Um oficial militar da Guiné transmitiu uma declaração neste domingo, 5, anunciando que a Constituição da país foi dissolvida, em um possível golpe de Estado. “Não vamos mais confiar a política a um homem, vamos confiá-la ao povo. Viemos apenas para isso; é o dever do soldado salvar o país”, diz Mamady Doumbouya, oficial do Exército, no vídeo que foi amplamente divulgado pela mídia local.
Um assessor do presidente Alpha Conde disse à CNN que Conde está preso e que um golpe ocorreu no país da África Ocidental. A localização do líder de 83 anos, que venceu uma eleição apertada no ano passado, não é clara. No vídeo, o líder do Exército veste uniforme das forças especiais e diz que prendeu Conde, suspendeu a Constituição, o governo e todas as outras instituições. O militar também anunciou o fechamento das fronteiras terrestres e aéreas.
Em uma nova mensagem transmitida depois pela TV estatal, oficiais militares declararam toque de recolher em todo o país e disseram que Conde está bem. “Queremos tranquilizar a comunidade nacional e internacional de que a integridade física e moral do ex-presidente [Alpha Conde] não está ameaçada”, disse um militar, segundo tradução publicada pela Reuters. “Tomamos todas as medidas necessárias para que ele tenha acesso a cuidados e entre em contato com seus médicos.”
O toque de recolher, de acordo com um comunicado lido por um dos oficiais, “será implementado a partir das 20h, em todo o país, até novo aviso”. Os oficiais também convidaram ministros e ex-chefes de governo para uma reunião às 11h desta segunda-feira (6), no horário local. “Qualquer falta será considerada uma retaliação ao CNRD”, disseram, citando as sigla do nome do grupo que, em francês, significa Comitê Nacional para a Recuperação e Desenvolvimento.
Ação condenada
Em uma declaração publicada neste domingo, a União Africana condenou o que chamou de “tomada de poder”, e pediu a “libertação imediata do presidente Alpha Conde”. O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, também pediu a libertação de Conde. “Estou acompanhando de perto a situação na Guiné. Condeno veementemente qualquer tomada do governo pela força das armas e apelo pela libertação imediata do presidente Alpha Conde”, escreveu Guterres em seu perfil no Twitter.
Conde foi eleito à presidência da Guiné pela primeira vez em 2010, quando assumiu o gabinete no lugar de uma junta militar que estava no poder desde 2008. As eleições presidenciais de 2010 foram as primeiras nos 52 anos de história do país. A aparente tentativa de golpe na Guiné acontece pouco depois de um golpe bem-sucedido no vizinho Mali em agosto do ano passado, quando os militares expulsaram o governo eleito.
Contradições políticas
Em comunicado, o Ministério da Defesa chegou a reconhecer que os militares envolvidos "espalharam o medo" em Conakri, capital do país. No entanto, afirmou que conseguiu conter a tentativa de golpe: "A guarda presidencial, apoiada por forças de defesa e segurança, leais e republicanos, contiveram a ameaça e repeliram o grupo agressor".
