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Segunda-feira, 08 de Junho 2026
Justiça

Centenas em São Paulo clamam por justiça para o cão Orelha

Manifestantes exigem punição para adolescentes que torturaram o cão Orelha, que morreu após não resistir aos ferimentos.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Centenas em São Paulo clamam por justiça para o cão Orelha
© Letycia Bond/ Agência Brasil
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Centenas de pessoas se reuniram neste domingo (1º) na Avenida Paulista, em São Paulo, para exigir das autoridades a responsabilização dos adolescentes envolvidos na tortura do cão vira-lata Orelha. O animal, que vivia sob os cuidados de uma comunidade na Praia Brava, litoral de Santa Catarina, foi brutalmente agredido em 4 de janeiro e, um dia depois, precisou ser eutanasiado devido à gravidade de seus ferimentos.

Os participantes do protesto, em sua maioria vestidos de preto e com camisetas estampadas com a imagem do cão, exibiam frases como "Não foi só um latido, foi um chamado por justiça!". Adesivos com mensagens similares foram distribuídos entre o público, que contava com pessoas de diversas idades, muitas delas acompanhadas por seus próprios animais de estimação.

Iniciada às 10h em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), a manifestação se estendeu até as 13h, impulsionada por gritos de ordem como "Não são crianças, são assassinos!" e "Não vai cair no esquecimento!". Cartazes defendendo a redução da maioridade penal eram visíveis em alguns pontos do ato.

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A psicóloga Luana Ramos, presente no evento, manifestou-se a favor da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, tema que tem ganhado destaque no Congresso Nacional, especialmente na Câmara dos Deputados. A proposta abrange crimes violentos, incluindo os hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.

"Se fossem quatro meninos pretos, teriam sido linchados. Já teriam feito justiça com as próprias mãos, enquanto os quatro meninos brancos, ricos, estão indo à Disney. Isso não pode mais acontecer", declarou Luana, criticando a disparidade de tratamento.

Reagindo às tentativas dos pais dos agressores de minimizar a gravidade do ocorrido, Luana acrescentou: "Erro não é isso. Erro dá para consertar. Isso não dá para consertar, não tem como voltar atrás. Foi assassinato, crueldade", fazendo referência a posts online onde a mãe de um dos envolvidos alegava que tudo não passou de um equívoco.

Adicionalmente, foi revelado que os pais de dois dos adolescentes e um tio teriam tentado coagir testemunhas para impedir seus depoimentos. Os jovens estão sendo investigados por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos.

A advogada Carmen Aires, que levou seus dois cachorros adotados e sua filha à Paulista, expressou profunda indignação. Para ela, Orelha seria a segunda vítima dos jovens catarinenses, que já teriam causado o quase afogamento de outro cão.

Carmen defende que adolescentes de 15 anos já deveriam ser legalmente responsabilizados e considera as penalidades atuais para crimes contra animais excessivamente brandas. "São muito brandas, praticamente não existem. Não resolveram nada, tanto é que continuam acontecendo. A lei é recente, mas deve ser revista, porque atrocidades estão sendo feitas e a gente não aceita mais isso, ver o noticiário, as redes sociais", pontuou.

A instituição Ampara Animal, por meio de seu site, oferece materiais educativos para a reeducação social, alertando para a conexão entre a violência contra animais e a violência praticada contra mulheres.

O casal Thayná Coelho e Almir Lemos, de Belém, que passeava pela capital paulista e aderiu espontaneamente à manifestação, foi questionado sobre a possível influência da cor dos jovens em seu comportamento. Ambos responderam em uníssono: "Com certeza."

O publicitário Almir criticou a percepção de direito e impunidade: "A cor, a classe social. Acharam que tinham o direito e simplesmente foram e fizeram. As filmagens são muito claras. Eles não fizeram como se fosse um crime, mas como se estivesse dentro do direito deles." Ele alertou ainda para a gravidade do ato, questionando: "Foi muito sádico o ato, chocante. Hoje foi um cachorro. E amanhã? Eles acham que as vidas pertencem a eles, que têm direito de tirar as vidas?"

Thayná Coelho complementou a análise, associando o comportamento ao privilégio: "Tem muito a ver também com o que é prometido a eles. O branco, principalmente o homem branco, classe média, classe média alta. É prometido a eles um privilégio. Eles sabem que têm esse privilégio. Acham que o mundo é deles, que podem matar. Não só um cachorro, mas mulheres. Imagine as namoradas deles."

"Estamos vendo, por esse caso do Orelha, que é apenas a ponta do iceberg, mas que há maus-tratos todos os dias, a cada minuto e nada é feito. As organizações não governamentais (ONGs) é que, com muito sacrifício, com protetores independentes, conseguem minimizar o sofrimento desses animais", concluiu um dos manifestantes, ressaltando a urgência da questão.

FONTE/CRÉDITOS: Letycia Bond - Repórter da Agência Brasil

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