A gestação é um período com fortes transformações físicas que frequentemente trazem desconfortos estomacais. Os hormônios da gravidez e o próprio crescimento do útero esmagam o estômago, o que pode causar azia, queimação e dor de estômago. Estudos do American Journal of Gastroenterology mostram que o refluxo e a azia chegam a afetar até 80% das gestantes, com sintomas que tendem a se intensificar à medida que a gravidez avança.
Quando o mal-estar foge do controle e nada resolve, é normal ter dúvidas sobre a segurança de fazer exames mais invasivos. O caminho seguro é saber quando consultar um obstetra para avaliar o quadro e cuidar da mãe e do bebê sem correr riscos desnecessários.
A realização de procedimentos na gravidez passa por uma avaliação quanto ao risco e o benefício. Seguindo diretrizes da Sociedade Americana de Endoscopia Gastrointestinal (ASGE), replicadas no Brasil, a regra é evitar exames de diagnóstico no primeiro trimestre, período em que os órgãos do bebê ainda estão se formando.
Se os sintomas forem graves, como sangramento digestivo ou vômitos incoercíveis que impedem a nutrição da gestante, a endoscopia costuma ser agendada preferencialmente no segundo trimestre. É um período em que a anatomia da paciente ainda permite um posicionamento confortável na maca e o feto já superou as etapas mais sensíveis do desenvolvimento inicial.
Em certas situações clínicas, o especialista pode solicitar exames complementares de imagem digestiva mais detalhados para avaliar as paredes dos órgãos ou estruturas vizinhas. Nesses momentos, muitas pacientes temem o desconforto e questionam se a ecoendoscopia alta causa dor.
A resposta para essa dúvida traz alívio. O procedimento é totalmente indolor, pois é realizado sob efeito de sedação ou anestesia leve direcionada para o perfil de segurança da gestante, garantindo que ela durma e não sinta qualquer incômodo físico durante o exame.
Os riscos ocultos de tentar resolver por conta própria
Diante de crises agudas de refluxo ou dor epigástrica, a tentação de buscar alívio rápido na caixinha de remédios é grande, embora essa automedicação represente um risco sério no período gestacional.
Uma pesquisa sobre saúde materna publicada na revista Health of Humans reforça que vários medicamentos comuns de farmácia, como antiácidos, ultrapassam a placenta e alcançam o bebê. Essas substâncias podem interferir no desenvolvimento do feto ou alterar o ritmo cardíaco e a pressão da gestante. Nenhuma medicação deve ser consumida sem consultar o médico que acompanha o pré-natal.
Quando acionar a equipe médica?
A diferenciação entre os desconfortos normais da gravidez e sintomas que exigem investigação especializada nem sempre é simples para a paciente. Recomendações do American Journal of Gastroenterology destacam alguns sinais do corpo que servem como aviso de que é hora de buscar avaliação imediata:
Recomenda-se buscar avaliação profissional imediata diante dos seguintes casos de incapacidade de manter a alimentação, quando vômitos frequentes que causam perda de peso significativa ou sinais de desidratação; dor abdominal intensa, como pontadas fortes localizadas na região do estômago que não melhoram com o repouso ou que irradiam para as costas; e sinais de sangramento, especialmente presença de sangue no vômito ou fezes extremamente escuras, semelhantes a borra de café.
Diante de qualquer sinal atípico, a consulta com o obstetra deve ser o primeiro passo. O especialista irá determinar se o tratamento pode ser feito de forma conservadora, com mudanças na dieta e remédios seguros, ou se é o momento de encaminhar a gestante para investigar o estômago com apoio gastroenterológico.

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