O sedentarismo deixou de ser apenas um hábito individual ruim para se tornar uma crise silenciosa de saúde pública, com impacto direto no avanço de doenças crônicas, na perda de autonomia e no aumento dos custos sociais, e, na avaliação do fisioterapeuta Renierie Santos, especialista em Ortopedia, Traumatologia e Desporto, o problema precisa ser enfrentado com uma mudança profunda de lógica, em que a fisioterapia assuma papel central não apenas na reabilitação, mas principalmente na prevenção e na reconstrução funcional da vida cotidiana.
Convidado a comentar esse cenário, Renierie observa que a inatividade física não compromete apenas o condicionamento corporal, mas desencadeia um efeito progressivo sobre a saúde geral, porque reduz força, resistência, mobilidade, equilíbrio e confiança, criando um ambiente propício para dor crônica, doenças cardiovasculares, diabetes, limitações respiratórias e perda de independência, e resume essa percepção de forma direta ao afirmar que “quando o corpo deixa de se mover, ele não perde só desempenho, ele perde função, autonomia e qualidade de vida”.
Na visão do especialista, um dos maiores equívocos do debate atual é tratar o sedentarismo como simples falta de disciplina, quando na prática muitos pacientes convivem com dores persistentes, sequelas ortopédicas, doenças neurológicas, insegurança para voltar a se exercitar ou queda importante do condicionamento físico, e por isso ele defende que o movimento precisa ser orientado com base clínica e funcional, como explica ao dizer que “muita gente sabe que precisa se movimentar, mas não consegue fazer isso sozinha, porque sente dor, medo ou limitação, e é nesse momento que a fisioterapia se torna decisiva”.
Para Renierie Santos, a fisioterapia está entre as áreas mais preparadas para liderar essa transformação porque reúne avaliação individualizada, prescrição de movimento, prevenção de incapacidade, acompanhamento contínuo e educação em saúde, permitindo que o cuidado seja adaptado à realidade de idosos, pacientes crônicos, pessoas em pós-operatório, indivíduos com limitações neurológicas, trabalhadores sobrecarregados e até atletas, e ele reforça essa ideia ao afirmar que “o fisioterapeuta não entrega apenas exercício, ele constrói um caminho seguro para que a pessoa recupere função, independência e confiança”.
Esse raciocínio ganha ainda mais força quando se observa o peso social do problema, já que o sedentarismo alimenta o crescimento de doenças que sobrecarregam famílias, hospitais, convênios, empresas e sistemas públicos de saúde, prolongando tratamentos, elevando índices de afastamento e tornando a recuperação mais lenta e mais cara, e, para o especialista, insistir apenas no tratamento tardio das consequências é um erro estratégico, como ele resume na frase “o custo de agir tarde é sempre maior do que o custo de prevenir com inteligência”.
Na prática clínica, Renierie defende que a presença da fisioterapia precisa ser ampliada em escolas, empresas, programas de envelhecimento saudável, atenção primária, transição hospitalar e atendimento domiciliar, porque o sedentarismo não se combate só com discurso motivacional, mas com estratégia, acompanhamento e metas possíveis para cada realidade, e ele traduz esse pensamento ao dizer que “não basta mandar a população se exercitar mais, é preciso entender quem essa população é, quais barreiras enfrenta e como transformar movimento em algo seguro e sustentável no dia a dia”.
Com experiência em reabilitação ortopédica, neurológica, geriátrica, respiratória e esportiva, além de atuação hospitalar e domiciliar junto a pacientes de diferentes níveis de complexidade, Renierie enxerga a funcionalidade como o grande eixo dessa discussão, porque para ele saúde não pode ser medida apenas pela ausência de doença, mas pela capacidade real de viver com autonomia, participar da sociedade, trabalhar, locomover-se e manter independência nas tarefas diárias, e é por isso que afirma que “prevenir o sedentarismo é preservar dignidade antes mesmo de tratar a doença”.
Ao analisar o avanço global da inatividade física, o fisioterapeuta sustenta que o futuro da saúde passa necessariamente por uma visão mais ampla do movimento humano, em que a fisioterapia seja reconhecida como força estratégica na prevenção, no tratamento e na reintegração funcional das pessoas, e conclui com uma síntese que também define sua leitura profissional sobre o tema ao dizer que “a fisioterapia precisa liderar essa transformação porque movimento não é detalhe, é base de vida, de autonomia e de saúde”.
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