A Câmara dos Deputados concluiu, na madrugada desta quarta-feira (10), a votação de um projeto de lei que impacta diretamente as sentenças dos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Com um placar de 291 votos a favor e 148 contra, os parlamentares aprovaram um texto que suaviza o cálculo das penas e facilita a progressão de regime prisional.
A proposta contou com adesão majoritária da bancada de Minas Gerais, uma das mais influentes do Congresso Nacional. O texto aprovado é um substitutivo do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) e, embora tenha retirado o termo "anistia ampla", estabelece mecanismos que reduzem significativamente o tempo de cárcere.
Mudança no cálculo e retroatividade
A principal alteração legislativa diz respeito ao concurso de crimes. Pela nova regra, quando os delitos de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado ocorrerem no mesmo contexto, as penas não serão mais somadas. Prevalecerá apenas a punição mais grave (entre 4 a 12 anos).
Como a lei penal brasileira prevê a retroatividade em benefício do réu, a medida pode levar a revisões de penas já estipuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Especialistas apontam que a mudança beneficia inclusive o chamado "núcleo duro" das investigações, podendo impactar eventuais condenações de figuras políticas como o ex-presidente Jair Bolsonaro e ex-comandantes militares.
Progressão de regime e "efeito multidão"
O projeto também flexibiliza as regras para a progressão de pena. Atualmente, condenados por crimes com violência ou grave ameaça precisam cumprir 25% da sentença para mudar de regime. O novo texto reduz essa exigência para 16% no caso de réus primários.
Outro ponto de destaque é a criação de atenuantes para crimes cometidos em "contexto de multidão". Participantes que não exerceram liderança ou financiamento dos atos poderão ter suas penas reduzidas de um a dois terços. Além disso, o texto oficializa o uso de estudo ou trabalho para abater dias de pena mesmo no regime domiciliar.
Como votaram os deputados de Minas Gerais
A votação expôs a polarização política, mas em Minas Gerais, o voto "Sim" pela redução das penas venceu com folga. Confira o posicionamento da bancada mineira:
Votaram SIM (A favor da redução de penas)
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Aécio Neves (PSDB)
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Ana Paula Leão (PP)
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Bruno Farias (Avante)
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Delegada Ione (Avante)
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Delegado Marcelo (União)
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Diego Andrade (PSD)
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Dimas Fabiano (PP)
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Domingos Sávio (PL)
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Dr. Frederico (PRD)
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Emidinho Madeira (PL)
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Eros Biondini (PL)
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Euclydes Pettersen (Republicano)
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Fabiano Cazeca (PRD)
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Fred Costa (PRD)
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Greyce Elias (Avante)
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Hercílio Diniz (MDB)
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Junio Amaral (PL)
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Lafayette Andrada (Republicano)
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Lincoln Portela (PL)
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Luis Tibé (Avante)
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Marcelo Álvaro (PL)
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Mauricio do Vôlei (PL)
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Misael Varella (PSD)
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Nikolas Ferreira (PL)
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Paulo Abi-Ackel (PSDB)
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Pinheirinho (PP)
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Rafael Simoes (União)
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Rodrigo de Castro (União)
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Rosângela Reis (PL)
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Samuel Viana (Republicano)
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Sergio Santos (Podemos)
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Stefano Aguiar (PSD)
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Weliton Prado (Solidariedade)
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Zé Silva (Solidariedade)
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Zé Vitor (PL)
Votaram NÃO (Contra a redução de penas)
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Ana Pimentel (PT)
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André Janones (Avante)
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Célia Xakriabá (PSOL)
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Dandara (PT)
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Duda Salabert (PDT)
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Igor Timo (PSD)
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Leonardo Monteiro (PT)
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Mário Heringer (PDT)
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Miguel Ângelo (PT)
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Odair Cunha (PT)
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Padre João (PT)
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Patrus Ananias (PT)
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Paulo Guedes (PT)
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Reginaldo Lopes (PT)
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Rogério Correia (PT)
Ausentes: Gilberto Abramo (Republicano), Luiz Fernando (PSD) e Newton Cardoso Jr (MDB).
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