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Sábado, 15 de Agosto 2026
Brasil/Mundo

País se mobiliza após mortes de moradores de rua pelo frio

12 morreram nas últimas madrugadas em SP, após record de frio

Geraldo Gomes
Por Geraldo Gomes
País se mobiliza após mortes de moradores de rua pelo frio
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Após relatos de mortes de pessoas em situação de rua em três estados brasileiros devido ao frio, entidades civis, ativistas e governos intensificaram a mobilização para auxiliar esse grupo durante a onda de baixas temperaturas que atingem principalmente os estados do Sul e do Sudeste.

A cidade de São Paulo registrou nesta semana um recorde de 6,3 graus na noite desta quarta-feira (30), a mais fria dos últimos cinco anos. Segundo o Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, sete pessoas em situação de rua morreram de frio nas noites de terça (29) e outras quatro na quarta-feira.

As mortes teriam acontecido, segundo a entidade, na região central (na Praça da Sé, Pátio do Colégio, Baixada do Glicério e Bom Retiro) e na zona oeste, na Barra Funda.

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Em meio à onda de frio, o governo paulista solicitou doações ao setor privado e anunciou o oferecimento de 25 mil cobertores e a mesma quantidade de sacos de dormir para os moradores da capital. Os itens foram doados pelo Grupo CCR, antiga Companhia de Concessões Rodoviárias. 

Na capital paulista, a prefeitura instituiu em abril um comitê para executar o "Plano de Contingência para Situações de Baixas Temperaturas - 2021” que, segundo a gestão, realizou cerca de 4 mil acolhimentos e distribuiu 3 mil cobertores para o público em situação de rua desde então.

As autoridades paulistanas, no entanto, não confirmam que a causa das mortes relatadas pelo Movimento Estadual da População em Situação de Rua seja o frio. Segundo a prefeitura, a determinação da causa de morte é atribuição de orgãos competentes, como o Instituto Médico Legal (IML).

Padre Julio Lancellotti, ativista dos direitos humanos que atua diretamente na defesa de populações vulneráveis na cidade, relata que acompanhou o óbito de três moradores de rua na região central nas últimas madrugadas. Duas foram atribuídas a atos de violência e uma a causas naturais. Segundo ele, as mortes pelo frio, como relatadas pelo Movimento, são de difícil confirmação e subnotificadas na região.

—  Todas as gestões da cidade, de direita e esquerda, costumam negar que a causa da morte seja o frio. Há uma dificuldade técnica nessa comprovação, uma vez que a causa das mortes é sempre atribuída a patologias de base. Mas observamos nas últimas madrugadas o aumento expressivo do nosso atendimento na rua de pessoas em clara hipotermia, pouco agasalhados, sem abrigo e apresentando tremores — diz Lancelotti.

Para o ativista, a entrega de cobertores pelo poder público é medida insuficiente para aplacar o frio da cidade no inverno, em que notícias de mortes de pessoas desabrigadas, causadas pelas baixas temperaturas, tornam-se recorrentes. O padre também defende melhorias nos centros de acolhida disponíveis da cidade, que segundo ele têm baixa adesão por aglutinar dezenas de pessoas num mesmo espaço e desestimular a autonomia dos assistidos:

—  Temos que mudar esse modelo de alojamento, que é da década de 40. Ao Estado não cabe se limitar a filantropia, como distribuição de itens. Tem que fazer ações e intervenções de política pública de saúde e moradia.

Capitais como Cuiabá (MT) e Goiânia (GO) também registraram recordes de frio, com temperaturas entre 7 e 8 graus. Em Sinop (MT), um morador de rua faleceu sob suspeita de hipotermia. Em Porto Alegre (RS), a polícia também investiga a morte pelo frio de um morador de rua no bairro Menino Deus, na última madrugada. 

Em Goiânia, entidades filantrópicas como a Associação Tio Cleobaldo distribuíram mil cobertores para a população de rua nesta terça, segundo a imprensa local. Em Anapólis, a cerca de uma hora da capital, a prefeitura abriu alojamentos para atender este público em ginásio da cidade.

Veja algumas maneiras de ajudar!

 
 
Fonte: O Globo
Foto: Diário do Rio
Geraldo Gomes

Publicado por:

Geraldo Gomes

Fundador, diretor e presidente do Portal de notícias RCWTV. Trabalhou na TVE, TV pública de Juiz de Fora, como diretor de imagem, e depois empreendeu no ramo de eventos evangélicos com a empresa Gospel Videos. Mais tarde fundou a RCWTV, inicialmente...

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