SOB O CÉU DE TEWAHEDO
Em celebração ao Mês da Consciência Negra, a exposição convida o público a mergulhar em uma das expressões mais profundas e antigas da identidade e da espiritualidade do continente africano. A exposição será aberta no dia 03 de novembro as 19:00h no CenPre, Centro de Preservação da Memória Negra de Juiz de Fora, na sede da Secretaria Especial da Igualdade Racial (SEIR) na Av. Rio Branco, 2.234 - Centro (Parque Halfeld). A mostra ficará em cartaz até 30 de janeiro de 2027 e a visitação é de terça a sexta feira das 9:00h as 17:00h e aos sábados das 9:00h as 15:00h. Programação Completa do mês da Consciência Negra.
Rompendo com visões eurocêntricas sobre a história do cristianismo, a mostra fotográfica resgata a herança milenar da Etiópia, um farol de resistência cultural e soberania que preservaram suas tradições sagradas de forma única. No dialeto semítico Ge'ez, da liturgia tradicional etíope, tewahedo quer dizer união e reflete a crença de que as naturezas divina e humana de Cristo estão unidas em uma única natureza.
Através destas fotografias, celebramos a beleza, a dignidade e a profundidade de um povo que moldou suas próprias narrativas de fé e permanência. O coração desta jornada visual pulsa na Igreja Ortodoxa Tewahedo da Etiópia, uma das instituições cristãs mais antigas do mundo, cujas raízes remontam ao século IV.
Através de um olhar fotográfico autoral, a exposição traduz a herança viva da fé etíope, conduzindo o visitante pela grandiosidade das igrejas monolíticas de Lalibela, pelo fervor do Festival Meskel e pela tradição do Cristianismo Ortodoxo Tewahedo. As fotografias de Carlos Hansen capturam a solenidade e o misticismo de seus rituais.
A vivacidade dessa fé ganha cores e movimento nas imagens dedicadas ao Festival Meskel, a celebração que comemora a descoberta da Vera Cruz ou a Verdadeira Cruz de Cristo. O público é transportado para o epicentro da festa, onde a grande fogueira (demera) é erguida no coração da capital, Addis Ababa. O constraste entre o fogo que arde ao entardecer e a multidão de fiéis que canta e dança ao redor das chamas, simbolizando a luz, a renovação e a alegria coletiva que unem a comunidade.
Por fim, a exposição atinge seu ápice ao revelar as monumentais igrejas monolíticas de Lalibela. Esculpidas de cima para baixo diretamente na rocha viva no século XII, essas estruturas representam um dos maiores feitos da engenharia e da arte da humanidade. As imagens detalham a imponência destas igreja e os interiores escuros e cavernosos esculpidos à mão, evocando a atmosfera sagrada dessa "Nova Jerusalém" africana que continua a ser um local vivo de fé e peregrinação.
MINIBIO DO ARTISTA
Carlos Hansen é jornalista com pós-graduação em fotografia e gastronomia. Trabalha há 35 anos com fotojornalismo, cultura, moda e still, com passagem pelo jornal Valor Econômico e lecionando nas escolas SENAC e Techimage.Conhecer a Etiópia era um desejo desde a adolescência, despertado por um ensaio sobre a cidade de Lalibela publicado numa edição da revista National Geographic. A oportunidade apareceu com um trabalho para uma revista de viagens. Voltou uma segunda vez ao local para realizar um trabalho autoral, ocasião em que pode registrar diversos aspectos da cultura etíope com enfase nos retratos de peregrinos e moradores da cidade sagrada de Lalibela e do Festival MESKEL em Addis Ababa.Autor de videoinstalação sobre o trabalho de Luiz Garrido e Frans Krajcberg, exibida na exposição Frans Krajcberg em diálogo com o fotógrafo Luiz Garrido na galeria Pinakotheke em São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza. Teve os ensaios “A Terra das Faces Queimadas” e “Siga as Ondas” projetados em duas edições do Festival De Fotografia de Paranapiacaba e “Siga as Ondas” na edição de 2026 do EXPOSED Torino Photo Festival, na Itália. Participou da 1ª Mostra de Artes Plásticas do Hotel Nacional Rio.Atualmente, além de projetos autorais e do ensino da fotografia, é freelancer na área editorial e publicitária e fabrica conservas, patês e pães artesanalmente.
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