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Sexta-feira, 12 de Junho 2026
Justiça

Fachin defende STF após Itália apontar parcialidade em pedido de extradição de Zambelli

A Corte de Cassação da Itália negou a extradição da ex-deputada, levantando questionamentos sobre a atuação da justiça brasileira.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Fachin defende STF após Itália apontar parcialidade em pedido de extradição de Zambelli
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, manifestou nesta sexta-feira (12) sua preocupação com a recente decisão da Corte de Cassação da Itália, que negou o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli ao Brasil. A corte italiana apontou suposta parcialidade no julgamento do caso, levando Fachin a defender veementemente a atuação independente e imparcial do STF.

Fachin enfatizou que o Supremo Tribunal Federal agiu com total independência e imparcialidade durante todo o processo. Ele também garantiu que o devido processo legal e a ampla defesa foram integralmente assegurados à ex-deputada.

Em declaração oficial, o ministro afirmou que “a presidência do Supremo Tribunal Federal acompanha com preocupação a recente decisão proferida pela justiça italiana em matéria relacionada à cooperação jurídica entre os dois países”. Ele fez questão de ressaltar que a Corte brasileira sempre demonstrou “marcante deferência aos Estados estrangeiros quando examina pedidos de extradição”.

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Adicionalmente, Fachin saiu em defesa da conduta do ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do caso.

Ele detalhou que, “no caso em questão, foi oferecida denúncia pela Procuradoria-Geral da República pela prática de crimes de invasão a dispositivo informático e falsidade ideológica”. A denúncia, segundo Fachin, “foi recebida por unanimidade pela Primeira Turma, que referendou as decisões monocráticas do eminente relator, ministro Alexandre de Moraes”.

Detalhes da sentença italiana

A Corte de Cassação da Itália, última instância judicial do país, rejeitou em 22 de maio o pleito do governo brasileiro pela extradição da ex-parlamentar. Consequentemente, Carla Zambelli foi libertada e agora aguarda o desenrolar final do processo em solo italiano.

A íntegra da sentença, com os fundamentos da decisão, foi oficialmente divulgada na manhã desta sexta-feira.

No cerne da decisão, os magistrados italianos apontaram a suposta parcialidade do ministro Alexandre de Moraes na condução do caso. A sentença argumenta que Moraes atuou simultaneamente como “juiz e vítima” ao ser o relator da ação penal que resultou na condenação de Zambelli.

Carla Zambelli havia sido condenada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a uma pena de 10 anos de prisão. A condenação se deu pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), um incidente registrado em 2023.

As investigações apontaram Zambelli como a mentora intelectual por trás da invasão, cujo objetivo era emitir um falso mandado de prisão contra o próprio ministro Alexandre de Moraes.

Antes que a pena pudesse ser executada, Zambelli partiu para a Itália, país do qual possui dupla cidadania. Foi então que o governo brasileiro formalizou o pedido de extradição.

Precedente na Espanha

A recusa da extradição de Carla Zambelli marca o segundo caso em que um pedido brasileiro, com relatoria de Moraes, é negado por uma corte estrangeira.

Em dezembro do ano anterior, a Justiça da Espanha já havia negado de forma definitiva o pedido de extradição do blogueiro Oswaldo Eustáquio. Ele é investigado pelo STF por suposto envolvimento em atos antidemocráticos.

A decisão espanhola justificou a negativa afirmando que Eustáquio não poderia ser extraditado ao Brasil por ser alvo de uma investigação com “motivação política”. Este caso também tem o ministro Alexandre de Moraes como relator.

O blogueiro, que tinha um mandado de prisão em aberto no Brasil desde 2020, havia fugido para a Espanha. As investigações indicavam que ele teria impulsionado ataques extremistas contra o STF e o Congresso Nacional através das redes sociais.

FONTE/CRÉDITOS: André Richter - Repórter da Agência Brasil

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