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Terça-feira, 16 de Junho 2026
Economia

Dólar e petróleo disparam após ofensiva militar no Irã

Os valores do petróleo no cenário global registraram forte alta na manhã de segunda-feira (2), no primeiro dia útil subsequente à ação militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que resultou na morte de centenas de indivíduos, entre eles o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano, e outros membros da alta cúpula do governo.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Dólar e petróleo disparam após ofensiva militar no Irã
© Valter Campanato/Agência Brasil
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O valor do petróleo no mercado global experimentou uma elevação acentuada na manhã de segunda-feira (2), marcando o primeiro dia útil após a operação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Esse conflito resultou na perda de centenas de vidas, incluindo a do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano, e de outras figuras proeminentes do alto escalão governamental.

Por volta do meio-dia, o contrato futuro do petróleo Brent, considerado um benchmark global para o produto, estava sendo negociado em Londres próximo aos US$ 79 por barril, um incremento de aproximadamente 7,6%.

Enquanto isso, o petróleo WTI, transacionado em Nova York, alcançava a cotação de pouco mais de US$ 71 por barril, o que corresponde a um avanço de cerca de 6%.

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Essas commodities são negociadas ininterruptamente durante os dias úteis, e seus preços flutuam conforme as tendências e o sentimento do mercado.

No cenário doméstico, próximo das 13h, os papéis da Petrobras eram negociados na B3, a bolsa de valores de São Paulo, por R$ 44,39, registrando uma valorização de 3,90%.

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Estreito de Ormuz

Analistas do setor indicam que a valorização do petróleo é um reflexo direto da apreensão gerada pela conjuntura no Estreito de Ormuz.

Essa importante passagem marítima, localizada ao sul do Irã, conecta os golfos Pérsico e de Omã, sendo a rota por onde transita aproximadamente 20% da produção global de petróleo e gás.

Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating, agência de classificação de risco de crédito, esclareceu à Agência Brasil que o Estreito de Ormuz constitui a rota marítima primordial para o escoamento de petróleo de grandes nações produtoras como Irã, Arábia Saudita e Iraque, que são importantes fornecedores dessa commodity.

“Este é o elemento crucial que impulsiona a disparada dos preços do petróleo. Com o Estreito de Ormuz bloqueado, a oferta diminui drasticamente e, como resultado, os valores se elevam de maneira quase instantânea”, afirmou.

No sábado, data dos ataques iniciais, foram reportadas centenas de embarcações imobilizadas e ancoradas, incapazes de cruzar o estreito.

Sartori recorda que o barril de Brent atingiu um pico de valorização de 13% nesta segunda-feira, ultrapassando a marca dos US$ 80. Para ele, essa elevação é "sintomática, pois revela a extrema volatilidade dos preços em contextos de conflito".

Na avaliação de Sartori, enquanto a instabilidade persistir e o Estreito de Ormuz permanecer inacessível, a expectativa é que os preços do petróleo se mantenham em patamares elevados, "podendo até mesmo subir à medida que os estoques disponíveis diminuam".

Problema logístico

Otávio Oliveira, gerente da tesouraria do Banco Daycoval, ressalta que a inquietude mundial não se concentra na capacidade de produção de petróleo, mas sim nos desafios logísticos envolvidos.

Segundo Oliveira, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) já havia comunicado no domingo (1º) um incremento na produção, visando assegurar o abastecimento do combustível.

Ele pondera que "a Opep possui capacidade produtiva ociosa suficiente para compensar a ausência do Irã, caso o país seja excluído da equação global de produção de petróleo".

Contudo, o gerente destaca a complexidade logística do Estreito de Ormuz. "É, de fato, um local estreito; bastaria pouco para bloqueá-lo. Um conflito, então, tornaria a situação ainda mais crítica", comenta o tesoureiro do banco, que é especializado em crédito, investimento e câmbio.

Conforme Oliveira, a paralisação do tráfego marítimo resultaria em um "caos generalizado" nas cadeias produtivas. Em sua perspectiva, mesmo o Brasil sendo um exportador de petróleo, o país poderia sofrer impactos ao importar derivados do óleo bruto, que chegariam com preços elevados.

Inflação

O economista Rodolpho Sartori salienta que, se o conflito se prolongar, o encarecimento do petróleo pode gerar a necessidade de reajustes nos preços para o consumidor final, o que resultaria em um "novo surto inflacionário".

Otávio Oliveira, do Banco Daycoval, não descarta que o cenário de conflito possa influenciar na redução da intensidade dos cortes de juros no Brasil.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central já havia informado sua intenção de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, durante a reunião de março.

Ele observa que "existe a possibilidade de esse corte de juros ser mais modesto, talvez não de 0,50 ponto percentual (p.p.), mas sim de 0,25 p.p.".

Atualmente, a Selic encontra-se em 15% ao ano. Uma taxa mais baixa tende a estimular a atividade econômica e a criação de empregos.

Dólar

O dólar igualmente registrou valorização nesta segunda-feira, quebrando uma sequência de quedas observadas nas últimas semanas, período em que havia alcançado seu menor patamar em 21 meses.

Por volta do meio-dia, a cotação da moeda americana se aproximava de R$ 5,20, o que representa um aumento de quase 1%.

Otávio Oliveira, do Daycoval, esclarece que, inicialmente, observa-se um fenômeno conhecido como "fuga do risco", no qual investidores transferem seus capitais de nações emergentes, vistas como mercados de maior risco, para economias mais estáveis e consolidadas.

Ele detalha que "ocorre a venda do real e a aquisição de outros ativos, como o próprio dólar, que ganha força globalmente, e outras moedas frequentemente buscadas em momentos de incerteza, como o iene japonês".

A valorização de uma moeda acontece quando há grande demanda por ela, enquanto a desvalorização ocorre com a sua massiva venda.

Rodolpho Sartori, da Austin Rating, avalia o panorama do dólar como complexo. Ele afirma que "em épocas anteriores, incertezas globais provocariam um dólar mais robusto, mas agora parece que estamos presenciando uma mudança de paradigma".

O economista considera que a dinâmica geopolítica associada à administração do presidente Donald Trump gera incertezas que "têm exercido pressão contrária à própria moeda americana".

Sartori estima que "parece natural que haja uma recuperação do dólar nos dias iniciais do conflito, mas o cenário de valorização abrupta da moeda americana em razão de tensões, como ocorria antes, já não é o mesmo. Acredito que o dólar continuará a flutuar na faixa entre R$ 5,20 e R$ 5,25".

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil

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