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Domingo, 07 de Junho 2026
Saúde

Vulnerabilidade social impacta altura média de crianças indígenas e nordestinas

Uma pesquisa da Fiocruz, que avaliou 6 milhões de crianças de até nove anos, cruzou informações de saúde e registros em programas sociais do governo federal.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Vulnerabilidade social impacta altura média de crianças indígenas e nordestinas
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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A condição de vulnerabilidade social tem sido associada a uma estatura média inferior em crianças indígenas e de certas áreas do Nordeste brasileiro, com idade até nove anos. Essa média se encontra abaixo dos padrões estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e é menor do que a observada em outras regiões do país.

Tais constatações emergem de um estudo que envolveu a colaboração de pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia).

Fatores como a deficiência na assistência à saúde, alimentação inadequada, alta incidência de enfermidades, precárias condições socioeconômicas e ambientes insalubres são apontados como elementos que comprometem o desenvolvimento infantil.

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Curiosamente, essas mesmas adversidades contribuem para que aproximadamente 30% das crianças no Brasil apresentem sobrepeso ou estejam próximas a essa condição. Isso demonstra que a vulnerabilidade não as resguarda do excesso de peso, mas as expõe a elementos que desequilibram um crescimento saudável.

Para crianças até nove anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece padrões de peso e altura por meio de curvas de crescimento (escore-z), que servem como referência para avaliar um desenvolvimento infantil adequado.

Aos nove anos, o peso médio para meninos situa-se entre 23,2 kg e 33,8 kg, com uma altura que varia de 124 cm a 136 cm. Já as meninas, nessa mesma faixa etária, geralmente pesam entre 23 kg e 33 kg e medem de 123 cm a 135 cm.

Cruzamento de dados

O estudo investigou informações de seis milhões de crianças brasileiras cujas famílias estavam inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), no Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), abrangendo o período do nascimento até os nove anos de idade.

Conforme detalhado por Gustavo Velasquez, pesquisador associado ao Cidacs/Fiocruz BA e coordenador da pesquisa, os especialistas realizaram um cruzamento de informações entre os aspectos de saúde e as condições socioeconômicas da parcela da população brasileira registrada nesses três bancos de dados.

Para avaliar o crescimento e o estado nutricional infantil, foram analisados o peso e a estatura, bem como a sua adequação em relação aos parâmetros estabelecidos pela OMS.

Gustavo Velasquez enfatizou que as descobertas não sugerem que todas as crianças indígenas e das regiões Norte e Nordeste sejam obrigatoriamente de baixa estatura. Contudo, indicam a existência de uma proporção significativamente maior que se enquadraria nessa classificação.

Ele garantiu que "todos os dados são seguros e altamente anonimizados, sem qualquer identificação pessoal. Tratam-se de informações administrativas utilizadas exclusivamente para pesquisas na área da saúde".

Sobrepeso e obesidade

A pesquisa também investigou a prevalência de crianças com peso acima do ideal e, dentro desse grupo, a proporção de indivíduos classificados como obesos, utilizando o Índice de Massa Corporal (IMC) como referência.

"Em relação ao peso, pode-se afirmar que não há uma questão de subnutrição. Pelo contrário, em certas populações, como as das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, observa-se uma prevalência considerável de sobrepeso", declarou o pesquisador.

Fonte: Cidacs/Fiocruz Bahia

Região Sobrepeso Obesidade
Norte 20% 7,3%
Nordeste 24% 10,3%
Centro-Oeste 28,1% 13,9%
Sudeste 26,6% 11,7%
Sul 32,6% 14,4%

Gustavo Velasquez salientou que, em termos populacionais, as crianças brasileiras estão em conformidade ou até superam as referências de peso estabelecidas pela OMS. Ele esclareceu que uma leve superação desses parâmetros não implica necessariamente em gravidade, pois "há sempre uma margem de tolerância".

No entanto, o pesquisador alertou que, dentro da amostra estudada, um número de crianças já apresenta valores de peso considerados anormais.

De modo geral, Velasquez afirmou que a altura média das crianças brasileiras está alinhada com as referências internacionais, indicando um desenvolvimento linear apropriado.

"Contudo, percebemos que, embora o crescimento linear seja adequado, o peso em algumas regiões começa a exceder consideravelmente a norma esperada", pontuou.

O pesquisador destacou que a obesidade infantil também está ligada às condições de nascimento da criança, ressaltando a crucialidade do acompanhamento pré-natal e pós-natal. Esse cuidado é fundamental para garantir um crescimento e desenvolvimento saudáveis, especialmente no âmbito da atenção primária à saúde.

Ele acrescentou que a alimentação representa outro fator primordial para o crescimento saudável das crianças no Brasil.

"Atualmente, presenciamos uma proliferação de alimentos ultraprocessados, reconhecidos como um dos principais fatores para o aumento de peso, não apenas entre as crianças, mas em toda a população", afirmou.

O estudo foi divulgado na revista JAMA Network em 22 de janeiro de 2026 e, na mesma edição, recebeu comentários de pesquisadores internacionais, que sublinharam a necessidade de o mundo absorver as lições extraídas da situação brasileira.

Em relação ao sobrepeso, os especialistas estrangeiros avaliaram que a condição no Brasil não é tão crítica quando comparada a outros países da América Latina. Gustavo Velasquez apontou que a obesidade infantil é significativamente mais elevada em nações como Chile, Peru e Argentina, posicionando o Brasil em um patamar intermediário globalmente nesse desafio.

FONTE/CRÉDITOS: Alana Gandra - repórter da Agência Brasil

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