Aguarde, carregando...

Sábado, 06 de Junho 2026
Saúde

Butantan fabricará medicamento oncológico para o SUS

O pembrolizumabe é uma terapia inovadora que potencializa o sistema imunológico para combater células cancerígenas.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Butantan fabricará medicamento oncológico para o SUS
© Rovena Rosa/Agência Brasil
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O Instituto Butantan e a farmacêutica norte-americana MSD estabeleceram um acordo para que o laboratório público brasileiro passe a produzir um medicamento de ponta contra o câncer destinado a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Esta colaboração é fruto de um processo licitatório iniciado em 2024 pelo Ministério da Saúde.

O pembrolizumabe consiste em uma terapia que impulsiona o sistema imunológico a reconhecer e atacar células cancerígenas. Adicionalmente, representa uma alternativa terapêutica com menor toxicidade em comparação à quimioterapia convencional, apresentando notável eficácia.

Atualmente, o medicamento já é adquirido pelo Ministério da Saúde diretamente da MSD e é utilizado no SUS no tratamento de pacientes com melanoma metastático, uma forma agressiva de câncer de pele que se dissemina para outras partes do corpo.

Publicidade

Leia Também:

Segundo Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, cerca de 1,7 mil indivíduos são tratados anualmente com este medicamento, com um custo aproximado de R$ 400 milhões.

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) analisará a inclusão do tratamento para casos de câncer de colo de útero, esôfago, mama triplo-negativo e pulmão. A MSD estima que essa ampliação possa elevar a demanda para aproximadamente 13 mil pacientes por ano.

Fernanda de Negri ressalta que um dos benefícios centrais da parceria é a potencial redução de custos. O contrato prevê a transferência progressiva de tecnologia, permitindo que, em alguns anos, o Butantan assuma integralmente a fabricação do medicamento. Outras vantagens incluem a prioridade no fornecimento e o avanço tecnológico.

"O foco desta colaboração é uma nova molécula, e o Butantan desenvolverá a capacidade de produzi-la, além de adquirir a expertise para fabricar outras moléculas semelhantes no futuro."

Ela acrescenta que a produção nacional confere maior segurança aos pacientes. "A fabricação local garante aos brasileiros uma maior certeza de que este medicamento não faltará devido a eventos externos que possam interromper as cadeias logísticas."

Capacidade produtiva nacional

A parceria é o resultado de um edital que visava fomentar a cooperação entre entidades privadas, públicas e científicas para desenvolver ou assimilar tecnologias que beneficiem o SUS. Este edital integra uma estratégia nacional que busca a nacionalização de 70% dos insumos de saúde utilizados pelo SUS no prazo de dez anos.

Rodrigo Cruz, diretor executivo de Relações Governamentais da MSD Brasil, explica que o processo de transferência de tecnologia do pembrolizumabe para o Butantan terá início assim que as novas indicações do medicamento no SUS forem aprovadas. A incorporação das etapas de produção ocorrerá gradualmente ao longo de uma década.

"Inicialmente, eles aprenderão as etapas de rotulagem e envase, para depois avançar para a formulação e, finalmente, chegar à fase de produção do medicamento em si. Todas essas etapas estão contempladas no projeto. A produção do IFA [ingrediente farmacêutico ativo] nacional pode levar até oito anos, e a partir daí, a finalização do remédio será 100% nacional."

O anúncio da parceria foi realizado durante o evento Diálogo Internacional - Desafios e Oportunidades para a Cooperação em Tecnologias em Saúde, sediado no Rio de Janeiro. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou remotamente da abertura, enfatizando a relevância das colaborações para o desenvolvimento do país.

"É impossível enfrentar esses desafios sem uma cooperação internacional robusta. A saúde deixou de ser meramente uma política social para se tornar também um pilar central do desenvolvimento econômico, da inovação tecnológica e da geração de empregos qualificados."

O ministro também destacou a estrutura do sistema público de saúde brasileiro. "O SUS não é apenas o maior sistema público universal do mundo, mas também um dos maiores mercados estruturados do planeta em termos de escala, previsibilidade, demanda e capacidade de absorção tecnológica."

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp RCWTV
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR