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Domingo, 14 de Junho 2026
Economia

Banco do Brasil prevê 2026 como período de desafios

A instituição financeira antecipará R$ 5 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos para recompor o caixa, afetado pela liquidação do Banco Master, adiantando cinco anos de contribuições.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Banco do Brasil prevê 2026 como período de desafios
© José Cruz/Agência Brasil/Arquivo
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Mesmo após registrar um lucro de R$ 20,68 bilhões em 2025, o Banco do Brasil antevê um ano de 2026 repleto de desafios.

"Tanto 2025 quanto 2026 se apresentarão como anos desafiadores. Contudo, são desafios que já compreendemos como enfrentar", declarou Tarciana Medeiros, presidente-executiva da instituição, durante uma teleconferência com analistas nesta terça-feira (12), na qual foram apresentados os resultados financeiros.

Posteriormente, em uma entrevista, a presidente do Banco do Brasil reiterou a discussão sobre esses obstáculos, que se manifestaram inicialmente em 2025, impulsionados pela elevada inadimplência no setor do agronegócio.

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"Havíamos experimentado dois anos consecutivos de resultados recordes. Entretanto, 2025 revelou-se um ano complexo, registrando uma diminuição nos lucros comparado ao período anterior, que havia marcado o maior desempenho da história do Banco do Brasil. Observamos um comportamento atípico no segmento agro, com a inadimplência crescendo aproximadamente 500% em 2025 em comparação com a média histórica", detalhou Medeiros.

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Regras contábeis

Ontem (11) à noite, a instituição financeira comunicou um lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões em 2025, representando uma retração de 45,4% em relação a 2024. As novas normativas contábeis e o incremento da inadimplência, especialmente no setor agropecuário, foram fatores que impactaram esse desempenho. Para 2026, o banco estima uma recuperação, com projeção de lucro líquido ajustado variando entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.

Entre as estratégias para o próximo ano, destaca-se a intenção de consolidar a liderança no segmento de crédito consignado para servidores públicos e expandir a participação no consignado destinado a trabalhadores do setor privado.

"Possuímos uma expertise e um histórico notáveis no crédito consignado, operando nessa modalidade desde sua criação. Assim, buscaremos fortalecer ainda mais a posição de liderança do banco neste tipo de crédito", enfatizou a presidente do BB.

Fundo Garantidor de Crédito

Na terça-feira anterior (10), o conselho do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) aprovou um plano emergencial visando a recomposição de seu caixa, severamente afetado pela liquidação do Banco Master. Essa iniciativa busca assegurar que o fundo, que é sustentado por instituições financeiras para salvaguardar depósitos em caso de falências, mantenha liquidez adequada frente aos riscos sistêmicos.

Aporte antecipado

Com o objetivo de reestruturar o FGC, a diretoria do Banco do Brasil anunciou hoje que efetuará um aporte antecipado de R$ 5 bilhões. Para mitigar o impacto financeiro gerado pela liquidação do Banco Master – cujos clientes foram protegidos pelo fundo –, as instituições bancárias concordaram em adiantar o montante correspondente a cinco anos de suas contribuições futuras ao FGC.

O Banco do Brasil, que anualmente contribui com aproximadamente R$ 1 bilhão para o FGC, terá esse valor antecipado por um período de cinco anos. Conforme explicou Geovanne Tobias, vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores do Banco do Brasil, essa movimentação representará apenas um impacto no fluxo de caixa da instituição, com recursos sendo transferidos da tesouraria para o FGC.

Contribuição extraordinária

Além do adiantamento, Tobias informou que o banco fará uma contribuição extraordinária, correspondente a 50% do valor anual, ou seja, cerca de R$ 500 milhões por ano. "Nossas despesas financeiras serão incrementadas em R$ 450 milhões a R$ 500 milhões para essa contribuição adicional ao FGC", declarou o executivo do BB.

"A solidez do FGC é crucial, mas estamos renunciando a receitas, e o órgão regulador tem conhecimento dessa situação", argumentou.

Para a presidente do Banco do Brasil, o FGC serve como um mecanismo de proteção ao investidor, mas não deve ser "empregado como argumento de venda [de ativos]".

"Creio que 2025 e todos os eventos ocorridos neste período oferecem importantes lições para possíveis ajustes na legislação e na regulamentação", afirmou Medeiros.

"No momento em que nós, o mercado e o próprio regulador identificamos falhas em um dos participantes, é fundamental investigar a fundo as causas desses problemas e buscar soluções. Portanto, considero essencial um diálogo aprofundado entre todos os agentes envolvidos para que se alcancem os ajustes indispensáveis, evitando a repetição de tais ocorrências", concluiu.

FONTE/CRÉDITOS: Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil

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