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Quarta-feira, 03 de Junho 2026
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Setores produtivos ampliam ações ambientais em Minas Gerais

Construção civil, logística e setor florestal mineiro mostram que sustentabilidade deixou de ser tendência para se tornar fator de acesso ao mercado

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Setores produtivos ampliam ações ambientais em Minas Gerais
Áreas de vegetação nativa
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No debate global sobre mudanças climáticas e preservação ambiental, Minas Gerais reúne exemplos de como setores produtivos podem avançar em sustentabilidade sem abrir mão da competitividade. No mês em que é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho, organizações mineiras mostram que a agenda ambiental deixou de ser discurso institucional para se tornar fator estratégico de negócio.

Segundo o vice-presidente da área das Incorporadoras da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato da Habitação de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Fabiano Barbosa Ambrósio, as incorporadoras mineiras evoluíram de maneira consistente na pauta de sustentabilidade. “Hoje já é comum encontrar projetos com soluções como eficiência energética, redução de consumo de água com sistemas de reuso, uso de iluminação e ventilação naturais, além da busca pelas principais certificações e selos de construção sustentável”, pontua.

Os ganhos são maiores quando as práticas entram desde a concepção. “Quando a sustentabilidade entra desde o início, os ganhos são concretos: reduções relevantes no consumo de energia e água, menor custo condominial, maior conforto térmico e melhor desempenho do edifício”, destaca Ambrósio. O vice-presidente afirma ainda que isso se traduz diretamente em valor, tanto na percepção do cliente quanto na velocidade de vendas e na valorização do ativo.

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Resíduos com destinação correta

No canteiro de obras, a Emccamp Residencial integra critérios de sustentabilidade às diferentes etapas do processo produtivo. “A sustentabilidade está integrada às nossas decisões desde as etapas iniciais de viabilidade até a fase final de implantação e operação dos residenciais. Os projetos passam por análises técnicas voltadas à redução dos impactos ambientais, buscando otimizar a movimentação de terra, reduzir supressão de vegetação e preservar recursos hídricos sempre que tecnicamente possível”, detalha o coordenador de Meio Ambiente da Emccamp, Rodrigo Silvério.

Em 2024, a incorporadora registrou 100% dos resíduos de seus canteiros separados e destinados a locais autorizados. A empresa adota o sistema de parede de concreto em diversos empreendimentos, o que reduz em aproximadamente 50% a geração de resíduos frente a técnicas convencionais. Em relação à água, os empreendimentos contam com hidrômetros individualizados e torneiras com aeradores, que contribuem para a redução do consumo.

Já no campo energético, uma das obras da empresa já opera com dispositivo de energia solar para apoio ao canteiro, e a companhia estuda a implantação de placas fotovoltaicas temporárias durante a fase de construção dos próximos empreendimentos.

Um dos cases mais representativos é o Águas Residence, desenvolvido em sinergia com as nascentes do terreno. “Não se trata de compensar o impacto depois, mas de projetar para que ele seja o menor possível desde o início”, ressalta Rodrigo. A Emccamp possui certificações PBQP-H Nível A, ISO 9001:2015 e Selo Casa Azul Caixa.

Descarbonização como estratégia de competitividade

Responsável por mais de 60% do escoamento da produção nacional, o transporte rodoviário também vira aliado da sustentabilidade como parte de sua estratégia. Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antonio Luis da Silva Junior, a pauta ambiental não é mais uma tendência futura.

“O transporte rodoviário tem consciência da sua responsabilidade ambiental e vem buscando alternativas para reduzir impactos sem comprometer a eficiência das operações. Hoje, sustentabilidade e competitividade caminham juntas. Quem não acompanhar essa transformação corre o risco de perder mercado, contratos e acesso a crédito”, enfatiza o presidente.

O assessor jurídico-ambiental do Setcemg, Walter Cerqueira, aponta que o Brasil vive uma fase de transição. “As soluções adotadas até hoje são mais incrementais do que disruptivas. Há avanços importantes, mas ainda existem gargalos estruturais”, avalia. Biodiesel, diesel verde, biometano e eletrificação já começam a compor a matriz do setor, impulsionados pela pressão de embarcadores e instituições financeiras que adotaram critérios ESG. “O ESG funciona como uma corrente: quando a empresa principal muda seu posicionamento, toda a cadeia passa a ser pressionada a se adequar”, acrescenta Walter.

Minas Gerais na vanguarda da bioeconomia

Com 2,3 milhões de hectares de florestas plantadas e mais de 1,3 milhão de hectares de vegetação nativa conservada, Minas Gerais ocupa posição estratégica na economia de baixo carbono. A Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF) defende o conceito de “florestas pensadas”, planejadas para produzir madeira renovável, conservar recursos e recuperar áreas degradadas, como sintetiza a presidente-executiva, Adriana Maugeri. “Para cada 60 hectares de florestas cultivadas, o setor conserva outros 40 hectares de vegetação nativa. É o dobro do exigido por um dos códigos florestais mais rigorosos do mundo”.

O presidente do Conselho Deliberativo da AMIF, Júlio Ribeiro, reforça o potencial do setor. “O futuro é feito de madeira. Hoje ela já substitui plástico, combustíveis fósseis, fibras sintéticas e carvão mineral. O mundo está buscando alternativas sustentáveis e Minas Gerais tem vocação natural para liderar esse movimento”, acentua.

Um exemplo é o chamado ‘aço verde’. Empresas mineiras utilizam carvão vegetal de florestas cultivadas na siderurgia, substituindo o carvão mineral. “O Brasil é referência mundial nessa tecnologia e Minas Gerais concentra boa parte dessa expertise”, frisa Júlio.

Adriana reitera ainda que sustentabilidade não é algo fora da rotina comum dos consumidores urbanos e que o maior desafio atual é aproximá-los dessa realidade. “Quando as pessoas entenderem que a roupa, o papel, a embalagem e até parte do aço que utilizam podem ter origem renovável, elas passam a enxergar as florestas de outra forma. Estamos falando de uma atividade essencial para o futuro do planeta”, define a presidente.



Website: https://amif.org.br/
FONTE/CRÉDITOS: DINO

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