O agronegócio mineiro alcançou um recorde histórico em 2025, com seu PIB atingindo a marca de R$ 279 bilhões e representando 24,1% da economia de Minas Gerais. Este feito foi anunciado pelo Sistema Faemg Senar em uma coletiva de imprensa realizada em Belo Horizonte, nesta sexta-feira (3/7), onde os resultados foram detalhados por especialistas.
O evento contou com a participação de representantes da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), da Fundação João Pinheiro (FJP) e da Associação Mineira da Indústria Florestal (Amif), reforçando a relevância do setor.
Antônio de Salvo, presidente do Sistema Faemg Senar, destacou que esse expressivo crescimento é fruto do empenho dos produtores rurais, combinado com a inovação, a implementação de novas tecnologias e a existência de um ambiente propício para investimentos seguros.
Salvo enfatizou a necessidade de continuidade do diálogo entre os futuros governos e o setor, visando assegurar condições favoráveis para o desenvolvimento do campo. Ele reiterou o compromisso do Sistema Faemg Senar em fornecer assistência técnica e gerencial, capacitação e soluções inovadoras aos produtores mineiros.
O presidente reforçou a mensagem: “Para continuarmos avançando, é fundamental que os próximos governos mantenham o diálogo, respeitem quem produz e garantam condições para que o campo siga crescendo”.
Eficiência e competitividade impulsionam o agronegócio
Thales Fernandes, secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, corroborou os resultados, afirmando que o setor agropecuário de Minas Gerais demonstra uma combinação de eficiência, sustentabilidade e alta competitividade.
Ele detalhou que do crescimento nominal de 17,7% no PIB do agronegócio, aproximadamente 16 pontos percentuais foram atribuídos à valorização dos produtos agropecuários. Adicionalmente, o crescimento em volume alcançou 1,7%, superando a expansão de 1,4% da economia estadual.
Minas Gerais também consolidou sua posição no cenário global, expandindo suas exportações para mais de 165 países e estabelecendo novos recordes de vendas externas.
A relevância do setor é ainda mais evidente ao constatar que mais de 60% dos municípios mineiros dependem da agropecuária e das florestas como atividades econômicas primárias, destacando o papel crucial do agronegócio na geração de empregos, renda e no desenvolvimento regional.
Transformação estrutural no agronegócio mineiro
A apresentação técnica da pesquisa foi conduzida por Raimundo Leal, pesquisador da Fundação João Pinheiro.
Para além dos dados de 2025, o estudo revelou uma notável transformação estrutural na economia do agronegócio. A revisão da matriz de insumo-produto indicou um aumento significativo na participação da produção primária dentro do complexo agroindustrial, saltando de 12,7% para 22,5%, o que sinaliza profundas alterações na composição econômica do setor.
O comportamento dos preços agrícolas também foi um ponto de destaque. Raimundo Leal explicou que, ao longo dos últimos seis anos, em cinco deles, os preços dos produtos do agronegócio tiveram uma evolução mais vantajosa em comparação com os demais setores da economia.
“Isso representa uma melhora importante nos termos de troca do setor e pode ser considerado um marco histórico para o agronegócio mineiro”, complementou o pesquisador da Fundação João Pinheiro.
Principais produtos impulsionadores do desempenho
Entre os produtos que mais contribuíram para o bom desempenho do agro em 2025, o café se sobressaiu, registrando uma valorização média de 65,8% em relação ao ano anterior, conforme dados do Cepea.
Outros produtos que impulsionaram o resultado incluem o milho, com alta de 13,3%, o suíno (11,5%), o tomate (22,9%) e o boi gordo (22,5%), todos com significativas valorizações nos preços.
Em termos de volume de produção, a soja demonstrou um crescimento notável, passando de cerca de 7,7 milhões para 9,2 milhões de toneladas. A produção de milho também registrou avanço, de aproximadamente 6,6 milhões para 7,1 milhões de toneladas.
O estudo ainda ressalta que o fortalecimento dos encadeamentos produtivos, que englobam a agroindústria, transporte, armazenagem, comércio, serviços e crédito, foi crucial para a expansão da participação do agronegócio na economia de Minas Gerais.
Plano Safra 2026/2027: Preocupações para o setor
Apesar dos resultados positivos, Antônio de Salvo expressou preocupação com o Plano Safra 2026/2027, que, em sua avaliação, ficou aquém das necessidades da agropecuária brasileira. O volume de recursos anunciado acende um alerta para o próximo ciclo produtivo, estando distante da demanda real do setor.
“A agricultura brasileira precisa de cerca de R$ 1,3 trilhão para financiar uma safra. O governo anunciou R$ 525 bilhões e, no ano passado, nem todo o valor chegou efetivamente às agências bancárias”, criticou o presidente do Sistema Faemg Senar.
Salvo também destacou o custo elevado do crédito rural e a diminuição dos recursos para o seguro rural como pontos de grande apreensão. Ele argumentou que “o produtor enfrenta riscos climáticos cada vez maiores e precisa dessa proteção. Sem seguro, o crédito fica mais caro e aumenta a insegurança para produzir”.
Para o presidente, a conjunção de crédito mais oneroso, menor disponibilidade de recursos subsidiados e entraves no acesso ao financiamento pode comprometer seriamente a safra 2026/2027.
“Muitos produtores já estão endividados e terão dificuldade para acessar o crédito. Sem recursos suficientes e sem seguro rural, a próxima safra corre riscos”, finalizou Antônio de Salvo.

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