Diante do aumento dos riscos provocados pelas chuvas intensas, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) intensificou, em todo o estado, um amplo conjunto de medidas voltadas à preparação, prevenção e resposta a desastres típicos do período chuvoso. Ao todo, foram planejadas mais de 1.200 ações preventivas, com o objetivo de preservar vidas, proteger o patrimônio e ampliar a segurança das comunidades mais vulneráveis.
As iniciativas envolvem desde monitoramento em tempo real até mobilização operacional especializada. Um dos principais pilares dessa estratégia é a atuação dos Núcleos de Atenção às Chuvas (NAC), estruturados em todos os Batalhões e Companhias Independentes da corporação. Esses núcleos funcionam como referências regionais para o acompanhamento de riscos e resposta rápida a ocorrências.
Por meio do Comando Especializado de Bombeiros (CEB), os militares passam por capacitações específicas voltadas a situações recorrentes no período chuvoso, como busca e resgate em estruturas colapsadas (Brec), soterramentos, enchentes e inundações. Oficinas práticas para o uso de equipamentos e ferramentas também fazem parte do treinamento. Em momentos de maior risco, os NACs operam em regime de prontidão intensificada, garantindo atendimento mais ágil e qualificado.
Além da atuação operacional, o CBMMG desenvolve ações de caráter preventivo e educativo, como apoio às Coordenadorias Municipais de Proteção e Defesa Civil (Compdecs), treinamentos de líderes comunitários, capacitações com profissionais das Defesas Civis Municipais, orientações de autoproteção e cursos de primeiros socorros em comunidades e escolas.
Segundo o porta-voz do CBMMG, tenente Henrique Barcellos, o planejamento antecipado impacta diretamente na redução de ocorrências graves.
“O investimento em tecnologia, planejamento e, principalmente, na capacitação das comunidades permite que as equipes estejam um passo à frente na gestão do risco, reduzindo a necessidade de ações emergenciais”, destacou.
Tecnologia e gestão integrada de riscos
O monitoramento das condições climáticas e geológicas também foi reforçado com o desenvolvimento de uma plataforma de geotecnologia, operada pela Sala de Situação do CBMMG. A ferramenta permite o acompanhamento em tempo real de índices pluviométricos, bacias hidrográficas, previsões meteorológicas e áreas suscetíveis a deslizamentos.
Com base nesses dados, a corporação consegue emitir alertas às unidades operacionais, orientar a elevação do nível de prontidão das equipes e subsidiar decisões estratégicas dos comandos. A Sala de Situação também fortalece a articulação com a Defesa Civil Estadual e outros órgãos de gestão de riscos.
Outra medida adotada é a elaboração de uma Matriz de Gerenciamento de Riscos, que orienta a priorização de cenários críticos e o uso mais eficiente dos recursos disponíveis durante o período chuvoso.
Chuvas intensas elevam riscos geológicos
O início de 2026 foi marcado por um aumento significativo de ocorrências relacionadas a riscos geológicos em Minas Gerais. No começo de janeiro, o CBMMG resgatou com vida um idoso após o desabamento de uma residência na região do Barreiro, em Belo Horizonte. O imóvel possuía três pavimentos e estava localizado em uma encosta de vale com grande inclinação, fator que amplia o risco estrutural.
De acordo com dados do CBMMG, entre 01/12/2025 e 15/01/2026, foram registradas 337 ocorrências relacionadas a risco geológico em todo o estado, sendo 271 vistorias técnicas e 66 casos de desabamento ou desmoronamento. O número expressivo está diretamente associado ao volume de chuvas registrado no período.
A permanência de chuvas por longos intervalos provoca o encharcamento do solo, reduz sua estabilidade e aumenta as chances de movimentação de terra. Esse processo compromete fundações, muros, encostas e edificações, colocando vidas em risco, especialmente em áreas ocupadas de forma irregular ou em terrenos íngremes.
Atenção aos sinais de instabilidade
Diante desse cenário, o CBMMG reforça a importância de que moradores de áreas suscetíveis a deslizamentos e desabamentos fiquem atentos a sinais que indicam risco iminente, como:
Trincas em paredes, pisos ou no solo
Portas e janelas emperradas
Inclinação de postes, árvores ou muros
Estalos na estrutura da residência
Rachaduras em muros de contenção
Ao identificar qualquer um desses indícios, a orientação é sair imediatamente do imóvel, procurar um local seguro e acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. A adoção rápida dessas medidas pode evitar acidentes graves e salvar vidas.
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