Racismo estrutural no ambiente de trabalho” foi o tema abordado pela doutoranda e mestra em história pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Dalila Varela Singulane, em roda de conversa para funcionários e bolsistas da Secretaria de Turismo (Setur) da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), no Anfiteatro João Carriço. De acordo com ela, a partir do século XVI, o racismo estrutural serviu como forma de desenvolvimento da economia, por meio do uso de mão de obra escravizada, quando os europeus passaram a dominar mais a navegação e chegaram à África. “A acumulação de bens e, consequentemente, o capitalismo foram conseguidos pelo uso da mão de obra escravizada”, explicou.
Segundo Dalila, mesmo no século XIX, já utilizando base científica, a escravização continuou em curso pelas teorias que viabilizaram a hierarquização pela raça, o que propiciou o surgimento, inclusive, do nazifascismo. Ela lembrou que, na ausência de universidades no Brasil, a elite cursava na Universidade de Coimbra, em Portugal, que sempre procurou justificar o colonialismo. Desta forma, explicou ela, houve a continuidade do processo de utilização da mão de obra escravizada. Dalila explicou que as teorias científicas da época apontavam que uma sociedade de mestiços, negros e indígenas seria fadada ao fracasso e ao não desenvolvimento.
Depois do processo de abolição da escravatura no Brasil, não houve esforço algum para a inserção dos escravizados na sociedade, explicou. Inicialmente, as políticas públicas para atender a população negra vieram com o intuito de “embranquecer” a sociedade. Tanto isso é verdade, argumentou, que houve um grande incentivo para o país receber italianos, portugueses e germânicos, que receberam terras e, até mesmo, tiveram sua vinda para o Brasil custeadas pelo Estado.
Ainda dentro da chamada base científica da época, havia um livro que dizia que, até 2012, o Brasil teria 80% de brancos, 3% de pardos e indígenas, e a população negra deixaria de existir. Ela afirmou que a sociedade brasileira é estruturalmente racista e citou como exemplo o fato de os negros e as negras ocuparem pouquíssimos espaços de poder no âmbito dos governos federal, estaduais e municipais. Apesar de a qualificação e o nível de escolaridade da população negra terem aumentado, a oferta de empregos, até bem pouco tempo, restringia os cargos aos brancos, ao informar que não aceitavam candidatos de cor.
O evento foi organizado pelos funcionários Lídia Queiroga, Lucas Rosa e Fernanda Pires, todos negros, e que ocupam cargos de assessoria na Secretaria de Turismo da PJF. Todos fizeram intervenções relatando as dificuldades que enfrentaram ao longo da vida, nos estudos e profissionalmente, por causa do racismo e do preconceito. O secretário de Turismo, Marcelo do Carmo, elogiou a iniciativa e falou da necessidade de se fazer rodas de conversa sobre esses temas periodicamente.
Leia mais em nosso portal👉🏼 link na bio
Curta e siga nossas redes sociais
#noticiasdejuizdefora, #juizdefora#juizdeforamg #rcwtv, #noticiasminasgerais, #pjf, #notíciasemjuizdefora, #notíciasemminasgerais, #brasil#mundo#juízdefora#juizdefora_mg#jf#ufjf#pmmg#pcmg#prefeiturajf#saudejf#juizdeforando#noticiasmg#esportes#jornalismo#jornalismoesportivo#política
Receba notícias da RCWTV no Whatsapp e fique por dentro das principais notícias que movimentam o nosso site! Participe do nosso grupo:
https://chat.whatsapp.com/EeSJvQx8kVA3J3kMmSevMw