A 1ª Conferência Municipal dos Direitos Humanos de Juiz de Fora reuniu mais de 300 pessoas e marcou o início das etapas municipais do processo que culminará na Conferência Nacional, prevista para dezembro. O encontro, promovido pela Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), aconteceu nos dias 23 e 24 de maio e teve como objetivo central ampliar o diálogo social e consolidar políticas públicas voltadas aos direitos humanos.
Durante a abertura, realizada na sexta-feira (23), o evento contou com a presença do presidente do Tribunal de Contas de Minas Gerais, Durval Ângelo, que ministrou a palestra inaugural. Com o tema “Por um sistema Municipal, Estadual e Nacional de Direitos Humanos: consolidar a democracia, resistir aos retrocessos e avançar na garantia de direitos para todas as pessoas”, a conferência trouxe à tona discussões fundamentais para a construção coletiva de políticas inclusivas.
A programação seguiu no sábado (24) com atividades em grupos temáticos e a eleição de 30 delegados — sendo 20 representantes da sociedade civil e 10 do setor governamental — que levarão as propostas discutidas para a Conferência Estadual, agendada para os dias 26 e 27 de setembro.
As propostas aprovadas abordam temas como a proteção da população em situação de rua, igualdade racial, ações voltadas à população carcerária, inclusão de pessoas com deficiência, além da continuidade de serviços especializados em direitos humanos. Também foram destaque as propostas de formação cidadã e a valorização de espaços de diálogo permanente.
O processo de mobilização para o evento foi iniciado com encontros realizados ao longo do último mês em diversos pontos da cidade. Segundo o secretário especial de Direitos Humanos, Biel Rocha, mais de 3 mil pessoas participaram das reuniões preparatórias. “Juiz de Fora respira esperança, ergue a voz e reafirma com coragem seu compromisso inegociável com os direitos humanos”, destacou.
Para a assistente social Ana Paula de Souza, a conferência foi uma oportunidade de aprendizado e troca de experiências. Ela elogiou a organização e a transparência do processo de escolha dos delegados. “A dinâmica permitiu que coletivos, comitês e movimentos sociais se preparassem com antecedência, o que enriqueceu muito os debates”, afirmou.
O evento também deu voz a diferentes povos e culturas. Iran da Silva Apon Puri, representante do movimento indígena, celebrou o espaço para a participação dos povos originários. “Foi um momento histórico. Representar o meu povo e tantos outros é motivo de orgulho. Seguiremos firmes por reconhecimento e justiça”, disse.
A Conferência Municipal dos Direitos Humanos em Juiz de Fora marcou não só o início de um ciclo importante de debates, mas também a reafirmação do compromisso do município com a escuta ativa, a diversidade e a luta por direitos iguais para todos.
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