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Quinta-feira, 04 de Junho 2026
Brasil/Mundo

Morador de Juiz de Fora persiste em meio a escombros após desastre de lama

Gilvan Leal Luzia, com saúde frágil, relata a ausência de apoio enquanto luta pela sobrevivência e por um novo lar.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Morador de Juiz de Fora persiste em meio a escombros após desastre de lama
© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Na comunidade Três Moinhos, em Juiz de Fora, Gilvan Leal Luzia, de 55 anos, enfrenta a realidade de viver em um colchão improvisado no que restou de sua garagem. De um lado, a moradia devastada pela lama; do outro, seu veículo parcialmente soterrado. Para se proteger das intempéries, um teto precário foi montado com colchonetes, pedaços de telha e outros destroços.

Há exatamente um mês, na noite de 23 de fevereiro, Gilvan escapou por pouco de se tornar uma das vítimas fatais das enchentes e deslizamentos de terra que assolaram a Zona da Mata Mineira. No total, 73 pessoas perderam a vida em Juiz de Fora e Ubá em decorrência da tragédia.

“Eu ia entrar aqui para pegar uns documentos, aí a minha irmã falou para eu não fazer isso. Na hora que eu pensei em entrar, desmoronou tudo”, relembra Gilvan, com a voz embargada.

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Com a residência completamente inabitável, Gilvan viu-se obrigado a dormir ao relento, mesmo diante das previsões de mais chuvas.

“Se tiver de morrer, eu vou morrer. Eu nasci e fui criado aqui. Tem lugar para eu ir?”, questiona, revelando uma mistura de resignação e desespero.

Nascido e criado na localidade, ele assegura jamais ter presenciado um evento de tal magnitude. A catástrofe agravou uma condição de saúde já delicada: Gilvan sofreu um infarto recentemente e, embora não possa realizar esforços físicos, depende de trabalhos informais para subsistir.

“Não posso pegar peso, mas, mesmo assim, estou trabalhando para sobreviver. Até agora não tive ajuda nenhuma. Eu não quero dinheiro. Só quero uma solução para morar”, desabafa Gilvan, enfatizando sua busca por dignidade e um teto.

Sem informações claras sobre a liberação da área ou a implementação de planos de reassentamento, o morador tenta, por conta própria, arquitetar a reconstrução de sua vida, apesar dos recursos extremamente limitados.

“Vou limpar tudo e fazer um quarto, um banheiro e uma cozinha para mim”, projeta, com um fio de esperança.

A feirante Kasciany Pozzi Bispo, de 36 anos, também luta para reestruturar sua rotina, confrontada pelo isolamento, pela ausência de renda e pela incerteza quanto ao futuro. Sua subsistência provém da venda de cana-de-açúcar, atividade que foi totalmente paralisada nos últimos 30 dias.

“Muita cana jogada fora. É a única renda que a gente tem. Sem acesso para veículos, o transporte da produção se tornou impossível. O caminhão não consegue sair. A gente improvisa, pega carro emprestado e vai ao canavial cortar o que dá para tentar sobreviver”, descreve Kasciany, ilustrando a árdua realidade.

O plano imediato da família é aguardar o solo secar, desatolar a Kombi e tentar retomar o trabalho em outro local. A casa onde moravam foi interditada, assim como diversas outras na vizinhança. As crianças também sofreram as consequências da situação.

“Todos sem ir para a escola. Estão querendo colocar em colégio longe. É complicado”, lamenta Kasciany, preocupada com o futuro educacional dos filhos.

Enquanto busca resolver os trâmites burocráticos para acessar os auxílios governamentais, Kasciany clama por intervenções urgentes na comunidade.

“Podiam, pelo menos, liberar uma máquina para limpar a rua, para o pessoal tirar o que sobrou de dentro de casa. Estamos ilhados em um bairro e ninguém faz nada. Os próprios moradores é que estão limpando a rua. Só pedimos um pouco de dignidade para o pessoal daqui", apela Kasciany, em nome dos vizinhos.

Em nota, a Prefeitura de Juiz de Fora informou que o auxílio calamidade municipal será creditado na próxima segunda-feira (23) nas contas do Cadastro Único (CadÚnico) das famílias atingidas.

O órgão municipal também contabilizou 1.008 moradias completamente destruídas e oito imóveis demolidos. Adicionalmente, registrou o encaminhamento de famílias desabrigadas, que estavam inicialmente em abrigos temporários, para hotéis da cidade.

Por fim, a prefeitura comunicou que a rede municipal de ensino já restabeleceu as atividades em 101 unidades, mas cinco escolas permanecem sem retorno às aulas até o momento: EM Adenilde Bispo, EM Clotilde Hargreaves, EM Antônio Faustino, EM Santa Catarina Labouré e EM Murilo Mendes.

FONTE/CRÉDITOS: Rafael Cardoso - Repórter da Agência Brasil

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