Você sabia que dentro do seu celular, em carros elétricos, turbinas eólicas e até em drones militares existem elementos com nomes exóticos como neodímio, térbio e disprósio? Esses minerais fazem parte do grupo conhecido como terras raras e hoje estão no centro de uma disputa global que envolve interesses econômicos, tecnológicos e militares.
Segundo relatório da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), a demanda mundial por terras raras deve crescer 1.500% até 2050. Esse aumento, muito acima da capacidade atual de produção, tornou o tema estratégico. Com os Estados Unidos tentando reduzir a dependência da China — que domina 70% do mercado — o Brasil passou a ganhar destaque por suas reservas.
O que são terras raras?
Apesar do nome, esses minerais não são exatamente escassos. São 17 elementos químicos, encontrados juntos na natureza e com propriedades muito semelhantes. O desafio está na extração e no refino, processos caros e que exigem tecnologia avançada.
Esses elementos estão presentes em tecnologias modernas e essenciais para a transição energética, como baterias, turbinas eólicas, telas de LED, equipamentos médicos e armas de precisão.
A disputa entre EUA e China
O interesse norte-americano cresceu após a guerra comercial com a China. Durante o conflito, Pequim restringiu a exportação de terras raras, afetando diretamente indústrias estratégicas nos EUA, como a de carros elétricos e, principalmente, a de equipamentos militares.
De acordo com especialistas, mais de 95% das terras raras usadas pelos EUA são importadas. Por isso, o abastecimento seguro desses minerais virou prioridade para Washington.
O papel do Brasil
Depois da China, o Brasil é o país com maiores reservas de terras raras, respondendo por cerca de 23% das jazidas conhecidas no planeta. Regiões como Poços de Caldas (MG), Araxá (MG), Catalão (GO) e áreas da Amazônia concentram parte desse potencial.
No entanto, enquanto a China domina todas as etapas da cadeia produtiva — da mineração à fabricação de ímãs —, o Brasil explora pouco e praticamente não refina esses minerais. Isso acontece porque o processo é caro, demorado e ambientalmente arriscado.
Desafios ambientais e econômicos
O modelo chinês é considerado altamente poluente, com uso intenso de produtos químicos e grandes quantidades de rejeitos. No Brasil, seria possível adotar uma exploração menos agressiva, mas os custos seriam muito mais altos.
Segundo especialistas, enquanto o quilo de terras raras poderia ser vendido a US$ 25 em um modelo sustentável, a China consegue comercializar por cerca de US$ 5. Essa diferença dificulta a competitividade brasileira.
E o futuro?
Para especialistas, o Brasil teria a oportunidade de ir além da exportação de matéria-prima, investindo em tecnologia de refino e fabricação de produtos de maior valor agregado. Mas a avaliação é de que o país tende a repetir o histórico de exportar insumos sem desenvolver a cadeia produtiva.
Parcerias com os Estados Unidos, por exemplo, provavelmente se limitariam a garantir fornecimento de minérios, enquanto o refino e os empregos permaneceriam fora do país. Além disso, há riscos de flexibilizações ambientais acelerarem projetos de mineração sem os devidos cuidados.
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