal ressalta que "não afasta as providências administrativas adotadas para cobrar a regularização das pendências".

O Supremo acrescentou que a Justiça de São Paulo, onde está localizada a sede da Fundac, já designou um administrador judicial para gerir a empresa. A medida foi tomada após a identificação de irregularidades em sua administração.

O tribunal garantiu que "tem acompanhado a execução contratual, cobrado a regularização das pendências identificadas e adotado as providências cabíveis dentro dos limites legais e contratuais".

Adicionalmente, o STF informou que "tem adotado providências administrativas em face da contratada, inclusive medidas de apuração de responsabilidade e aplicação das sanções cabíveis, observados o contraditório e a ampla defesa". Entre as ações já implementadas, destaca-se o impedimento da Fundac de licitar e contratar com o Tribunal, devido a inadimplementos contratuais.

A Agência Brasil buscou contato com a Fundação de Artes e Comunicação (Fundac) e mantém o espaço aberto para um posicionamento da empresa sobre o ocorrido.

FONTE/CRÉDITOS: Felipe Pontes - Repórter da Agência Brasil

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