Os ex-presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, o poeta Manuel Bandeira, os escritores Sylvio Romero e Belmiro Braga e o cineasta João Carriço estão entre os visitantes ilustres do Museu Mariano Procópio cujos nomes encontram-se registrados nos livros de assinaturas da instituição. A coleção, que soma 50 volumes, também assinala a passagem de milhares de populares, residentes em Juiz de Fora, oriundos de outros municípios, estados e países, que foram conhecer o quase centenário equipamento urbano.
Ainda pouco valorizados por pesquisadores, os livros de assinaturas mantidos nos espaços culturais constituem importantes fontes de investigação, como defende o historiador do Mariano Procópio, Sérgio Augusto Vicente, em artigo publicado no último domingo, 21, na revista eletrônica “Trama – Arte, Cultura e Criatividade”. Segundo ele, no caso específico do museu de Juiz de Fora, primeiro de Minas Gerais e um dos mais importantes do Brasil, essa coleção vem sendo considerada objeto de reflexão e pesquisa.
Sérgio Vicente conta que a assinatura inaugural nos livros de registro é do colecionador Alfredo Ferreira Lage, em 23 de junho de 1921, quando o Museu foi oficialmente inaugurado por ele, recebendo o nome de seu pai. Na ocasião, chamam atenção as assinaturas de autoridades como João Penido e Machado Sobrinho, dentre outras. Sérgio observa que entre a inauguração e a doação do Museu ao município, em 1936, os livros de assinatura são praticamente as únicas fontes institucionais do equipamento.
Em seu artigo, o historiador destaca que a última assinatura data de março do ano passado, quando, como parte do protocolo sanitário para conter o avanço da Covid-19, foram suspensas as visitações ao Museu Mariano Procópio, que é gerido pela Prefeitura de Juiz de Fora. No intervalo de dois meses e 11 dias, entre os dias 2 de janeiro e 13 de março de 2020, foram registradas 1.621 assinaturas, número bastante significativo.
“Certamente o total de nomes é menor que a quantidade de pessoas que, de fato, visitaram a instituição no período, uma vez que muitas delas não têm o hábito de registrar sua passagem pelo local.” Conforme Vicente, a realização de visitas mediadas à Villa Ferreira Lage e o período de férias escolares possivelmente contribuíram para o expressivo quantitativo de visitantes no período pré-pandemia.
Ainda no artigo, o autor observa que, do universo de 1.621 assinaturas registradas nos primeiros 70 dias de 2020, cerca de 740 são de cidadãos e cidadãs de Juiz de Fora. Em seguida, destacam-se as de moradores da capital do estado, Belo Horizonte, e de municípios como Muriaé, Conselheiro Lafayette, Governador Valadares, Ouro Preto e Ubá, entre outros.
Com um acervo eclético que soma cerca de 50 mil peças, o Museu Mariano Procópio tem o prédio, o acervo e o parque tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O município e o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha/MG) também registram o museu em seus livros do tombo.
Leia o artigo “(Re)visitando os livros de visitantes do Museu Mariano Procópio” no link e confira reproduções dos livros de registro de presença e de algumas assinaturas no Instagram @museumarianoprocópio.