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Sábado, 18 de Julho 2026
Economia

Registros de fraudes financeiras no Brasil aumentam 10% após novas regras do Banco Central

Estudo da Quod revela que a maioria das vítimas de golpes, 58%, tem renda de até dois salários mínimos.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Registros de fraudes financeiras no Brasil aumentam 10% após novas regras do Banco Central
© Joédson Alves/Agência Brasil
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O Brasil registrou um aumento de 10,26% nos indícios de fraudes financeiras durante o primeiro semestre de 2026, totalizando mais de 9 milhões de ocorrências. Este crescimento, conforme levantamento da Quod, reflete a intensificação dos mecanismos de detecção após a implementação da Resolução 501 do Banco Central, que ampliou o compartilhamento de informações entre as instituições financeiras.

No período anterior, o segundo semestre de 2025, foram contabilizados 8,26 milhões de registros. A Quod, uma datatech especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito, destaca que este cenário aponta para uma maior capacidade de identificação de golpes, e não necessariamente para um aumento exponencial da criminalidade.

Para a Quod, a metodologia de classificação considera como "indícios" tanto as suspeitas de fraudes quanto os golpes efetivamente consumados.

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Sistema colaborativo no combate às fraudes

A base para este estudo é o Registro Unificado de Fraudes (Rufra), uma iniciativa colaborativa desenvolvida pela Quod. O Rufra compila informações sobre indícios e ocorrências de fraudes, compartilhadas por diversas instituições financeiras e empresas.

Este sistema centraliza dados de segurança, permitindo a identificação de padrões criminosos, o acompanhamento do histórico de vítimas e fraudadores, e o bloqueios preventivo de operações consideradas suspeitas.

O Rufra não só fortalece as estratégias de prevenção contra golpes, mas também cumpre as determinações da Resolução 501 do Banco Central. Essa norma tornou obrigatória e mais robusta a troca de informações entre as instituições financeiras.

Consequentemente, muitas tentativas de fraude que antes não eram documentadas agora são integradas a essa base única de inteligência, elevando significativamente a capacidade de detecção do sistema financeiro nacional.

Panorama das fraudes: os principais números

  • Mais de 9 milhões de indícios de fraudes foram registrados no primeiro semestre de 2026;
  • Houve uma alta de 10,26% em comparação com o segundo semestre de 2025;
  • 78% das ocorrências de fraude tiveram o celular como meio;
  • 94% das fraudes envolveram contas correntes;
  • O Pix foi utilizado em 85% das movimentações de recursos fraudulentas;
  • 40% dos casos originaram-se de golpes de engenharia social;
  • Cerca de 3,1 milhões de pessoas foram vítimas de fraudes neste período;
  • Aproximadamente 799 mil vítimas sofreram golpes duas vezes ou mais.

O impacto das novas regras do Banco Central

A Quod enfatiza que o crescimento no número de registros não indica necessariamente uma expansão da atividade criminosa, mas sim uma melhoria significativa na capacidade de monitoramento e detecção do mercado financeiro.

"O aumento de 10% no volume de fraudes em relação ao semestre anterior reflete, na verdade, o amadurecimento das defesas do mercado financeiro", explica Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod.

Ele acrescenta que, "com a consolidação da Resolução 501 do Banco Central, as instituições passaram a compartilhar informações de forma muito mais ativa via base Rufra, detectando e trazendo à tona tentativas de golpes que antes ficavam subnotificadas no sistema".

Celular e Pix: os principais vetores das fraudes

O ambiente digital permanece como o principal foco das fraudes financeiras que ocorrem no país.

O celular foi o meio empregado em 78% dos casos reportados, consolidando-se como o canal mais visado pelos criminosos. As contas correntes estiveram presentes em 94% dos indícios de fraudes.

Já o Pix foi o método de pagamento utilizado em 85% das ocorrências fraudulentas, evidenciando sua exploração por parte dos golpistas.

Engenharia social: a tática dos golpes psicológicos

A engenharia social mantém-se como a estratégia predominante empregada pelos criminosos.

Essa modalidade de golpe, que se baseia na manipulação psicológica das vítimas para extrair informações ou persuadi-las a efetuar transferências, foi responsável por 40% dos registros. Isso equivale a mais de 3,6 milhões de ocorrências somente neste semestre.

O perfil das vítimas de fraudes financeiras

Os dados analisados revelam que os jovens são os alvos mais frequentes das fraudes financeiras.

Indivíduos com idade entre 18 e 34 anos constituem 49,06% do total de vítimas. A faixa etária de 35 a 49 anos corresponde a 29,98% dos casos.

Em relação ao gênero, homens representam 51% dos registros, enquanto mulheres somam 48%. Um dado relevante é que a maioria das vítimas, 58%, possui renda de até dois salários mínimos.

O estudo também apontou um alto índice de reincidência. Das 3,1 milhões de pessoas que foram alvo de golpes no semestre, cerca de 799 mil — o que representa um quarto do total — foram vítimas em duas ou mais ocasiões.

Recomendações para prevenção de golpes

Diante deste cenário, a Quod aconselha os consumidores a redobrarem a atenção em suas operações financeiras, especialmente aquelas realizadas por meio do celular.

"Nunca tome decisões financeiras apressadas durante o expediente de trabalho, período em que os fraudadores aproveitam a distração das vítimas", alerta Danilo Coelho.

Ele também orienta: "Não clique em links recebidos por mensagens e não empreste sua conta bancária para receber ou transferir valores de terceiros, pois isso o torna cúmplice e vítima do esquema de contas laranja".

A Quod é uma datatech com expertise em inteligência de dados voltada para o mercado de crédito. A empresa desenvolve soluções avançadas, utilizando inteligência artificial e análise de dados, para auxiliar instituições financeiras e empresas em processos de decisão de crédito, na prevenção de fraudes e na recuperação de ativos.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

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