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Segunda-feira, 01 de Junho 2026
Justiça

Julgamento do caso Henry no Rio de Janeiro se torna o mais longo da história do Tribunal do Júri

A sessão, que investiga a morte do menino Henry Borel e tem como réus Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros, alcançou o oitavo dia, superando em duração o processo da ex-deputada Flordelis.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Julgamento do caso Henry no Rio de Janeiro se torna o mais longo da história do Tribunal do Júri
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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O julgamento do caso Henry, que apura a morte do menino Henry Borel, completou seu oitavo dia consecutivo nesta segunda-feira (1º) no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Este marco o consagra como o processo mais extenso já registrado pelo Tribunal do Júri no estado, ultrapassando a duração do caso envolvendo a ex-deputada federal Flordelis. Os réus Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros da Costa e Silva enfrentam acusações relacionadas ao falecimento da criança.

Em novembro de 2022, Flordelis foi sentenciada a mais de 50 anos de reclusão pela participação no assassinato de seu ex-marido, o pastor Anderson do Carmo, um caso de grande repercussão.

Dr. Jairinho, nome pelo qual Jairo Souza Santos Júnior é amplamente conhecido, e Monique Medeiros da Costa e Silva são os acusados neste processo. Eles respondem pela morte de Henry Borel, filho de Monique, que tinha apenas 4 anos quando faleceu em março de 2021.

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Na época dos fatos, Jairinho exercia o cargo de vereador, cumprindo seu quinto mandato, e era padrasto de Henry. A denúncia do Ministério Público aponta que o menino faleceu em decorrência de agressões perpetradas por Jairinho, enquanto Monique teria agido com omissão.

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Depoimento do perito do IML

Na tarde desta segunda-feira, o perito Leonardo Huber Tauil, convocado pela defesa de Jairo, esteve prestando depoimento. Tauil foi o responsável pela elaboração do laudo cadavérico de Henry no Instituto Médico Legal (IML) e é a 21ª pessoa a ser ouvida pelos jurados.

Em seu testemunho, ele reiterou que a causa da morte foi uma “hemorragia interna resultante de lesão hepática por ação contundente”, confirmando os achados iniciais.

Além do laudo inicial, o perito esteve envolvido em seis complementações e realizou uma visita técnica ao apartamento onde as agressões contra o menino teriam ocorrido.

Tauil afirmou que, durante a vistoria no local, não identificou nenhum objeto ou móvel capaz de ter provocado a lesão fatal em Henry. Essa declaração contradiz a versão inicial apresentada pelo casal Jairinho e Monique, que alegava um acidente doméstico com queda da cama.

O perito também foi questionado sobre inconsistências no laudo cadavérico apontadas pela defesa, como a incorreção do hospital de origem do corpo e a cor dos olhos do menino, descritos como azuis quando eram castanhos. Ele justificou as divergências como lapsos.

Durante a exibição de imagens do corpo de Henry no plenário, Monique Medeiros se retirou da sala. A ré já havia feito o mesmo na última sexta-feira (29), quando o perito Luiz Carlos Leal Prestes depunha e outras imagens semelhantes eram exibidas.

Outros depoimentos relevantes

Desde a segunda-feira anterior (25), uma série de testemunhas foi ouvida, incluindo aquelas convocadas pelo juízo, pela acusação e pelas defesas de Monique e Jairinho, cujas estratégias processuais divergem atualmente.

Leniel Borel, pai de Henry, atua como assistente da acusação e prestou depoimento contra o ex-casal. Ele sustenta que Monique também possui responsabilidade pela morte de seu filho.

Duas ex-namoradas de Jairinho, juntamente com a filha de uma delas, relataram ao júri que o ex-vereador agredia seus respectivos filhos durante a infância.

Bryan Medeiros da Costa Silva, irmão de Monique e engenheiro, apresentou um testemunho caloroso sobre sua irmã e o ambiente familiar.

Um dos testemunhos mais aguardados foi o da babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira. Ela confirmou ter alertado a mãe da criança sobre suas suspeitas de agressões por parte de Jairinho. A babá também declarou que, após a morte do menino, foi instruída por Monique a apagar as conversas trocadas entre elas.

Das 27 testemunhas inicialmente arroladas, quatro foram dispensadas. Jairinho abriu mão dos depoimentos do psiquiatra Hewdy Lobo Ribeiro e da assessora Cristiane Izidoro. Seu pai, Coronel Jairo, uma figura política no Rio de Janeiro, foi ouvido.

Além do perito Tauil, está previsto o depoimento do médico Jeferson Evangelista Correa, que atua como assistente técnico da defesa.

Expectativa para os depoimentos dos réus

Advogados envolvidos no processo preveem que a fase de oitiva das testemunhas seja concluída ainda nesta segunda-feira. A expectativa é que a terça-feira (2) seja dedicada aos depoimentos dos dois réus.

A defesa de Jairinho obteve uma liminar que garante que o ex-vereador seja interrogado após Monique. Segundo os advogados do ex-parlamentar, essa sequência é “indispensável para assegurar a plenitude de defesa, permitindo que Jairo tenha conhecimento prévio das acusações que lhe serão imputadas em juízo”.

Por sua vez, a defesa de Monique afirma que ela está pronta para depor a qualquer instante.

Os advogados de defesa apresentarão suas alegações finais na quarta-feira (3). A expectativa é que a sentença seja proferida na virada de quarta para quinta-feira (4), data do feriado de Corpus Christi no Rio de Janeiro.

O papel do Conselho de Sentença

Desde o início do júri, o Conselho de Sentença, composto por sete jurados (cinco homens e duas mulheres neste caso), acompanha todas as sessões de forma ininterrupta. Durante os intervalos, eles são obrigados a permanecer no tribunal, sem poder discutir o caso entre si ou com terceiros, e devem se manter isolados de redes sociais e do noticiário.

Nos períodos de pernoite, os jurados permanecem sob vigilância em um alojamento específico no Tribunal de Justiça do Rio. As testemunhas, por sua vez, não são confinadas, mas foram orientadas pela juíza a não conceder entrevistas.

A magistrada Elizabeth Machado Louro preside o júri. A decisão sobre o destino dos réus é tomada por voto sigiloso dos jurados, por maioria simples. Em caso de condenação, a juíza é responsável pela dosimetria, ou seja, pela definição da pena.

Lista de testemunhas já ouvidas

  • Delegado Edson Damasceno
  • Delegada Ana Carolina Medeiros
  • Psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro
  • Médica Maria Cristina de Souza
  • Kaylane de Oliveira - filha de ex-namorada do réu
  • Natasha de Oliveira - ex-namorada do réu
  • Débora de Oliveira – ex-namorada do réu
  • Leila Rosângela de Souza Mattos – empregada dos réus
  • Tereza Cristina dos Santos – cabeleireira
  • Paloma dos Santos – manicure
  • Perito Luiz Carlos Leal Prestes
  • Perito Luiz Airton Saavedra
  • Leniel Borel
  • Irmão de Monique – Bryan Medeiros
  • Colega de trabalho de Monique – Ari Mamed
  • Funcionária do condomínio onde os réus moravam - Márcia Eduarda Vieira
  • Babá de Henry - Thayná de Oliveira Ferreira
  • Coronel Jairo, pai de Jairinho
  • Atual mulher de Jairinho – Fernanda Abdul Figueiredo
  • Miriam Santos Rebelo Costa – que teve um relacionamento com Leniel
FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil

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