O governo federal tem a expectativa de disponibilizar mais 400 Unidades Odontológicas Móveis (UOMs) até março, somando-se às 400 já entregues no ano anterior. A informação foi divulgada nesta terça-feira (28) por Edson Hilan Gomes de Lucena, coordenador-geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, durante sua participação no Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, realizado no Expo Center Norte.
"Até o mês de março, teremos um total de 800 novas unidades móveis, que serão destinadas a todas as unidades federativas do país", afirmou Lucena em entrevista à Agência Brasil.
Essas unidades integram o programa Brasil Sorridente, uma iniciativa focada em proporcionar acesso a serviços odontológicos para populações com acesso restrito, abrangendo comunidades indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua e famílias assentadas. Conforme o ministério, o propósito é assegurar assistência odontológica universal.
A estratégia abrange desde procedimentos de atenção primária até intervenções mais especializadas, como tratamentos endodônticos e a disponibilização de próteses dentárias.
"O Brasil Sorridente, enquanto política nacional de saúde bucal, possui a missão de estender os cuidados odontológicos a todos os cidadãos brasileiros", declarou o coordenador.
Gomes de Lucena explicou que a unidade móvel constitui um dos pilares do programa, funcionando como um consultório odontológico totalmente equipado em um veículo. Ela conta com aparelho de raio X, cadeira odontológica e instrumentos para realizar restaurações, extrações e procedimentos preventivos, permitindo que a equipe de saúde bucal alcance regiões mais remotas, como áreas rurais, quilombos, assentamentos e atenda a população em situação de rua.
Como exemplo, em setembro do ano anterior, Mâncio Lima, no Acre, foi uma das cidades a receber uma Unidade Odontológica Móvel (UOM), o que facilitou o acesso de comunidades ribeirinhas a tratamentos odontológicos. Para isso, as equipes locais desenvolveram uma balsa, onde a unidade foi instalada, possibilitando que o atendimento chegasse às comunidades por via fluvial.
Congresso
Durante a entrevista concedida à Agência Brasil no congresso, Lucena revelou que o governo federal também pretende expandir a gama de tratamentos disponíveis nas unidades móveis. A ideia é que elas possam oferecer procedimentos como tratamento de canal e confecção de próteses dentárias com fluxo digital, tecnologia que proporciona restaurações mais céleres e exatas.
"Estamos desenvolvendo um projeto-piloto para próteses dentárias com fluxo digital no município de Cavalcante, em Goiás, e o lançamento deve ocorrer na próxima semana", informou. Ele detalhou que, com esse equipamento, a boca do paciente é escaneada para a impressão da prótese, permitindo que, no retorno, o paciente já receba o item. "Serão doados 500 kits completos para o fluxo digital a diversos municípios brasileiros", complementou.
Retorno do programa
As unidades móveis odontológicas tiveram sua origem em 2009, durante o segundo mandato do governo Lula. Contudo, o programa foi descontinuado em 2015 e só foi reativado em agosto do ano passado, quando passou a ser contemplado com investimentos do Novo PAC Saúde.
Ângelo Giuseppe Roncalli Costa Oliveira, professor e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), coordenou um censo para avaliar a ação. O estudo, realizado em 267 municípios brasileiros que receberam unidades móveis até 2017, foi concluído antes da interrupção do programa e já demonstrava o importante papel das unidades odontológicas móveis na ampliação do acesso da população à saúde bucal. "A importância é a ampliação do acesso", enfatizou o coordenador-geral do Ministério da Saúde.
"Em 75% das unidades operacionais, houve um consenso entre gestores e dentistas quanto à significativa ampliação do acesso. Um depoimento frequente era que certas comunidades jamais teriam contato com um profissional da odontologia se não fosse pela presença dessas unidades móveis", complementou Lucena.
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