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Terça-feira, 21 de Maio de 2024
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Você é Livre?

Hoje conversamos sobre a liberdade. Será que você é livre ou se sente livre somente porque aceita o que lhe impõem?

Redação
Por Redação
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Você é Livre?
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Olá amigos leitores! Hoje conversamos sobre a liberdade e como estamos preparados ou não para gozar disso. De início digo que nossa conversa não é nem será uma ode à repressão imposta por alguém, mas algo muito mais denso, que é o tolhimento que voluntariamente nos impomos.  

Quando pensamos em liberdade, pensamos no poder de fazer tudo o que se deseja, e gosta. Isso nos deixa uma boa sensação, aquela de que não temos limites, especialmente, nessa nossa sociedade atual, onde o que mais se prega é a “liberdade”.

Recordo-me do meu tempo de adolescente, quando esperei chegar ao segundo grau, hoje ensino médio, para que pudesse ir para o colégio sem precisar de qualquer uniforme, estaria livre para vestir a roupa que quisesse. Qual não foi a minha surpresa, quando percebi que apesar de não ser mais obrigado a usar uniforme, eu e meus colegas nos vestíamos exatamente da mesma forma.

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Ali percebi que esse treco de liberdade é meio esquisito e essa liberdade talvez não fosse de fato uma liberdade. Notei que ao invés de ter minha vestimenta determinada por um agente externo, uma autoridade imposta, eu percebi que estava diante da vontade do outro, da submissão ao que o outro impunha a mim.

Naquela época, não tinha a capacidade de entender os motivos daquela sensação, pois sinceramente não tinha a capacidade para enxergar, e como todo adolescente, precisava me encaixar em um determinado grupo e esse grupo, como todo grupo, impunha a todos os membros um código de comportamento, de vestimenta e de atitude diante da vida.

Hoje, algumas dezenas de anos mais tarde, me encontro com a obra de Jean Paul Sartre e nele aprendi que liberdade é algo mais profundo, quase que inatingível. Sartre dizia: “viver é isto: ficar se equilibrando, o tempo todo, entre escolhas e consequências”. Esse é o grande problema da liberdade. A dificuldade não é fazer a escolha por isso ou aquilo, pelo contrário, o grande dilema da vida é viver com as consequências das escolhas.

Quando entendemos a dimensão do pensamento de Sartre percebemos que na verdade estamos sobre a Espada de Dâmocles, aquela que pairava sobre a cabeça dele preso apenas por um fino fio de crina de cavalo. Ter a verdadeira liberdade é estar diante do risco constante de se ferir ou mesmo de morrer.

Dâmocles, que trocando de lugar com o rei por um dia, estava sendo bajulado, alimentado, eufórico. Quando percebe que sobre sua cabeça pairava uma espada, perde todo o interesse na sua posição e abre mão do poder que tinha. Assim é a liberdade, há que se ter coragem para exercitá-la, pois quando se é livre, fica-se o tempo todo sob ameaça de algo.

Na obra “Assim Falava Zaratustra” Nietzsche afirmava que o “querer liberta: eis a verdadeira doutrina da vontade e da liberdade”. Ele com isso mostra que somente podemos encontrar a liberdade verdadeira quando somos capazes de não mais nos deixar sermos devorados pela vontade do outro, seja quem for o outro.

Esse é justamente o grande dilema da liberdade, pois se de um lado temos que a liberdade é assumir um compromisso corajoso consigo mesmo, quando vamos atrás dessa verdadeira liberdade, se é que ela existe, caímos no que Schopenhauer dizia ser o próprio dilema da liberdade. Para ele somente é possível ser feliz na solidão, mas aqui, cabe ressaltar, ele não falava de uma solidão onde não há ninguém ao lado, mas na solidão de formar compromisso com seus próprios desejos.

Voltando a Sartre: “somos indivíduos livres e nossa liberdade nos condena a tomarmos decisões durante toda a nossa vida. Não existem valores ou regras eternas, a partir das quais podemos no guiar. E isto torna mais importantes nossas decisões, nossas escolhas”.

Vejo o comportamento das pessoas, hoje em dia, e fica cada vez mais claro o que Freud dizia sobre estarmos prontos para a nossa liberdade. Para ele, a maior parte das pessoas não quer, de fato, a liberdade, pois ser livre leva a um trágico encontro de responsabilizar-se por sua própria vida.

Estar sendo controlado por um agente externo nos dá o conforto de viver, deixando o mundo fazer as escolhas por nós e, assim, ficamos como Dâmocles na primeira parte do banquete, quando tudo eram flores por não perceber a presença da espada.

Lacan, quando fala da liberdade faz uma analogia muito boa com a loucura, pois para ele a loucura é o limite da liberdade, por isso muitos atos nossos, quando comprometidos com nossos desejos são taxados como de loucuras.

O cerne da questão da liberdade, se posso resumir o texto até agora, é que seu desejo funciona como um bruxo a conjurar a liberdade como principal feitiço, mas assumir o próprio desejo e chegar ao gozo de sua realização é o que se constitui a verdadeira liberdade. Em outras palavras, ser livre e ser você mesmo é assumir seus anseios e desejos e ir em busca de seus sonhos.

Na sociedade atual, ser livre é viver dentro da caixa em que te colocam, ou seja, usufruía deu ma uma pretensa liberdade que, na verdade, é o cativeiro do seu desejo. Na sociedade atual, onde o grupo é mais forte, o indivíduo é “convencido” a querer o que a maioria quer. Na verdade nada se tem de livre, pelo contrário, aquele que sai da regra, que assume seus desejos, é taxado de louco ou é colocado de lado, tal como um párea.

Lembrando o pensamento de Doe Zantamata: "Não há liberdade maior do que a liberdade de ser você mesmo. Presentei-se com isso e escolha ser você mesmo". termino assim, a coluna com uma afirmação de Jung: “quem olha para o exterior sonha. Quem olha para o interior desperta”. Assim, tal como Gandhi dizia, não são barras de ferro que aprisionam o indivíduo, quem o aprisiona é a sua própria consciência, mas saiba que desejar ser livre causa dor, mas também acredite, somente cresceu quem foi moldado pela dor.

E aí? Após ler esse texto, retomo a pergunta do título: Você é livre?

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