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Quinta-feira, 11 de Junho 2026
Policial

Operação 9º Círculo mira organização criminosa suspeita de fraudes bancárias milionárias em Minas Gerais

Gaeco e PMMG cumprem mandados de prisão e busca contra grupo investigado por adulteração de cartões, abertura fraudulenta de contas e empréstimos irregulares

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Operação 9º Círculo mira organização criminosa suspeita de fraudes bancárias milionárias em Minas Gerais
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O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com apoio do Grupo de Combate às Organizações Criminosas (GCOC) da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), deflagrou nesta quinta-feira a Operação 9º Círculo. A ação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa investigada por aplicar fraudes bancárias na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com ramificações em Sete Lagoas e em outros estados.

Ao todo, foram expedidos 14 mandados de prisão preventiva e 23 mandados de busca e apreensão por determinação da 5ª Vara de Tóxicos, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores de Belo Horizonte. Segundo o MPMG, 11 investigados já haviam sido presos até a divulgação do balanço inicial da operação.

A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 10 milhões, além do sequestro de veículos vinculados aos suspeitos. As medidas buscam garantir eventual ressarcimento dos prejuízos causados às vítimas.

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Investigação aponta esquema de adulteração de cartões

De acordo com as investigações, a organização criminosa atuava de forma estruturada e com divisão de funções desde pelo menos 2023. Um dos principais métodos utilizados pelo grupo era conhecido como "cesárea".

A prática consistia no recrutamento de entregadores responsáveis pela distribuição de cartões bancários. Antes de chegarem aos destinatários, os cartões eram interceptados pelos integrantes da organização, que retiravam os chips originais, instalavam chips adulterados e relacravam os envelopes para que fossem entregues normalmente aos clientes.

Com acesso aos chips e aos dados das vítimas, obtidos por meio de técnicas de engenharia social e fornecimento de senhas por integrantes especializados, os suspeitos realizavam transações fraudulentas utilizando maquininhas de cartão registradas em nome de terceiros.

Contas falsas e empréstimos em nome de idosos

As apurações também identificaram uma segunda frente de atuação da organização criminosa. Segundo o Ministério Público, os investigados abriam contas bancárias de forma fraudulenta utilizando documentos falsificados em nome de terceiros, principalmente idosos e aposentados.

A partir dessas contas, eram contratados empréstimos indevidos e solicitados cartões de crédito sem o conhecimento das vítimas. Conforme a investigação, um funcionário bancário integrava o esquema, utilizando sua posição para facilitar a abertura das contas e remover bloqueios de segurança impostos pelas instituições financeiras.

Prejuízo ultrapassa R$ 21 milhões

O levantamento realizado junto às instituições financeiras identificou 1.289 cartões adulterados relacionados a entregas feitas por empresas de logística contratadas pelos bancos.

A quebra de sigilo bancário revelou ainda uma movimentação financeira superior a R$ 21,9 milhões entre os investigados, distribuída em mais de 87 mil transações.

Nome da operação faz referência à obra de Dante Alighieri

Segundo o Ministério Público, o nome Operação 9º Círculo faz referência ao último círculo do Inferno descrito na obra de Dante Alighieri, reservado àqueles que cometem traição e fraude. A escolha busca simbolizar a conduta atribuída ao grupo investigado, que teria se aproveitado da confiança de consumidores e instituições financeiras para praticar os crimes.

As investigações continuam com o objetivo de identificar todos os envolvidos e recuperar os ativos supostamente desviados. O MPMG ressaltou que as medidas adotadas possuem caráter cautelar e que os investigados têm garantido o direito à presunção de inocência durante o andamento do processo.

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