Na noite desta quarta-feira (27), a rede de urgência e emergência de Juiz de Fora enfrentou uma sobrecarga crítica e atípica. O Hospital de Pronto Socorro (HPS) e a Regional Leste foram surpreendidos por um fluxo massivo e simultâneo de ambulâncias do Samu, que operaram acima da capacidade habitual de encaminhamentos.
A mobilização forçou médicos, enfermeiros e técnicos a reorganizarem os fluxos internos para garantir o acolhimento de pacientes até o limite físico máximo das duas estruturas. O pico de internações e atendimentos ocorreu de forma pulverizada, com casos isolados que não envolviam acidentes graves ou catástrofes com múltiplas vítimas — ocorrências que tradicionalmente centralizam o fluxo no HPS.
Nova plataforma do Estado provocou centralização de ambulâncias
A Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) identificou que o estopim da crise foi uma intervenção direta do Governo de Minas Gerais na central de regulação. O Estado iniciou, de forma unilateral, a substituição do SUSfácil, plataforma digital que organiza os leitos e define de forma estratégica para qual hospital regional cada paciente deve ser transferido.
Com a implantação da nova ferramenta, o sistema apresentou falhas de distribuição, fazendo com que as ambulâncias do Samu concentrassem os fluxos de socorro quase que exclusivamente no HPS e na Regional Leste, ignorando outras unidades de saúde aptas a receber os pacientes na cidade.
[Paciente Emergência] ──► [Samu] ──► [Falha no Novo Sistema do Estado] ──► Concentração Exclusiva: HPS / Regional Leste
(Bloqueio de outros hospitais da rede)
Mudança ignorou alertas e descumpriu ordem judicial
De acordo com a Secretaria de Saúde do município, a substituição do software vinha sendo contestada pelas gestões municipais da região devido à falta de um período de transição técnica adequado e de treinamento das equipes, o que poderia comprometer o histórico clínico e a transferência de informações dos pacientes.
Além dos alertas administrativos, a transição imposta pelo Estado está sob disputa jurídica:
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Ação do Ministério Público: O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ingressou com uma ação civil pública questionando a segurança da nova plataforma e apontando o risco iminente de desassistência à população.
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Liminar Concedida: No dia 22 de maio, a Justiça de Minas Gerais concedeu uma decisão favorável ao pedido do Ministério Público, determinando a suspensão da troca do SUSfácil.
Mesmo com a liminar em vigor proibindo a alteração, o bloqueio do SUSfácil foi operado pelo Estado na noite desta quarta-feira, gerando o travamento na rede de Juiz de Fora.
Monitoramento e Próximos Passos
A Secretaria de Saúde informou que mantém equipes técnicas monitorando o painel de regulação de leitos de forma ininterrupta e que notificou os órgãos de controle técnico e o Ministério Público sobre o descumprimento da medida judicial e os impactos gerados no atendimento da Zona da Mata.
O município segue em contato com a gerência regional do Samu para tentar restabelecer o fluxo equilibrado de distribuição de pacientes entre os hospitais parceiros e conveniados ao SUS.
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