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Quinta-feira, 04 de Junho 2026
Brasil/Mundo

Especialistas ressaltam a importância de cuidados para um carnaval seguro

Aumentar a ingestão de líquidos, como água e isotônicos, e manter uma alimentação equilibrada são medidas fundamentais para prevenir mal-estar e desidratação durante a folia.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Especialistas ressaltam a importância de cuidados para um carnaval seguro
© Foto Antônio Cruz/ Agência Brasil.
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Manter a saúde em dia exige atenção constante, mas durante o carnaval, período de grande euforia e agitação, a necessidade de precauções se intensifica, especialmente para quem acompanha os blocos e cortejos pelas cidades.

A nutricionista Anete Mecenas, coordenadora do curso de Nutrição da Universidade Estácio, destacou à Agência Brasil que a hidratação é a principal prioridade, visto que os foliões passarão longos períodos sob o sol e em altas temperaturas. A recomendação é consumir, no mínimo, dois litros de água diariamente para compensar a perda de líquidos.

“O foco deve ser o aumento da ingestão de água, água de coco e bebidas isotônicas, que são essenciais para evitar o mal-estar provocado pela desidratação. Outro ponto crucial é não negligenciar as refeições, evitando longos intervalos sem comer. Isso previne a queda de glicemia e tonturas, sendo fundamental fazer refeições leves e em horários regulares”, explicou.

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Ela sugeriu opções como iogurtes, frutas, sanduíches naturais, castanhas e barras de cereais orgânicas, que contêm menos conservantes e corantes. A alternância desses alimentos e a regularidade na alimentação são vitais para prevenir tonturas e hipoglicemia. É preferível optar por alimentos de fácil digestão e evitar preparações com maionese, devido ao risco de má conservação e contaminação.

Também é imprescindível ter cautela com alimentos de origem duvidosa ou que não foram armazenados adequadamente. Sanduíches naturais mantidos em isopores por muito tempo ou churrasquinhos com carnes expostas à temperatura ambiente aumentam significativamente o risco de infecções intestinais, como a gastroenterite bacteriana.

O mesmo cuidado se aplica aos alimentos ultraprocessados, que são ricos em gordura, sódio e açúcar. “Essas opções, embora possam ter uma absorção rápida, não oferecem a nutrição necessária. Em um cenário de desidratação, consumo de álcool e alta ingestão de açúcar e gordura, a digestão tende a ser mais lenta, podendo gerar hiperglicemia seguida de hipoglicemia. Além disso, o excesso de corantes e conservantes pode causar desconforto gastrointestinal e falta de nutrientes”, alertou a nutricionista.

Por isso, a orientação é priorizar alimentos minimamente processados, como frutas, verduras e legumes. Sempre que possível, o ideal é realizar uma refeição mais completa.

“É mais benéfico ir a um restaurante próximo e consumir arroz, feijão, legumes cozidos e frango, do que optar por um pacote de biscoitos ou uma lasanha pronta. As primeiras são refeições mais leves, nutritivas e, consequentemente, contribuem para um maior equilíbrio do corpo”, indicou Anete Mecenas.

Em relação ao consumo de álcool, a especialista recomendou intercalar com a ingestão de água para evitar a desidratação e, sobretudo, não beber em jejum, o que pode intensificar o desconforto. Para o período pós-folia, a dica é focar em uma alimentação rica em proteínas (frango, peixe), verduras, legumes e frutas, a fim de repor vitaminas e minerais que auxiliam na reparação tecidual, no equilíbrio geral e na recuperação da saúde.

Controle de danos

O cirurgião gastroenterologista Rodrigo Barbosa, membro do corpo clínico do hospital Sírio Libanês, reiterou que a hidratação atua como um “controle de danos”, termo usado na medicina, especialmente no carnaval. Esta época do ano combina diversos fatores de risco conhecidos, como a privação de sono, exposição intensa ao calor e ao sol, consumo de álcool e alimentação irregular, principalmente para quem participa dos blocos de rua e está sujeito a alimentos contaminados, “muito comuns nas barraquinhas em nosso Brasilzão”, conforme afirmou à Agência Brasil.

“O resultado disso aparece nos prontos-socorros todos os anos: diarreia, vômito, desidratação, refluxo severo, crises intensas de gastrite e, em muitos casos, hepatites alcoólicas, que são bastante frequentes neste período”, observou.

Rodrigo Barbosa enfatizou, contudo, que muitas dessas ocorrências são evitáveis e podem ser prevenidas ao máximo.

Segundo o cirurgião, o ponto mais importante é a hidratação. A perda hídrica pelo suor, o efeito do álcool e longos períodos em pé diminuem o fluxo sanguíneo gastrointestinal, favorecendo constipação, dor abdominal e queda da imunidade.

