O ministro Marcos Bemquerer Costa, do Tribunal de Contas da União (TCU), liberou nesta sexta-feira (8) a retomada da concessão de novos empréstimos pessoais consignados para beneficiários do INSS. A medida, que reverte uma suspensão anterior, foi tomada após o TCU analisar um recurso apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU), visando mitigar potenciais impactos econômicos e sociais.
Esta autorização possui efeito imediato, contudo, sua validade se estende até a deliberação final do caso pelo plenário da Corte de Contas.
Entretanto, as operações envolvendo as modalidades de “cartão de crédito consignado” e “cartão consignado de benefício” permanecem suspensas, conforme a determinação prévia do tribunal.
Empréstimos pessoais novamente disponíveis
A medida acolhe um pleito da Advocacia-Geral da União (AGU), que havia recorrido da decisão do TCU de suspender, na semana anterior, todas as novas operações de crédito consignado destinadas a aposentados e pensionistas do INSS.
Em sua argumentação, o Poder Executivo enfatizou que a paralisação dos empréstimos pessoais poderia acarretar significativas consequências econômicas e sociais, restringindo o acesso dos segurados a essa importante linha de crédito.
O governo apontou que tal restrição poderia impulsionar os aposentados a buscar alternativas de crédito com custos mais elevados, elevando o risco de superendividamento e impactando negativamente a movimentação financeira na economia.
Ao reconsiderar a suspensão dos empréstimos pessoais, o ministro Bemquerer destacou progressos na implementação de dispositivos de segurança no sistema operacional dessas transações.
“Novas informações sobre o estágio avançado da implementação das demandas estruturantes para a segurança dos empréstimos pessoais consignados justificam, de forma excepcional, a suspensão da medida cautelar”, afirmou o ministro Bemquerer em sua decisão.
Suspensão mantida para cartões consignados
Apesar da liberação parcial do crédito pessoal, o TCU decidiu manter a proibição para novas concessões nas seguintes modalidades:
- cartão de crédito consignado;
- cartão consignado de benefício.
O tribunal classifica esses produtos como mais sensíveis, em virtude do elevado número de indícios de irregularidades identificados em auditorias prévias. A suspensão permanecerá em vigor até que a Corte realize uma nova análise aprofundada.
Entenda o histórico da suspensão
Em 29 de abril, o TCU havia determinado a suspensão imediata de novos empréstimos consignados do INSS, após constatar falhas de segurança críticas no sistema “eConsignado”.
O tribunal alertou para o risco iminente de prejuízos financeiros tanto para os aposentados quanto para os cofres públicos.
As principais irregularidades apontadas incluíam:
- contratos sem a devida autorização dos beneficiários;
- empréstimos realizados em nome de pessoas falecidas;
- fraudes de identidade;
- falhas nos processos de validação biométrica;
- desvio de recursos;
- ausência de documentação comprobatória;
- cobrança de taxas consideradas abusivas.
Essa deliberação foi precedida por auditorias que revelaram indícios de práticas abusivas e um potencial vazamento de dados sigilosos pertencentes a aposentados e pensionistas.
Preocupação com dados e irregularidades
Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) evidenciaram uma alta incidência de problemas relacionados aos cartões consignados.
De acordo com os levantamentos da CGU:
- 36% dos entrevistados não reconheceram a contratação do cartão;
- 25% afirmaram não ter solicitado o produto;
- 36% relataram não ter recebido os valores correspondentes ao saque;
- 78% disseram não receber as faturas dos cartões.
O TCU concluiu que tais falhas expõem os aposentados a golpes financeiros e intensificam o risco de um endividamento irregular.
O impacto no mercado de crédito
A interrupção dos serviços de crédito consignado havia provocado considerável apreensão tanto no mercado financeiro quanto no âmbito governamental. Este segmento movimenta aproximadamente R$ 100 bilhões e beneficia milhões de aposentados e pensionistas do INSS.
Estima-se, pelo setor bancário, que cerca de 17 milhões de beneficiários seriam impactados pela paralisação das operações. Deste contingente, mais da metade já se encontraria em situação de negativação, sem acesso a outras modalidades de crédito convencionais.
Perspectivas de mudanças no crédito consignado
Adicionalmente à suspensão parcial, o governo federal divulgou planos para implementar alterações permanentes nas regras do crédito consignado do INSS.
A medida provisória (MP) que institui a nova versão do programa Desenrola Brasil, publicada recentemente, estabelece o fim gradual do cartão consignado.
Conforme as novas diretrizes:
- a redução do produto terá início em 2027;
- o limite de comprometimento da renda será progressivamente diminuído;
- a modalidade será extinta a partir de 2029.
A MP também introduziu modificações nas regras do empréstimo consignado tradicional.
Dentre as alterações, destacam-se:
- o prazo máximo para pagamento será estendido de oito para nove anos;
- o limite total de comprometimento da renda será reduzido de 45% para 40%;
- posteriormente, esse percentual diminuirá de forma gradual até atingir 30%.
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