A previsão de reabertura gradual do Estreito de Ormuz nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026, anunciada pelo governo dos Estados Unidos, tende a mitigar a escalada nos custos de fretes, seguros marítimos e travar a crise nos fluxos globais de mercadorias. Contudo, o setor produtivo prega cautela: o entendimento costurado entre EUA e Irã é preliminar e abre uma janela de apenas 60 dias para novas tratativas diplomáticas, sem que um acordo definitivo de paz tenha sido assinado.
A passagem estratégica, que escoa cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no planeta, foi totalmente bloqueada pelo Irã no fim de fevereiro de 2026, com o estallido da guerra no Oriente Médio. O impacto da paralisia logística foi mensurado em um levantamento do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG).
Em âmbito nacional, o intercâmbio comercial do Brasil com os oito principais blocos econômicos da região (incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes e Iraque) recuou para US$ 1,04 bilhão em maio, configurando o pior resultado mensal desde janeiro de 2021.
Reflexos na indústria e agronegócio de Minas Gerais
No território mineiro, o estrangulamento da rota marítima gerou fortes retrações no balanço comercial acumulado entre março e maio de 2026, quando comparado ao mesmo intervalo de 2025:
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Exportações mineiras: Queda severa de 44%, puxada principalmente pelo minério de ferro, que registrou um tombo de 83% nos embarques.
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Importações mineiras: Encolhimento de 71%. O produto mais afetado foi o enxofre, matéria-prima mineral indispensável para a fabricação de fertilizantes agrícolas.
Impacto da Crise Logística em Minas Gerais (Março a Maio/2026 vs. 2025):
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├─► Exportações Gerais ─────► Queda de 44% (Minério de ferro despencou 83%)
├─► Importações Gerais ─────► Queda de 71% (Foco na escassez de enxofre)
└─► Custo do Enxofre ───────► Alta expressiva de 185% no preço médio de maio
Para contornar o desabastecimento das lavouras e indústrias químicas no estado, importadores mineiros buscaram uma rápida diversificação de parceiros comerciais ao longo do ano, transferindo parte das compras de insumos para países da Ásia Central, como o Cazaquistão e o Turcomenistão. Apesar da alternativa, o preço médio de importação do enxofre disparou 185% em maio de 2026 na comparação anual.
Monitoramento das cadeias de suprimentos
A coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da FIEMG, Verônica Winter, pontua que a flexibilização do estreito trará fôlego ao mercado, mas exige monitoramento constante por parte das lideranças industriais.
"A reabertura do Estreito de Ormuz pode aliviar parte das pressões sobre transporte e custos de importação, mas empresas brasileiras e mineiras devem permanecer atentas aos efeitos sobre cadeias de suprimentos e preços de insumos estratégicos nos próximos meses", pondera a coordenadora.
As indústrias exportadoras e cooperativas agropecuárias da Zona da Mata devem manter planos de contingência logísticos ativos, uma vez que a estabilização real dos preços internacionais dependerá do avanço das rodadas políticas nos próximos dois meses.
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