“Portanto, beber bastante água ao longo do dia é essencial. Existe um valor mínimo de 35 ml de água por quilo de peso, que deve ser o mínimo absoluto que uma pessoa deve ingerir, especialmente quando exposta a riscos de desidratação”, orientou.

O médico confirmou a sugestão da nutricionista sobre a importância de intercalar a ingestão de água com o álcool. “Se você está tomando uma cerveja ou um drinque na praia, deve alternar com água para manter a hidratação celular”. Outra medida eficaz para a hidratação é consumir bebidas isotônicas, garantindo que a pessoa não sofra distúrbios eletrolíticos, principalmente em casos de fezes mais soltas ou diarreia.

Para o cirurgião, o álcool é, sem dúvida, o elemento que mais irrita a mucosa gástrica, aumentando o risco de gastrite e refluxo, alterando a motilidade intestinal e facilitando a permeabilidade do intestino a infecções transitórias. No que diz respeito ao álcool, ele alertou sobre a procedência desconhecida de bebidas vendidas nos blocos.

“Muitas dessas bebidas não são comercializadas por vendedores regularizados, e sua origem é incerta. Por isso, é muito importante estar atento ao que e onde você está consumindo, pois intoxicações por metanol podem ter consequências extremamente graves”, lembrou o médico.

Ele também ressaltou a necessidade de dormir bem. “Muitas vezes, as pessoas querem ir a todas as festas possíveis e imagináveis, acabando por beber em excesso e dormir pouco. A privação de sono também aumenta a permeabilidade intestinal e pode gerar problemas”.

Barbosa destacou a importância de ter muito cuidado com o uso de medicamentos, especialmente anti-inflamatórios e antiácidos em excesso. “Os anti-inflamatórios podem causar úlceras, piorar a gastrite e provocar sangramentos digestivos, enquanto os antiácidos, muitas vezes, mascaram esses sintomas, levando a um agravamento do quadro”. Ele enfatizou ainda a necessidade de procurar um pronto-socorro e não tentar normalizar sintomas, como se fossem típicos do carnaval.

“Se a diarreia persistir por mais de 48 horas, ou se houver vômitos, febre, sangue nas fezes ou dor abdominal progressiva, procure um pronto-socorro imediatamente para receber tratamento, que pode incluir hidratação intravenosa e antibióticos, a fim de controlar os sintomas e evitar complicações”, pontuou.

Complicações cardiovasculares

O cardiologista Leandro da Silva Elias, médico emergencista e professor do Instituto de Educação Médica (Idomed), alertou que o calor intenso, característico do carnaval, pode sobrecarregar o coração e o sistema circulatório, elevando o risco de complicações cardiovasculares.

Nessas condições, o corpo precisa trabalhar mais para dissipar o calor e manter a temperatura estável. Os principais efeitos das altas temperaturas incluem aumento da frequência cardíaca, queda da pressão arterial, desidratação e desequilíbrio eletrolítico, maior esforço cardíaco e um risco elevado de coágulos e acidente vascular cerebral (AVC).

Os grupos de maior risco são crianças, bebês, idosos e pessoas com comorbidades, como obesos, diabéticos, cardiopatas e pacientes renais crônicos. “Essas pessoas precisam de uma atenção redobrada”, afirmou.

Um dos perigos mais importantes a ser observado é a desidratação, conforme Elias. “Nosso sistema cardiovascular sofre muito com a perda de líquidos, o que gera uma repercussão significativa. Associada ao álcool, a desidratação pode piorar ainda mais e desencadear problemas como arritmias, desmaios e tonturas, que podem levar o folião ao hospital”.

Suor excessivo pode ser um sinal de alerta, assim como tonturas, falta de ar e cansaço incomum. “Alguns pacientes desmaiam sem histórico prévio de hipotensão”. Por isso, o cardiologista reafirmou que, ao sentir dor de cabeça, sensação de desmaio ou tontura, o folião deve se preocupar e aumentar a ingestão de líquidos para se hidratar.

O médico destacou que, em condições de calor excessivo e exposição solar, a pessoa pode sofrer insolação, também conhecida como golpe de calor. Esta é uma condição grave, causada pela exposição prolongada ao calor e à radiação solar, quando o corpo perde a capacidade de regular sua própria temperatura. A temperatura corporal pode ultrapassar 40°C, resultando em danos cerebrais, falência de órgãos e, se não tratada rapidamente, até mesmo a morte.

O médico também alertou para o uso de drogas durante o carnaval.

“Sabemos que, apesar dos prejuízos, muitos foliões consomem drogas neste período de festas. Isso afeta consideravelmente o coração e pode intensificar palpitações. Quando associado à falta de líquidos, o quadro pode se agravar rapidamente. O uso de drogas no carnaval é uma realidade que traz grandes malefícios à saúde do folião, e é preciso ter muito cuidado”, recomendou o médico.

FONTE/CRÉDITOS: Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

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