A votação da proposta que visa estabelecer um novo regime para o resgate ou a liquidação de instituições financeiras, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 281/19, foi postergada. O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), em um dia em que a matéria estava prevista para ser deliberada em Plenário.
Segundo Motta, embora a relevância do tema para o mercado financeiro seja inquestionável, a discussão em torno do projeto tem sido obscurecida por uma "nuvem de fumaça". Ele enfatizou a importância de conceder mais tempo para o amadurecimento da proposta, a fim de refinar seus pontos e evitar interpretações equivocadas sobre sua contribuição para a estabilidade do sistema financeiro nacional.
Elaborado pelo Poder Executivo, o PLP 281/19 busca regulamentar os procedimentos de intervenção e falência aplicáveis a diversas entidades, incluindo instituições do sistema financeiro, do sistema de pagamentos, bolsas de valores, seguradoras, sociedades de capitalização e fundos de previdência complementar.
O deputado Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), relator da matéria, também solicitou o adiamento, citando uma mudança de posição do governo em relação à aprovação do texto. Queiroz expressou surpresa com a solicitação para a retirada de artigos que, em suas palavras, constituem o "coração do projeto".
Entre os pontos cruciais mencionados pelo relator, está a previsão de socorro governamental a instituições em dificuldades, através de empréstimos ou capitalização temporária. Tal medida seria acionada apenas após o esgotamento de outras opções, como a utilização dos fundos de resolução, que são recursos mantidos pelas próprias instituições para cenários de crise.
Queiroz considerou "incoerente" e antiético prosseguir com a votação de um projeto que, embora originado no Executivo, agora enfrenta certa resistência por parte do próprio governo.
Em um posicionamento anterior, o deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE), vice-líder do governo, esclareceu que o texto foi "rearranjado pelo Banco Central" em um período em que três instituições financeiras estão em processo de falência. Benevides Filho manifestou preocupação, afirmando que a proposta poderia abrir precedentes para a injeção de recursos públicos em bancos falidos.
O parlamentar também criticou a intenção do projeto de transferir a competência sobre operações de crédito que envolvem recursos do Tesouro Nacional do Congresso para o Conselho Monetário Nacional (CMN).
O novo regime de resolução
Conforme a redação original do projeto, o processo de intervenção em instituições financeiras seria rebatizado como "regime de resolução". Nesse novo modelo, órgãos reguladores como o Banco Central, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ou a Superintendência de Seguros Privados (Susep) teriam autonomia para atuar na preservação do sistema, conforme o setor específico.
Essas entidades seriam designadas como as autoridades de resolução, com poderes para gerir crises e evitar impactos sistêmicos.
Aprofunde-se na tramitação de projetos de lei no Congresso Nacional.
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