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Terça-feira, 28 de Abril 2026
Ciência e Tecnologia

Mais de 70% das mulheres jovens sofrem com coceira, irritação, dor e outros sintomas na região genital

Constatação foi feita por pesquisadoras da UFSCar a partir de questionários aplicados a 313 voluntárias na faixa dos 30 anos. Resultados indicam que, embora os desconfortos relatados afetem negativamente a qualidade de vida e a saúde sexual das participantes, elas tendem a normalizá-los

Talia Santana
Por Talia Santana
Mais de 70% das mulheres jovens sofrem com coceira, irritação, dor e outros sintomas na região genital
As questões relatadas podem ter causas diversas, como infecções, alterações hormonais, dermatológicas ou musculares (imagem: Freepik*)
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Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – Estudo conduzido por pesquisadoras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) constatou que 72,5% das mulheres brasileiras jovens sofrem com sintomas vulvovaginais, como coceira, corrimento e dor durante o ato sexual. Realizada com 313 voluntárias na faixa dos 30 anos, a pesquisa mostrou que, embora os sintomas afetem negativamente a qualidade de vida e a saúde sexual dessas pessoas, eles têm sido amplamente normalizados. Os dados foram publicados no Brazilian Journal of Physical Therapy.

Na avaliação de Ana Carolina Beleza, uma das autoras do artigo, há ainda um forte tabu em relação ao tema, o que leva muitas mulheres a subestimar o impacto desses sintomas na saúde, no cotidiano ou na vida sexual. A contradição entre prevalência e consequências dos problemas vulvovaginais foi constatada na pesquisa. Isso porque, além de indagar se as participantes tinham os sintomas, o questionário incluía escores sobre o impacto deles em diferentes aspectos da vida.

“Mesmo mulheres que relataram dor durante o ato sexual avaliaram que o problema tem baixo impacto em suas vidas. Os escores utilizados para medir o impacto desse e de outros sintomas ficaram muito aquém do esperado, revelando uma normalização preocupante. É importante destacar que sentir dor durante o ato sexual não é normal e deve ser investigada por meio de abordagens clínicas. A tendência de normalizar os sintomas vulvovaginais reforça a necessidade de mais educação em saúde íntima, seja nas escolas ou nos atendimentos de saúde”, defende Beleza, que coordena o Núcleo de Estudos em Fisioterapia na Saúde da Mulher (Nefism) da UFSCar.

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Apoiado pela FAPESP, este trabalho é o primeiro a demonstrar a prevalência de sintomas vulvovaginais em mulheres brasileiras jovens. De acordo com os resultados, os sintomas mais relatados foram secreção vaginal (63%), coceira (54%), ardência (31%), secura vaginal (30%), odor vaginal (28%), irritação (27%) e dor no ato sexual (20%). Menos de 30% das participantes afirmaram não apresentar nenhum desses incômodos.

As questões relatadas podem ter causas diversas, como infecções, alterações hormonais, dermatológicas ou musculares. Embora tenham tratamento, elas podem afetar negativamente o bem-estar emocional e a função sexual e resultar em mudanças na autoconfiança e na vida social das mulheres.

“Trata-se de uma questão que exige um olhar mais global, pois envolve outros aspectos que vão além da saúde, como questões culturais, emocionais e de desconhecimento sobre a própria saúde”, afirma Clara Maria de Araujo Silva, primeira autora do artigo e pesquisadora do Nefism-UFSCar.

O tabu em relação aos sintomas vulvovaginais também se reflete nos poucos estudos sobre o tema. “Até onde se tem conhecimento, esse é o primeiro realizado no Brasil e para essa faixa etária. Mesmo assim, foi uma surpresa observar a alta prevalência de sintomas vulvovaginais entre mulheres jovens. Nesta faixa etária, sintomas como dor e ardência não são esperados, já que não há alterações hormonais associadas à menopausa, por exemplo”, ressalta Beleza.

Determinantes sociais em saúde

O estudo sugere que, embora a prevalência dos sintomas abranja todos os estratos sociais e educacionais, ela pode ser ainda maior entre mulheres com menor renda e escolaridade.

“Isso abre uma série de questionamentos que podemos investigar em próximos estudos. Queremos identificar outros fatores, como renda, educação, emprego, condições de moradia e acesso a serviços de saúde, que poderiam influenciar a ocorrência de sintomas. A partir desse entendimento, será possível traçar medidas para reduzir essa prevalência e estratégias para que esses sintomas não sejam mais normalizados”, adianta Beleza.

O artigo Association between contextual factors and vulvovaginal symptoms in Brazilian women: A cross-sectional study pode ser lido em: www.rbf-bjpt.org.br/en-association-between-contextual-factors-vulvovaginal-articulo-S1413355525000140.

 

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FONTE/CRÉDITOS: Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP 
Talia Santana

Publicado por:

Talia Santana

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