Uma pesquisa mapeada pelo Movimento Mulher 360 revelou que 60% dos brasileiros consideram a violência contra a mulher o crime mais grave do país. Apesar disso, o levantamento mostra que diversas formas de agressão previstas na Lei Maria da Penha ainda não são reconhecidas pela população como violência.
Os dados chamaram a atenção do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que destacou a persistência da normalização de comportamentos considerados abusivos pela legislação brasileira.
Segundo a pesquisa, 45% dos entrevistados não consideram violência impedir uma mulher de sair de casa. Outros 41% acreditam ser aceitável controlar suas amizades, enquanto 44% consideram normal exigir senhas de redes sociais. Além disso, 42% entendem como aceitável controlar o salário ou os recursos financeiros da companheira.
Violência vai além das agressões físicas
Para a promotora de Justiça Denise Guerzoni, coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, a percepção da população ainda está concentrada na violência física, ignorando outras modalidades reconhecidas pela lei.
Entre elas estão a violência psicológica, que provoca danos emocionais e afeta a autonomia da vítima; a violência patrimonial, relacionada ao controle de bens e recursos financeiros; e a violência vicária, caracterizada pelo uso de filhos, familiares ou até animais de estimação como forma de atingir emocionalmente a mulher.
Segundo a promotora, essas práticas produzem impactos profundos e não podem ser tratadas como comportamentos normais dentro de relacionamentos.
Sete em cada dez mulheres já sofreram algum tipo de violência
A pesquisa também aponta que 74% das mulheres entrevistadas afirmaram já ter vivenciado alguma forma de violência, incluindo insultos, humilhações, ameaças e intimidações.
O levantamento mostra ainda que uma em cada quatro mulheres relatou ter sido vítima de espancamento ou tentativa de enforcamento.
Mesmo diante desses números, 37% das mulheres que sofreram agressões afirmaram não ter tomado nenhuma atitude após os episódios de violência.
Especialistas apontam influência de fatores culturais
Para Lorena Campos, coordenadora do Movimento por Mais Mulheres em Todos os Espaços (Momam), a dificuldade de identificar a violência psicológica está relacionada a padrões históricos de desigualdade entre homens e mulheres.
Segundo ela, embora as mulheres ocupem cada vez mais espaços na sociedade e estejam à frente de mais da metade dos lares brasileiros, ainda enfrentam desafios para terem seus direitos plenamente reconhecidos.
O levantamento reforça a importância da conscientização sobre as diferentes formas de violência doméstica e familiar, destacando que agressões nem sempre deixam marcas físicas, mas podem causar consequências emocionais, sociais e econômicas duradouras para as vítimas.
Gostou desta matéria? Não perca as próximas atualizações da RCWTV!
Explore mais notícias exclusivas e análises profundas em nosso portal oficial e entre no nosso grupo de WhatsApp para receber atualizações diretamente no seu celular.
Siga a RCWTV no Instagram e Facebook para receber as notícias em primeira mão e participar da nossa comunidade!
Os comentários nas postagens e os conteúdos dos colunistas não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é exclusiva dos autores das mensagens. A RCWTV reserva-se o direito de excluir comentários que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros. Mensagens de conteúdo homofóbico, racista, xenofóbico e que propaguem discursos de ódio e/ou informações falsas também não serão toleradas. A infração reiterada da política de comunicação da RCWTV levará à exclusão permanente do responsável pelos comentários.
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se