Instaurada pela Lei 11.584/2007, o “Dia Nacional de Doação de Órgãos", que acontece nesta segunda-feira, 27, busca promover a conscientização da população sobre a importância da doação de órgãos e tecidos no país. O Brasil possui atualmente o maior programa público de transplantes do mundo.
O processo para doação de órgãos possui várias etapas que vão desde a captação até o implante do órgão em pacientes que estão na fila para recebê-lo. A partir da doação, ocorre uma listagem dos pacientes inscritos no Sistema Nacional de Transplante que, de acordo com a compatibilidade, receberão o órgão doado.
Segundo os dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), entre janeiro e junho deste ano houve cerca de 10.377 mil doações no país. Pelo levantamento da Secretaria de Saúde (SS), para o mesmo período acima, houve um acréscimo de 16% nos números de transplantes realizados no município em relação ao ano passado. Até junho deste ano foram 94 procedimentos, sendo que a maioria foi transplantes de rim, totalizando 72 transplantes.
Os números são positivos, mas podem melhorar, pois ainda há certa resistência em muitas famílias quando é declarada a morte encefálica. Este tipo de óbito é caracterizado pela completa e irreversível parada de todas as funções do cérebro e seu diagnóstico segue padrões rigorosos definidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), através da Resolução n° 1480/97.
De acordo com a médica do Serviço de Transplantes da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, Camila Marinho, “após o diagnóstico [de morte encefálica] há uma abordagem multidisciplinar com os familiares e, com a presença do médico responsável pelo paciente, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais que dão suporte emocional para o momento e trazem orientações e esclarecimentos sobre a importância da doação”.
Atualmente alguns transplantes, como de medula, rim e fígado, podem ser realizados por pessoas vivas. Para isso, “os doadores vivos devem manifestar desejo espontâneo e voluntário para doação, podendo doar para parentes ou receptores não aparentados, o que depende de autorização judicial”, explica a médica.
O momento da perda de um ente é sempre muito difícil, porém, é possível levar esperança para pessoas que estão na fila para receber um órgão que pode ser a salvação de uma vida. Esse sentimento é compartilhado por Camila. “Trabalhar com transplante de órgãos é uma tarefa de grande responsabilidade e envolvimento. É muito gratificante poder oferecer um tratamento que traz funcionalidade e melhora a qualidade de vida dos pacientes que convivem com tantas limitações”, completa a médica.
Vale lembrar que o diagnóstico para saber se a pessoa necessita de uma doação depende da avaliação de um médico especialista que, com base no histórico e a condição de saúde do paciente, vai traçar a melhor terapia para aquele caso.
